Soja dispara em Chicago e fecha 4ª feira com mais de 1% de alta com chuvas nos EUA e dados do Pro Farmer
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Os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago registraram mais uma sessão de disparada e terminaram o dia com ganhos superiores a 1% - de 16,50 a 20,25 pontos - nos contratos mais negociados, refletindo os dados do Pro Farmer Crop Tour. Os resultados levantados pelo mais antigo e tradicional tour de safra dos Estados Unidos têm indicado problemas consideráveis nas lavouras de soja e milho do país, mostrando que o potencial produtivo pode não ser todo aquele estimado pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).
"Com estas notícias o mercado vai continuar sua tendência de alta e buscar novas altas. O USDA certamente fará nos próximos relatórios de oferta e demanda suas devidas correções, ajustando a produtividade e com isso reduzindo as safras e os estoques finais dos EUA", afirma o diretor geral do Grupo Labhoro, Ginaldo Sousa.
Com as boas altas desta quarta, o contrato novembro encerrou o pregão na CBOT valendo US$ 12,36, o janeiro com US$ 12,50 e o março com US$ 12,54 por bushel. O milho e o trigo também subiram forte e concluíram os negócios com mais de 2% de avanço. O farelo de soja acompanhou os ganhos, terminou o pregão com mais de 2% de ganhos, enquanto o óleo fechou o dia subindo pouco mais de 0,3%.
Os primeiros resultados do Pro Farmer Crop Tour 2026 começam a revelar um cenário bastante irregular para as lavouras de milho e soja dos Estados Unidos. Após os dois primeiros dias de trabalhos em campo, os levantamentos dos participantes mostram que os extremos climáticos — com excesso de chuvas em partes do Leste e déficit hídrico no Oeste — deixaram marcas importantes sobre o potencial produtivo.
Na soja, o número de vagens observado ajuda a dimensionar o potencial produtivo, mas o clima das próximas semanas continuará sendo determinante para o enchimento dos grãos e para a definição do rendimento final. O próprio Pro Farmer ressalta que a relação entre contagem de vagens e produtividade varia entre os estados e que o clima após o Tour é fundamental para o fechamento da safra. Todavia, o número de vagens por metro quadrado ficou abaixo do ano passado e da média das últimas três temporadas.
Com os trabalhos avançando nesta quarta-feira para Illinois e Iowa, o mercado acompanha os próximos levantamentos em busca de novas evidências sobre o tamanho da safra americana.
"Até agora, o sinal do Pro Farmer é claramente mais fraco no milho. Somando Ohio, Dakota do Sul, Indiana e Nebraska, são 23,840 milhões de acres, aproximadamente 27,1% da produção americana projetada pelo USDA. Nesses quatro estados, o USDA projeta 110,111 milhões de toneladas, enquanto, aplicando as produtividades encontradas pelo Pro Farmer às mesmas áreas, chegamos a 100,913 milhões. São aproximadamente 9,198 MMT a menos", analisa Ronaldo Fernandes, diretor da Royal Rural.
E em algumas regiões importantes de produção do Corn Belt as chuvas continuam chegando e mantendo os alertas ativos no mercado. "Ao longo do último dia foram contabilizadas chuvas de até 6 mm no oeste da Dakota do Sul, oeste e sul do Nebraska, centro e norte do Kansas, norte do Missouri, sul e norte de Illinois, sul e leste de Iowa, maior parte de Michigan. 6 a 13 mm no extremo sudoeste de Iowa, 6 a 19 mm no oeste do Kansas, norte de Indiana e chuvas esparsas no sul do Mississippi. Registros de 13 a 25 mm no centro da região sul e pontual no centro-leste da Dakota do Sul, sudeste do Nebraska, sul de Wisconsin, pontual no centro-norte de Michigan. 19 a 38 mm no sudoeste de Michigan, sudeste do Missouri. 25 a 50 mm do centro ao centro-oeste do Missouri, nordeste do Kansas", relatou a Labhoro.
Veja o mapa a seguir:
Assim, a tendência, segundo analistas e consultores de mercado, é de que os preços sigam buscando patamares mais altos na Bolsa de Chicago diante da possibilidade de uma oferta menor nos Estados Unidos, o que poderia sinalizar uma relação de estoque/uso nos EUA bastante ajustada.
"O mercado avalia que uma possível redução da oferta norte-americana, combinada aos riscos crescentes sobre o abastecimento global, mantém um ambiente favorável aos preços. Além disso, com o vencimento das opções de setembro nesta sexta-feira, participantes que apostaram na queda ou em uma alta limitada dos preços podem precisar ajustar suas posições, aumentando as compras no mercado e dando um suporte adicional aos preços", complementa o Grupo Labhoro.
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