Açúcar dispara e bate máximas de 15 meses em Nova Iorque e 16 meses em Londres
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As cotações do açúcar encerraram a quarta-feira (19) em alta nas bolsas internacionais, ampliando os ganhos acumulados em agosto e renovando máximas de vários meses. Em Nova Iorque, o açúcar bruto atingiu o maior patamar em 15 meses, enquanto em Londres o açúcar branco alcançou o maior valor em 16 meses, sustentado pelas preocupações com a oferta global e pelos impactos do clima nas principais regiões produtoras.
Na bolsa de Nova Iorque, o contrato outubro fechou em alta de 8 pontos, negociado a 17,55 cents por libra-peso. Em Londres, o contrato outubro avançou 270 pontos, encerrando o dia a US$ 542,20 por tonelada.
O mercado continua reagindo às perspectivas de um balanço global mais apertado para as próximas safras. Na terça-feira, a Bloomberg informou que a Índia estuda reduzir tarifas de importação de açúcar para ampliar a oferta interna e conter os preços antes do aumento esperado do consumo durante a temporada de festas. A medida é vista pelo mercado como mais um indicativo de escassez, já que o país, tradicional exportador, não realiza importações relevantes desde a safra 2017/18.
Além da Índia, o clima segue no centro das atenções. As monções indianas continuam abaixo da média e o fenômeno El Niño aumenta os riscos para a produção em importantes regiões produtoras, como Brasil, Índia, Tailândia e Europa.
Para Maurício Murici, analista da Safras & Mercado, a alta recente reflete a percepção crescente de que o mercado global poderá enfrentar perdas expressivas de produção.
“Tudo está se desenhando para grandes prejuízos aos canaviais em termos de oferta. Nós estimamos uma frustração produtiva superior a 10 milhões de toneladas nas principais origens mundiais de açúcar, considerando Brasil, Índia, União Europeia, China e Tailândia”, afirmou.
Segundo Murici, os fundos de investimento passaram a incorporar esse cenário nas negociações, intensificando as apostas de alta.
“Os agentes financeiros acordaram para o fato de que a oferta global de açúcar será fortemente impactada. Isso acaba se refletindo diretamente nos preços”, destacou.
Déficit global sustenta valorização
As projeções de déficit continuam dando suporte ao mercado. A Covrig Analytics passou a estimar um déficit global de 300 mil toneladas na safra 2026/27, revertendo a previsão anterior de superávit de 100 mil toneladas.
A Green Pool Commodity Specialists elevou sua projeção de déficit para 3,3 milhões de toneladas, enquanto a StoneX aumentou sua estimativa para 1,7 milhão de toneladas. A Czarnikow também revisou seu balanço, passando de um superávit de 1,4 milhão de toneladas para um déficit de 100 mil toneladas em 2026/27.
Para 2027/28, a perspectiva também é de aperto. Na última sexta-feira, a Czarnikow projetou um déficit global de 2,9 milhões de toneladas, com produção mundial estimada em 177 milhões de toneladas, queda de 0,7% em relação ao ciclo anterior, principalmente devido aos problemas climáticos na Índia, União Europeia e Tailândia.
Monções seguem abaixo da média na Índia
O Departamento Meteorológico da Índia informou nesta quarta-feira que o acumulado de chuvas da temporada de monções, entre junho e setembro, estava 13% abaixo da média até 19 de agosto. Apesar da melhora em relação ao déficit de 42% registrado no fim de junho, o órgão mantém a previsão de chuvas abaixo da média para agosto e setembro.
O Ministério de Ciências da Terra da Índia também alertou que a atual temporada pode ser a mais fraca em 11 anos, fator que mantém as preocupações sobre a produção do segundo maior produtor mundial de açúcar.
Produção de açúcar recua no Centro-Sul
No Brasil, os dados mais recentes também reforçam o cenário de menor oferta.
Informações do Ministério da Agricultura, antecipadas pela Reuters, apontaram que a moagem de cana no Centro-Sul caiu 8,4% na segunda quinzena de julho, totalizando 46,08 milhões de toneladas.
A produção de açúcar apresentou queda ainda maior, de 17,6%, para 3 milhões de toneladas. Já a fabricação de etanol cresceu 2,8%, para 2,39 bilhões de litros, indicando maior direcionamento da matéria-prima para o biocombustível.
No acumulado da safra 2026/27 até o fim de julho, a moagem atingiu 313,21 milhões de toneladas, alta de 2,1% sobre o mesmo período do ciclo anterior. Apesar do maior volume processado, a produção de açúcar caiu 12,4%, para 16,92 milhões de toneladas.
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