Cultivares IAC de maracujá para indústria alcançam todo o Brasil
O Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, vem consolidando sua contribuição para a produção de maracujá destinado à indústria de polpas em diversas regiões brasileiras, onde são plantadas as cultivares IAC 275 Maravilha e IAC 1013 Laureado. Com produtividade superior e frutos de maior rendimento industrial, essas variedades têm contribuído para ampliar a competitividade do Brasil no mercado interno e externo, além de oferecer alternativas sustentáveis para pequenos e médios produtores. Atualmente, as cultivares IAC estão presentes em polos produtivos estratégicos, atendendo às demandas da indústria de sucos e polpas.
Em 2025 e primeiro semestre de 2026, em pomares em produção ou em formação, os principais estados que plantaram as cultivares de maracujá IAC para uso industrial foram São Paulo, Minas Gerais, Maranhão e Paraná, nesta ordem. Além desses ainda participaram Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Tocantins, Alagoas, Pernambuco, Pará, Bahia, Rondônia, Acre e o Distrito Federal.
Em São Paulo, essas produções estão espalhadas por diferentes municípios, com destaque para Fartura, próximo à divisa com o Paraná. “Em 2025 e 2026, fornecemos sementes para produtores de Americana, Areias, Bauru, Campina do Monte Alegre, Conchas, Cruzeiro, Guaratinguetá, Iacanga, Iguape, Itaí, Itaporanga, Jarinu, Jundiaí, Louveira, Óleo, Santos, São Paulo e Sertãozinho”, comenta José Luiz Hernandes, pesquisador do IAC.
Nas lavouras paulistas, a cultura é trabalhada por pequenos produtores familiares, que encontram nas cultivares do IAC uma alternativa viável e de fácil adoção, já que o sistema de plantio e manejo é praticamente o mesmo utilizado para frutos destinados à indústria ou ao consumo in natura.
Segundo o cientista, no momento atual, mês de agosto, os produtores paulistas estão na fase final de produção. “Aqueles que realizam duas safras no mesmo plantio iniciam a limpeza e se preparam para a poda no fim de agosto e início de setembro. Já quem trabalha com apenas uma safra começa a eliminar as plantas que produziram neste ciclo, preparando o solo e o sistema de condução para o próximo cultivo”, relata o pesquisador do IAC, vinculado à Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (APTA) e à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.
De acordo com Hernandes, quando destinado à indústria, o tamanho do fruto e a aparência não são os principais aspectos de interesse. “As características buscadas pela indústria e plenamente atendidas pelas nossas cultivares são o rendimento de polpa acima de 50%, teor de sólidos solúveis acima de 12 graus Brix, sendo desejável acima de 14, e coloração alaranjado intenso da polpa”, afirma.
Por ter ciclo relativamente rápido, a cultura proporciona retorno econômico ágil e a venda de polpa processada agrega valor ao produto. O maracujá ainda traz a oportunidade de uma renda distribuída pela maior parte do ano.
Atualmente o IAC disponibiliza a produtores e viveiristas sementes de quatro cultivares de maracujá azedo amarelo sendo a IAC 275 e a IAC 1013, para produção de polpa, e a IAC 273 e a IAC 277 voltadas à produção de frutos de mesa. Mais informações podem ser obtidas pelos contatos: [email protected], [email protected] O Instituto também fornece material de propagação para o Serviço de Produção de Sementes e Mudas da CATI (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral).
Uso industrial: maracujá azedo é preferido pelo alto rendimento de polpa e grau ideal de acidez
As duas cultivares IAC desenvolvidas para a indústria de polpa - IAC 275 Maravilha e IAC 1013 Laureado - apresentam alta performance industrial, com teor de sólidos solúveis que pode alcançar 17 graus Brix. As duas têm alto rendimento de polpa, de cor alaranjado intenso, sendo a da IAC 1013 Laureado ainda mais intensa em sua coloração. Recomenda-se adotar a IAC 1013 Laureado como complementar à IAC 275 Maravilha, adotando o plantio conjunto, sendo 50% de cada cultivar. A casca das duas cultivares é fina.
“A combinação das características dessas duas cultivares permitem os melhores parâmetros de qualidade para produção de polpa em rendimento, Brix e coloração da polpa”, afirma Hernandes.
O fruto da IAC 275 Maravilha é médio e alongado, mas pode apresentar também formato arredondado. Já o fruto da IAC 1013 Laureado é predominantemente médio e redondo, podendo apresentar frutos alongados. As duas cultivares têm época de maturação de janeiro a julho na região Sudeste, sendo mais longa no Norte/Nordeste e mais curta no Sul. Essas variações resultam da diferença no período de luz em cada região. As duas têm vigor de planta de médio para alto.
Escoamento da produção requer agroindústria próxima ao cultivo
A comercialização dos frutos para polpa ocorre, em geral, diretamente com agroindústrias localizadas próximas às áreas de cultivo, reduzindo custos de frete e garantindo a viabilidade econômica. “Como o maracujá é colhido diariamente por cerca de seis meses do ano nas lavouras paulistas, com muitas entregas ao longo desse período, a proximidade da indústria é essencial para facilitar o escoamento frequente da produção”, comenta o pesquisador do IAC.
Outras opções são as cooperativas regionais e as agroindústrias familiares. Nesse mercado, algumas empresas têm destaque nacional e internacional, com exportação de polpa e suco de maracujá para a Europa e outros mercados.
Além da polpa e do suco, que é aromático e nutritivo, rico em vitamina A, cálcio e fósforo, o maracujá também proporciona o aproveitamento de subprodutos, como cascas e sementes para ração animal, óleos e insumos cosméticos.
A cultura ainda tem uso ornamental pelas belas flores, com cores e formas exuberantes. As flores atraem os insetos polinizadores, que fazem o transporte de grãos de pólen entre as partes feminina e masculina da planta do maracujá. Nesta cultura, as mamangavas são os principais polinizadores. Seu tamanho avantajado beneficia o transporte de pólen em seu dorso. É assim que a flor de uma planta é fecundada com o pólen de outra. A má polinização resulta em frutos de baixa qualidade e parcialmente vazios. Para proteger esses insetos, as pulverizações devem ser feitas pela manhã, antes da abertura das flores e da ação dos polinizadores, que ocorre no período da tarde.
Em regiões onde não há mamangavas disponíveis é necessário adotar a polinização artificial, feita manualmente, que aumenta significativamente a produção das plantas e o peso dos frutos. “Ainda que haja mamangavas na região de plantio, a polinização manual é recomendada para obter altas produtividades, garantindo a rentabilidade da cultura do maracujá”, orienta Hernandes.
O maracujá azedo, espécie chamada Passiflora edulis, representa cerca de 90% dos pomares do Brasil. É também o mais consumido, adotado na fabricação de sucos concentrados, integrais e néctares, além de produtos cosméticos e fitoterápicos. O nome “azedo” se deve à maior acidez em comparação ao maracujá doce, da espécie Passiflora alata.
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