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Safra 26/27: soja ainda cobre custos em MT, mas milho já opera com margem mais apertada

Publicado em 25/08/2026 13:53
Fertilizantes seguem entre os principais vetores de alta; no milho, preços avançam menos do que os custos e mantêm cenário apertado ao produtor

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Os custos de produção da safra 2026/27 seguem pressionando as margens dos produtores de soja e milho em Mato Grosso, segundo novos levantamentos do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Na soja, o custeio foi estimado em R$ 4.323,22 por hectare, alta de 3,39% em relação à safra 2025/26. O movimento é reflexo, principalmente, da valorização dos fertilizantes, estimados em R$ 1.993,21 por hectare. Dentro desse grupo, os macronutrientes chegaram a R$ 1.614,56 por hectare, maior valor projetado para o ciclo.

Considerando produtividade projetada de 62,44 sacas por hectare, o Imea estima que o produtor precisa comercializar a soja a R$ 107,02 por saca para cobrir o Custo Operacional Total (COT), calculado em R$ 6.682,54 por hectare.

O preço médio negociado da soja 2026/27 em julho foi de R$ 111,17 por saca. Com isso, o valor ainda supera o ponto de equilíbrio em R$ 4,15 por saca, mantendo a cultura acima do nível necessário para cobertura dos custos operacionais.

Milho apresenta cenário ainda mais apertado

No milho, o custeio da safra 2026/27 foi estimado em R$ 3.778,76 por hectare em julho, avanço de 0,30% na comparação com junho.

A elevação foi puxada por fertilizantes e corretivos, que subiram 1,14% no período e chegaram a R$ 1.550,19 por hectare. Em contrapartida, defensivos e sementes apresentaram recuos de 0,10% e 0,51%, respectivamente.

O Custo Operacional Total ficou em R$ 6.067,89 por hectare e, considerando a produtividade média das últimas três safras, de 123,83 sacas por hectare, o ponto de equilíbrio foi estimado em R$ 49 por saca.

Já o preço médio negociado do milho 2026/27 em julho ficou em R$ 46,12 por saca, R$ 2,89 abaixo do necessário para cobrir o COT.

O descompasso entre custos e preços também aparece na comparação anual. Segundo o Imea, os preços do milho acumulam alta de 4,67% em relação à safra anterior, enquanto o custeio avançou 13,83%.

“Esse descompasso entre a evolução dos preços e dos custos limita a recuperação das margens, mantendo o cenário mais apertado para o produtor”, destaca o instituto.

A diferença entre as duas culturas mostra que, embora ambas enfrentem pressão de custos, especialmente dos fertilizantes, a situação do milho é mais delicada neste momento. Enquanto a soja ainda apresenta preço médio acima do ponto de equilíbrio calculado pelo Imea, o milho permanece abaixo do nível necessário para cobrir o Custo Operacional Total.

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Por:
Guilherme Dorigatti
Fonte:
Notícias Agrícolas

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