Açúcar ganha força com expectativa de déficit global na safra 2026/27

Projeções de oferta mais apertada, menor produção na Europa e riscos climáticos voltam a sustentar as cotações em Nova Iorque e Londres
Publicado em 01/09/2026 16:02 | Atualizado em 01/09/2026 16:44
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O mercado internacional de açúcar fechou a terça-feira (1º) em forte alta, após a Organização Internacional do Açúcar (ISO) apontar para uma mudança no balanço global da commodity, com a expectativa de déficit na safra 2026/27. O cenário de oferta mais apertada voltou a dar sustentação às cotações nas bolsas de Nova York e Londres.

Em Nova Iorque, o contrato de outubro fechou em alta de 55 pontos, negociado a 18,36 cents por libra-peso. Em Londres, o contrato de outubro avançou 196 pontos, a US$ 534,00 por tonelada.

Déficit global

O principal fator de alta nesta terça-feira foi a nova projeção da Organização Internacional do Açúcar . A entidade estima que o mercado global passe de um superávit de 1,1 milhão de toneladas em 2025/26 para um déficit de 200 mil toneladas em 2026/27.

A mudança ocorre em um cenário de redução esperada da produção mundial. Para 2026/27, a ISO projeta produção de 180,1 milhões de toneladas, queda de 1% em relação à temporada anterior.

A entidade cita, entre os fatores de risco, os possíveis impactos do fenômeno El Niño sobre as lavouras de Índia e Tailândia, importantes produtores mundiais.

Para a temporada 2025/26, porém, a ISO ainda prevê produção recorde de 182 milhões de toneladas, avanço de 3,5% em relação ao ciclo anterior, com superávit estimado em 1,1 milhão de toneladas.

Projeções apontam oferta mais apertada

A estimativa da ISO reforça um movimento que já vinha sendo observado nas últimas semanas. Diferentes consultorias também passaram a projetar um balanço global mais apertado para 2026/27.

A Green Pool Commodity Specialists estima um déficit de 3,2 milhões de toneladas na próxima temporada. Para 2025/26, a consultoria reduziu sua previsão de superávit de 4,93 milhões para 4,85 milhões de toneladas.

A Covrig Analytics passou a projetar déficit de 300 mil toneladas em 2026/27, revertendo uma previsão anterior de superávit de 100 mil toneladas.

Já a StoneX elevou sua estimativa de déficit para 1,7 milhão de toneladas, ante 550 mil toneladas previstos anteriormente.

A Czarnikow também revisou seu balanço, passando de uma expectativa de superávit de 1,4 milhão de toneladas para um déficit de 100 mil toneladas. Entre os fatores considerados está o maior direcionamento da cana brasileira para a produção de etanol em detrimento do açúcar.

Europa também preocupa

Outro ponto de atenção para o mercado é a produção europeia. O Observatório do Mercado de Açúcar da União Europeia informou que a produção do bloco na safra 2026/27 deverá cair 19%, para 13,4 milhões de toneladas.

A redução está relacionada, entre outros fatores, às condições climáticas adversas enfrentadas pelas lavouras de beterraba, com períodos de seca e temperaturas elevadas.

Dados da S&P Global Energy também apontam para uma queda na produção de açúcar da União Europeia e do Reino Unido, que pode chegar a 14,98 milhões de toneladas, o menor nível em 11 anos.

Para 2027/28, a Czarnikow projeta um déficit global ainda maior, de 2,9 milhões de toneladas, diante da redução do plantio de cana-de-açúcar e beterraba. A produção mundial, segundo a empresa, poderia recuar 0,7%, para 177 milhões de toneladas.

Índia permanece no radar

A situação da Índia também segue sendo acompanhada de perto pelos investidores. O país é o segundo maior produtor mundial de açúcar e anunciou, em agosto, a autorização para importar até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto com isenção de impostos até 31 de outubro.

A medida chamou atenção justamente porque a Índia tradicionalmente ocupa uma posição de exportadora e não realiza importações significativas desde a safra 2017/18.

Ao mesmo tempo, os dados climáticos aumentam as incertezas sobre a próxima produção. O Departamento Meteorológico da Índia informou que as chuvas de monção estavam 14% abaixo da média até 31 de agosto. O Ministério de Ciências da Terra do país chegou a alertar que a temporada poderia ser a mais fraca em 11 anos.

Brasil também influencia o mercado

No Brasil, maior produtor mundial de açúcar, a produção também aparece entre os fatores de suporte às cotações.

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) informou no início de agosto que a produção de açúcar no Centro-Sul caiu 26,3% em junho, para 3,903 milhões de toneladas.

Além disso, a relação entre açúcar e etanol continua importante para o balanço mundial. Quando a produção de etanol se torna mais atrativa para as usinas brasileiras, uma parcela maior da cana é direcionada ao biocombustível, reduzindo a oferta de açúcar disponível no mercado.

O mercado também acompanha os possíveis efeitos do El Niño sobre as principais regiões produtoras. O fenômeno tende a alterar o regime de chuvas no Brasil, Índia e Tailândia, aumentando as incertezas sobre a produção das próximas temporadas.

Cotações acumulam forte alta

Com as novas projeções de oferta, os preços do açúcar acumulam forte valorização ao longo do último mês.

O açúcar em Nova York atingiu na sexta-feira passada o maior valor em cerca de 16,5 meses, enquanto Londres alcançou na semana anterior o maior patamar em aproximadamente 17 meses.

Apesar de correções pontuais, o mercado continua encontrando sustentação nas perspectivas de uma oferta mundial mais restrita para 2026/27.


 

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