El Niño deve ganhar força e persistir até fevereiro de 2027, alerta ONU

OMM aponta chance próxima de 100% de continuidade do fenômeno e prevê impactos sobre temperaturas, chuvas, secas e eventos extremos nos próximos meses
Publicado em 03/09/2026 11:56

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O El Niño deve se intensificar nos próximos meses e permanecer atuando até fevereiro de 2027, segundo a nova atualização da Organização Meteorológica Mundial (OMM), divulgada nesta quinta-feira (3). A entidade, ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), aponta uma probabilidade excepcionalmente alta, próxima de 100%, de continuidade do fenômeno até o início do próximo ano.

A avaliação também indica que o El Niño pode atingir uma intensidade muito forte, com efeitos importantes sobre os padrões de temperatura e chuva em diferentes partes do mundo. 

Segundo a OMM, o aquecimento das águas do Pacífico Equatorial central e oriental, principal característica do fenômeno, já está bastante acima da média e segue avançando. Entre maio e julho, as temperaturas da superfície do mar ficaram, em média, 1,5°C acima do normal. Em julho, a diferença chegou a 2°C e, entre o fim daquele mês e meados de agosto, foram registradas áreas com temperaturas entre 2,2°C e 2,6°C acima da média.

O aquecimento também é observado abaixo da superfície do oceano, onde algumas áreas apresentaram temperaturas mais de 0,8°C superiores à média durante julho e no início de agosto.

Chuva e temperatura no radar

Para o período entre setembro e novembro, a OMM prevê maior probabilidade de temperaturas acima da média na maior parte das áreas continentais do planeta. A organização também projeta alterações no regime de chuvas compatíveis com a resposta atmosférica esperada durante um El Niño de forte intensidade.

A entidade ressalta, porém, que os efeitos do fenômeno não são iguais em todas as regiões. A atuação de outros sistemas climáticos pode modificar a resposta de cada localidade, fazendo com que algumas áreas enfrentem maior risco de chuva excessiva, enquanto outras podem sofrer com períodos mais secos e quentes.


Historicamente, episódios de El Niño estão associados ao aumento do risco de seca e incêndios em determinadas áreas da Amazônia, América Central, Indonésia e Austrália. O fenômeno também pode alterar o comportamento das monções na Índia e provocar chuvas mais intensas em partes da África Oriental.

ONU alerta para avanço dos extremos

O secretário-geral da ONU, António Guterres, destacou que o fortalecimento do El Niño ocorre em um cenário de temperaturas globais já elevadas e de maior frequência de eventos extremos.

"O El Niño está se intensificando diante de nossos olhos", afirmou Guterres, ao reforçar a necessidade de preparação para os impactos do fenômeno.

A OMM também destaca que o El Niño é um fenômeno natural, que normalmente ocorre em intervalos de dois a sete anos. O aquecimento das águas do Pacífico altera os padrões de circulação atmosférica e pode provocar mudanças no comportamento das chuvas e das temperaturas em diferentes regiões do planeta.

O fenômeno também se soma ao aquecimento provocado pelas atividades humanas, o que pode contribuir para agravar a intensidade de determinados eventos extremos.

2027 pode registrar novo recorde de calor

Outro ponto de preocupação está nos efeitos do El Niño sobre as temperaturas globais. O calor acumulado nos oceanos durante o fenômeno tende a ser transferido para a atmosfera, elevando a temperatura média do planeta.

Com isso, pesquisadores já consideram a possibilidade de 2027 ficar entre os anos mais quentes já registrados, podendo superar marcas anteriores. Até o momento, 2024 permanece como o ano mais quente da série histórica, também sob influência de um forte episódio de El Niño.
 

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