Duplicação da BR-282 e ferrovia lideram pleitos do Oeste catarinense entregues a candidatos no Voz Única
Entre 2018 e 2025, mais de 3 mil pessoas ficaram feridas na BR-282, no trecho que atravessa o Oeste catarinense. O número de feridos cresceu 32% no período, com destaque para os casos graves, que subiram 56%. A duplicação da rodovia, com a inclusão do elevado no trevo de Irani, abre a lista de seis prioridades que a região apresentou a candidatos a deputado federal e estadual nesta quarta-feira (2/9), em Chapecó, durante o roadshow Voz Única 2026, promovido pela Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc).
O encontro, no Auditório do Sicoob, reuniu lideranças das 18 associações empresariais da regional e integra um circuito que passa por 12 regiões catarinenses até 17 de setembro. Ao todo, o Voz Única reúne 1.217 pleitos construídos a partir de mais de 29 mil votos de empresários do sistema Facisc, distribuídos entre as 12 vice-presidências regionais da entidade.
Para o vice-presidente regional da Facisc no Oeste, Vilson Piccoli, o levantamento nasce da escuta direta ao empresariado local. “Fomos em busca do que nosso empresário acredita que nossa região precisa para crescer.”
Piccoli lembrou que parte das demandas de edições anteriores já avançou e cobrou dos candidatos presentes um compromisso com a pauta regional. “Muitas das demandas listadas em 2022 tiveram êxito. Esperamos que vocês que estão aqui se elejam e tragam recursos para o nosso Oeste. Quem sabe, se brigarmos todos juntos, a gente consegue.”
Seis prioridades do Oeste
1. Duplicação da BR-282, com elevado no trevo de Irani
A rodovia concentra o maior volume de reivindicações da regional. Dados da Polícia Rodoviária Federal e do Centro de Inteligência Econômica da Facisc apontam 472 feridos em 2025 no trecho que corta o Oeste, ante 357 em 2018, alta de 32%. A Regional Oeste soma 5.490 feridos entre 2015 e 2025, volume que a coloca entre as seis regionais com mais vítimas em rodovias federais do Estado.
2. Corredor ferroviário entre o Oeste e os portos
O pleito responde a um gargalo logístico que já limita a competitividade das cadeias de aves e suínos, setores em que Santa Catarina atua como player global e que estão concentrados no Oeste. As exportações catarinenses de carne de aves cresceram 400% desde 2000, e as de carne suína, quase 2.000%, mas dependem do transporte rodoviário para escoar a produção e importar grãos do Centro-Oeste. Mais de 63% das rodovias estaduais e federais avaliadas pela Confederação Nacional do Transporte estão em condições precárias, o que resulta em custo operacional 30% mais alto para as transportadoras. A crise de mão de obra agrava o cenário: o número de motoristas habilitados para caminhão caiu mais de 40% em dez anos em Santa Catarina, e 60% dos que seguem habilitados têm mais de 60 anos.
3. Revitalização da SC-283, entre Concórdia e São Carlos
A rodovia estadual tem classificação geral ruim, com pavimentação e geometria na pior faixa da avaliação da CNT. Entre 2015 e 2025, a via registrou mais de 3 mil acidentes, média de 274 por ano, com maior concentração de ocorrências no trecho próximo a Concórdia.
4. Ampliação da estrutura tecnológica e do efetivo de segurança pública Levantamento do Ministério da Justiça e Segurança Pública mostra 5 mil vítimas de crimes violentos na regional entre 2015 e 2025, média de 400 por ano. Os suicídios foram o indicador que mais cresceu na última década, com alta de 183%, seguidos pelas tentativas de homicídio, que subiram 26%. Até junho de 2026, a região já contabilizava 6 vítimas de feminicídio, número próximo ao total registrado em todo o ano de 2025 (7 vítimas).
5. Ampliação e modernização da infraestrutura energética
O Oeste é a 4ª regional em consumo industrial de energia elétrica de Santa Catarina, com 8,5% do total do Estado, segundo a Celesc. O consumo cresceu 41% na última década, um dos maiores avanços estaduais, e o número de unidades consumidoras da indústria aumentou 79% no mesmo período, também o 4º maior salto do Estado. O ritmo de expansão industrial pressiona uma rede ainda limitada pela falta de trifásico em parte do território e pela carência de novas subestações.
6. Expansão do Aeroporto Serafim Enoss Bertaso
O terminal de Chapecó ultrapassou Joinville na última década e hoje é o terceiro maior aeroporto de Santa Catarina em fluxo de passageiros. Em 2025, o aeroporto bateu recorde histórico, com 643,3 mil passageiros, o terceiro ano seguido acima da marca de 600 mil. O crescimento de 47% no período reforça a necessidade de investimento em tecnologia de navegação aérea de alta precisão, apontada como prioridade pelo setor produtivo.
Voz Única 2026
Na edição 2026 do Voz Única, a regional levou 108 pleitos ao processo de votação, 48 já constavam no levantamento de 2022 e 60 são novos, em uma consulta que reuniu com votos de associados.
O presidente da Facisc, Elson Otto, classificou o Voz Única como o principal programa de representatividade empresarial do Estado. “A partir da visão e da escuta permanente da classe empresarial, conseguimos unir o que o setor produtivo considera prioritário para o desenvolvimento econômico: geração de emprego, melhoria do ambiente de negócios e melhoria da qualidade de vida da população. Não é uma lista de queixas, é um mapa de oportunidades. Quem souber executar vai governar e legislar melhor. Quando as associações empresariais e os líderes políticos andam juntos, a cidade cresce, o Estado se fortalece e o Brasil prospera. É um compromisso com o desenvolvimento.”
O diretor do Voz Única, Milvo Zancanaro, explicou que a entrega segue uma metodologia construída ao longo de dois anos. “O Voz Única é uma construção coletiva. Chegamos aqui, mas o caminho, além de árduo, foi construído pelas mãos dos empresários e dos líderes das nossas associações, com muito planejamento, há mais de dois anos começou essa construção. No primeiro momento, ouvimos; depois, planejamos; agora é cobrar e monitorar; para, além de tudo, dar as mãos para transformar.”
Oeste em dados
A regional responde por 8% do Produto Interno Bruto catarinense, com PIB estimado em R$ 45 bilhões, a 4ª maior economia do Estado. Os 692,1 mil habitantes representam a 5ª maior população de Santa Catarina, e as 106,9 mil empresas ativas colocam o Oeste na 4ª posição em número de CNPJs. O território soma 231,9 mil empregos formais (4ª maior marca estadual), arrecada R$ 6,7 bilhões em tributos federais (4º lugar) e responde por R$ 1,6 bilhão em ICMS (5º lugar).
Compromisso permanente
O presidente do Conselho Superior da Facisc, Sérgio Rodrigues Alves, reforçou o caráter contínuo do movimento. “É importante ter essa fotografia de cada região para ajudar os deputados estaduais e federais, mas, além disso, queremos estar próximos de todos vocês e, juntos, termos, como o próprio nome diz, uma voz única.”
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