Milho recua em Chicago nesta sexta-feira, mas CBOT e B3 encerram a semana com ganhos

Queda externa acompanhou o trigo com redução do prêmio de risco, enquanto no Brasil demanda doméstica segue dando suporte e produtores aguardam preços mais elevados
Publicado em 04/09/2026 15:57 | Atualizado em 04/09/2026 16:56

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A sexta-feira (4) terminou com movimentações negativas para os preços internacionais do milho futuro na Bolsa de Chicago (CBOT), mas os contratos ainda encerraram com leves ganhos a semana que marcou a passagem de agosto para setembro. 

Segundo a análise da Agrinvest, as quedas de hoje acompanharam diretamente o recuo registrado pelo trigo, diante da redução das tensões e da expectativa de um possível acordo entre Rússia e Ucrânia, o que diminuiu o prêmio de risco e pressionou os dois cereais na CBOT. 

“As perdas do milho, porém, encontram suporte no clima quente persistente em importantes regiões produtoras do Centro-Oeste dos Estados Unidos”, acrescentam os analistas da consultoria. 

O vencimento setembro/26 foi cotado a US$ 5,12 com baixa de 3,25 pontos, o dezembro/26 valeu US$ 5,36 com desvalorização de 4 pontos, o março/27 foi negociado por US$ 5,52 com queda de 3,75 pontos e o maio/27 teve valor de US$ 5,59 com perda de 3,50 pontos. 

Esses índices representaram quedas, com relação ao fechamento da última quinta-feira (3), de 0,63% para o setembro/26, de 0,74% para o dezembro/26, de 0,67% para o março/27 e de 0,62% para o maio/27. 

Já no acumulado semanal, os contratos do cereal norte-americano registraram leves ganhos de 0,05% para o dezembro/26, de 0,18% para o março/27 e de 0,49% para o maio/27, além de estabilidade para o setembro/26, com relação ao fechamento da última sexta-feira (28). 

variação semanal milho cbot

Mercado Interno 

Já na Bolsa Brasileira (B3), os preços futuros do milho finalizaram o pregão desta sexta-feira com movimentações pequenas e muito próximas da estabilidade, mas também acumularam valorizações semanais para as principais posições da curva. 

“O clima quente persistente e as crescentes preocupações em relação aos possíveis impactos de um Super El Niño seguem dando suporte às cotações”, destaca Agrinvest. 

Para o mercado físico, a consultoria aponta que a semana foi marcada por ofertas pontuais e menor volume de negócios, enquanto o produtor segue na expectativa de preços mais elevados. 

Para além das movimentações do dia, Luiz Fernando Gutierrez, coordenador de inteligência de mercado da HeadPoint, destaca que o mercado brasileiro segue encontrando suporte em uma demanda doméstica aquecida, especialmente por parte das usinas de etanol e indústrias que buscam cobertura de milho até o final do ano. 

Segundo Gutierrez, a melhora dos preços nas últimas semanas também fez o produtor voltar a aparecer um pouco mais no mercado, principalmente para negociar o milho disponível da segunda safra de 2026. As vendas da safra de 2027, por outro lado, seguem lentas, diante de preços menos atrativos e das incertezas sobre a janela de plantio da próxima safrinha. 

O analista também chama atenção para os riscos nas exportações. Apesar de o Brasil entrar no período de maior intensidade dos embarques, Gutierrez avalia que a demanda externa ainda pode frustrar expectativas, especialmente diante das incertezas envolvendo o Irã e da maior competitividade da Argentina no mercado internacional. 

Confira como ficaram todas as cotações nesta sexta-feira 

O vencimento setembro/26 foi cotado a R$ 71,80 com queda de 0,07%, o janeiro/27 valeu R$ 81,10 com perda de 0,37%, o março/27 foi negociado por R$ 83,16 com desvalorização de 0,28% e o maio/27 teve valor de R$ 81,40 com alta de 0,02%. 

No acumulado semanal, os preços do cereal brasileiro registraram ganhos de 0,49% para o setembro/26, de 0,12% para o janeiro/27, de 0,18% para o março/27 e de 0,48% para o maio/27. 

variação semanal milho b3

No mercado físico o preço da saca de milho se movimentou pouco neste último dia da semana. O levantamento realizado pela equipe do Notícias Agrícolas identificou valorizações apenas em Machado/MG e Sorriso/MT. 

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