Com mercado aquecido, comercialização da soja 26/27 do Brasil chega a 29,1% e supera média
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A última semana foi marcada por uma intensa movimentação no mercado da soja tanto na Bolsa de Chicago, quanto no mercado nacional, trazendo um cenário bastante otimista para o produtor brasileiro. Com os preços registrando altas significativas e encerrando o período com referências bem mais atrativas, as negociações ganharam um fôlego renovado, especialmente aquelas da safra 2026/27. O ritmo mais ágil na comercialização antecipada, como há algumas safras não se via, é reflexo direto de um mercado externo aquecido, puxado pela forte valorização dos cereais nas bolsas internacionais e por cenários macroeconômico e geopolítico de alerta.
Dados compilados pela SAFRAS & Mercado apontam que, até o dia 4 de setembro, o Brasil já havia comercializado 29,1% de toda a produção esperada para o ciclo 2026/27. Em termos absolutos, isso significa que um volume teórico de 52,42 milhões de toneladas já comprometidas, de uma safra nacional que tem potencial para alcançar 180,08 milhões de toneladas.
O volume supera a comercialização no mesmo período do ciclo anterior - 2025/26 -, quando o índice de vendas estava em 20,2%, e a média histórica das últimas cinco safras, de 22,7%. Ou seja, o produtor está visivelmente mais adiantado em suas margens de travamento neste ano.
"Hoje, os movimentos de preços da safra nova são bem interessantes. Já é muito melhor do que o da safra passada e mesmo nos comparativos com este ano. A tendência é que tenhamos preços melhores, a questão vai ficar sobre a produção e, mais especificamente, a produtividade", explica o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira. "Podemos ter uma Bolsa de Chicago que teste patamares um pouco mais altos, a depender do tamanho da safra americana e, principalmente, depois, do avanço da safra da América do Sul".
Ao analisar o comportamento regional, o Centro-Oeste e o Matopiba despontam como os grandes motores dessa antecipação. O estado do Mato Grosso, líder na produção de soja no país, já comprometeu 41% da sua safra futura, o que se traduz em mais de 20,5 milhões de toneladas negociadas antes mesmo do plantio ganhar força total. E as chuvas chegam ao estado de forma significativa nos últimos dias, permitindo um bom início dos trabalhos de campo com o fim do vazio sanitário em 6 de setembro.
Prorcionalmente, o estado do Tocantins lidera a corrida nacional, com 42% de sua produção já comercializada. Outros estados da fronteira agrícola do Nordeste também mostram um apetite forte pelas vendas, com o Piauí registrando 36% e o Maranhão atingindo 35%.
"Nós estamos vendo uma postura mais estratégica do ponto de vista do produtor. O avanço hoje nos custos de produção, para fechar custos de produção, eu diria que é essencial. Então, estamos em um timing interessante pelos preços. Depois, não precisa ser tão agressivo na comercialização, é preciso ver o potencial produtivo. Não dá para o produtor fazer muitos contratos porque ele não pode comprometer muito sua produção sem saber lá na ponta como vai ser", complementa Silveira.
Por outro lado, o ritmo das negociações caminha a passos mais cautelosos na região Sul do país, um comportamento histórico devido às incertezas climáticas que frequentemente rondam a região. O Rio Grande do Sul aparece com apenas 15% da sua safra de mais de 21 milhões de toneladas comprometida até o momento, enquanto Santa Catarina registra 16%. Esses números indicam que os produtores sulistas preferem aguardar o desenvolvimento das lavouras para avançar com maior agressividade nas vendas.
O analista afirma que é sim momento do produtor, portanto, aproveitar os preços, porém, depois dar uma "pisadinha no freio" para observar o desenvolvimento da sua safra, "esperando também o mercado se desenvolver. Não seria nada utópico, com uma oferta mais apertada, termos um porto trabalhando na casa de R$ 170,00 por saca, pode ser que o mercado chegue nestes níveis, vai depender de quanto o El Niño pode acometer essa safra", diz.
Nesta sexta-feira (4), os futuros da soja terminaram o pregão em queda na Bolsa de Chicago, mas ainda assim o acumulado semanal é positivo. O contrato novembro saltou 1,6% e fechou com US$ 12,93 - depois de ter se mantido acima dos US$ 13,00 por boa parte da semana -, enquanto o março foi a US$ 13,30, com uma alta semanal de 1,8%.
Assim, foi esse movimento - ao lado do câmbio - que ajudou a soja a terminar a semana nos portos acima dos R$ 150,00 por saca e com os produtores mais otimistas.
BONS NEGÓCIOS TAMBÉM NA SAFRA VELHA
Além do forte apetite pelas negociações futuras, o mercado também acelerou o escoamento da safra 2025/26, que já se encontra em sua reta final de comercialização. De acordo com o mesmo levantamento da SAFRAS & Mercado referente a setembro de 2026, 88,7% da produção nacional do ciclo 25/26 já foi negociada. Esse percentual corresponde a um volume robusto de 158,16 milhões de toneladas comprometidas, de uma safra total estimada em 178,34 milhões de toneladas.
O ritmo atual mostra que o produtor aproveitou as janelas de preços, superando tanto o índice do mesmo período do ano passado, que era de 84,1%, quanto a média das últimas cinco safras, fixada em 86,4%. Para a soja disponível, asemana termina com portos acima dos R$ 160,00 por saca.
Regionalmente, a safra 2025/26 já está praticamente "vendida" em vários estados do Centro-Norte. O Tocantins e o Piauí lideram o ranking de escoamento, com 98% de suas produções já negociadas. Logo atrás, o Maranhão (97%) e a Bahia (96%) confirmam a liquidez da região do Matopiba. O Mato Grosso também registra 96% de comercialização, o que significa que 47,85 milhões de toneladas já saíram das mãos dos produtores.
No Sul do Brasil, embora os números absolutos sejam expressivos, o percentual de vendas da safra 25/26 é um pouco mais contido em relação à média nacional. O Paraná já comercializou 83% da sua safra, enquanto Santa Catarina registra 80%. O Rio Grande do Sul apresenta o menor índice de comprometimento do país para o ciclo, com 69% da sua produção negociada (cerca de 13,96 milhões de toneladas), indicando que os produtores gaúchos ainda retêm um volume considerável de grãos à espera de melhores oportunidades no mercado físico.
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