Milho ganha peso no planejamento da soja em MT e produtor busca antecipar plantio para preservar janela da safrinha

Margens melhores para o cereal, apoiadas pelo avanço da demanda de etanol, levam produtores da região da BR-163 a buscar ciclos mais curtos de soja e uma janela mais favorável para 2027
Publicado em 09/09/2026 10:12

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O avanço do consumo de milho pelas usinas de etanol em Mato Grosso começa a produzir uma consequência que vai além da comercialização do cereal. Com o milho ganhando importância na composição das margens das propriedades, produtores da região da BR-163 estão ajustando decisões sobre a própria safra de soja para preservar uma janela mais favorável à segunda safra.

A estratégia passa pela tentativa de antecipar o plantio da soja 2026/27 e também pela escolha de cultivares de ciclos mais curtos, conforme explicou Gilberto Leal, Head of Commodities da Granel Corretora.

“Essa antecipação da janela da soja tem uma relação direta com a segunda safra”, afirma Leal. Segundo ele, produtores vêm buscando organizar o calendário da primeira safra para aumentar as possibilidades de semear o milho dentro de uma janela considerada mais favorável.

O movimento ocorre em um momento de maior importância econômica do cereal dentro das propriedades, especialmente no corredor da BR-163, onde se concentra parte relevante das indústrias de etanol de milho do estado.

Na avaliação de Leal, o milho vem entregando margens melhores aos produtores da região e, por isso, passou a ter maior peso nas decisões tomadas ainda durante o planejamento da soja.

“Até nas escolhas das suas variedades de soja, de semente, tem diminuído o ciclo”, destaca. O objetivo é antecipar a retirada da soja do campo e ampliar o período disponível para implantação da segunda safra. Nos grandes grupos produtores, uma lógica semelhante também aparece na busca por preservar a janela do algodão.

A expansão da indústria de etanol ajuda a dimensionar essa mudança. Para a safra 2026/27, o Imea projeta consumo interno de 27,04 milhões de toneladas de milho em Mato Grosso, avanço de 16,23% na comparação com o ciclo anterior. Segundo o instituto, o crescimento está ligado à abertura de novas usinas de etanol de milho e à ampliação da capacidade das unidades já existentes.

Esse consumo mais forte também aparece no mercado neste momento. Luiz Fernando Gutierrez, coordenador de Inteligência de Mercado da Hedgepoint, destacou ao Notícias Agrícolas que as usinas e outras indústrias estão ativas nas compras para cobertura até o final do ano, ajudando a sustentar as cotações domésticas do milho.

Segundo Gutierrez, a melhora dos preços voltou a estimular negociações da safra disponível. Para o milho que será colhido em 2027, porém, as vendas antecipadas ainda avançam lentamente.

Uma das razões é justamente a indefinição sobre a janela da segunda safra. Muitos produtores aguardam o desenvolvimento do plantio da soja antes de assumir compromissos maiores de venda, já que o calendário da oleaginosa vai ajudar a determinar quanto milho poderá ser semeado dentro da janela desejada.

Assim, uma transformação que começou pelo aumento da capacidade de processamento de milho dentro de Mato Grosso passa a aparecer também no planejamento agrícola. Ao ampliar a demanda recorrente pelo cereal e melhorar as alternativas de comercialização, o avanço do etanol aumenta o valor econômico da segunda safra e faz com que decisões sobre o milho de 2027 comecem a ser tomadas ainda durante o plantio da soja de 2026.

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