Petróleo volta aos US$ 100 com choques geopolíticos e puxa soja e grãos em Chicago

Com soja consolidada acima dos US$ 13,00, momento segue forte para vendas da safra 2026/27. Safra disponivel vai ficando escassa, também sobe e ajuda a puxar também a safra nova.
Publicado em 09/09/2026 11:02 | Atualizado em 09/09/2026 12:07
Eduardo Vanin

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O mercado internacional de grãos opera em ritmo de cautela e volatilidade, impulsionado pela escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio e pela expectativa em torno do novo relatório de oferta e demanda do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). Em entrevista ao programa Bom Dia Agronegócio, o analista e estrategista sênior da Marex, Eduardo Vanin, detalhou os fatores que estão desenhando as cotações da soja em Chicago e os reflexos diretos para a cadeia produtiva no Brasil.

Tensões geopolíticas, petróleo e risco inflacionário

O cenário macroeconômico global voltou a ser pressionado pela instabilidade no Oriente Médio, com atenção voltada ao Estreito de Ormuz e aos conflitos no Mar Vermelho envolvendo os rebeldes Houthi. De acordo com Eduardo Vanin, a restrição de dados de satélite comerciais imposta pelos Estados Unidos ampliou a incerteza quanto à movimentação marítima na região, elevando o prêmio de risco sobre os combustíveis.

Com a cotação do petróleo voltando a testar patamares próximos de US$ 100 por barril, reacendem-se os temores de inflação persistente nas principais economias. "A inflação global está batendo na porta de todo mundo. Os juros altos impactam o varejo, provocam recuperações judiciais e também atingem o agronegócio de forma direta", alertou Vanin.

Margens de esmagamento e o descompasso dos derivados

Durante a entrevista, foi abordada a pressão sobre as margens das indústrias processadoras, tanto no mercado asiático quanto no cenário doméstico brasileiro. Vanin explicou que há uma distorção relevante entre os preços do grão e dos subprodutos (óleo e farelo).

Na China, embora notícias apontem margens comprimidas, o analista destacou que as estatais mantêm estoques confortáveis decorrentes de compras passadas dos Estados Unidos, enquanto as indústrias privadas operam com estoques reduzidos de soja sul-americana. Ele ressaltou que o pico de estoques nos portos chineses já ficou para trás, sendo inferior ao registrado no ano anterior, o que tende a forçar ajustes graduais na demanda e nos preços de farelo naquele país.

Já no Brasil, o setor de esmagamento enfrenta um gargalo de rentabilidade. O analista pontuou que o farelo brasileiro se tornou o mais caro do mundo no porto, puxado pelo alto custo do grão disponível no mercado interno. Ao mesmo tempo, a indefinição governamental sobre o cronograma de aumento da mistura do biodiesel gerou excesso de oferta de óleo de soja sem a devida vazão. "O crush cresceu, gerou-se excedente de óleo e biodiesel, e a equação não fecha. O biodiesel e o esmagamento vêm dando prejuízo, o que obriga a indústria a desacelerar o ritmo de processamento", afirmou.

Chicago esticado e o fator surpresa do USDA

Em relação à Bolsa de Chicago, os contratos futuros, que chegaram a superar o patamar de US$ 13,40 por bushel em meio a compras técnicas e especulativas nesta terça-feira (8), contudo, Vanin adverte que o mercado de soja e milho se encontra "esticado" e vulnerável a correções.

A proximidade da divulgação do relatório mensal do USDA exige atenção redobrada. Vanin destacou que revisões de produtividade e possíveis alterações em área cultivada nos Estados Unidos podem alterar subitamente o sentimento dos investidores.

Recomendação estratégica para o produtor brasileiro

Apesar dos riscos globais, o analista frisou que o momento atual representa uma excelente janela comercial para o produtor rural brasileiro, especialmente na negociação da safra futura. A valorização da safra remanescente, somada à sustentação dos prêmios de exportação para embarques do início do ano, tem puxado as cotações futuras para patamares rentáveis.

"Para quem precisa honrar compromissos financeiros e pagar contas da safra até abril, este é um momento muito favorável. No Mato Grosso, já tivemos negócios acima de US$ 23 a saca para a safra nova", destacou Vanin. Ele recomendou prudência quanto à estratégia de vendas lineares e enfatizou a necessidade de travar margens quando os preços atingem níveis atrativos: "Fazer média não é vender picadinho o ano inteiro; fazer média é aproveitar com firmeza as boas janelas de oportunidade que o mercado oferece".

*Com auxílio de IA

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