Petróleo Brent supera US$100 à medida que conflito no Oriente Médio se intensifica
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Por Arathy Somasekhar
HOUSTON, 9 Set (Reuters) - Os contratos futuros do petróleo Brent ultrapassaram os US$100 por barril nesta quarta-feira pela primeira vez desde o final de julho, à medida que o Irã e os EUA atacaram petroleiros na maior onda de ataques à navegação desde o início da guerra, ameaçando agravar a atual interrupção no abastecimento de energia proveniente do Oriente Médio.
O primeiro contrato do Brent subia cerca de US$3,50, ou 3,5%, para US$101,36 o barril por volta das 12h40 (horário de Brasília), após atingirem máxima de US$101,55.
O petróleo West Texas Intermediate (WTI) dos EUA avançava no mesmo horário US$3,4, ou 3,65%, para US$96,43 por barril, oscilando perto do maior nível desde o início de junho.
Desde o final de maio, os preços de referência do petróleo têm sido negociados, em geral, bem abaixo do limiar psicológico de US$100 por barril, refletindo as expectativas de que o conflito permaneceria em um nível moderado.
O otimismo aumentou, em particular, depois que os EUA e o Irã chegaram a um acordo temporário para cessar os ataques, embora um pacto de paz permanente não tenha sido alcançado.
Essa avaliação vem mudando recentemente com a retomada dos ataques. O Irã informou na quarta-feira que havia atacado dez navios perto do Estreito de Ormuz, e os EUA afundaram cinco petroleiros iranianos, em uma forte escalada da guerra que já dura seis meses.
"O movimento em direção aos US$100 do Brent -- e o retorno acima desse patamar -- reflete um mercado que, cada vez mais, precisa rever sua visão sobre por quanto tempo a crise no Oriente Médio continuará a restringir a oferta da região", disse Ole Hansen, chefe de estratégia de commodities do Saxo Bank.
Os preços dos futuros estão se aproximando dos mercados físicos de petróleo e combustíveis, onde a realidade da oferta restrita tem sido evidente durante a maior parte do conflito.
Desde o início da guerra no Irã, em 28 de fevereiro, o Brent chegou a atingir US$126,41 por barril -- pico alcançado em 30 de abril --, mas havia atingido os US$100 por barril apenas brevemente no final de julho, após recuar para abaixo desse patamar no final de maio.
Os contratos caminhavam para suas maiores altas diárias em termos percentuais desde 1º de setembro.
RISCOS DE OFERTA AUMENTAM
Os volumes de transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz permanecem bem abaixo de seu pico pré-guerra. Essa artéria era responsável pelo trânsito de cerca de um quinto do abastecimento mundial de petróleo e gás, tornando-se fundamental para o comércio mundial de energia.
"Os fundamentos de curto prazo mudaram repentinamente para uma oferta muito mais restrita, e os ataques recíprocos entre os EUA e o Irã parecem agora ser uma constante, com qualquer chance de um acordo de paz ficando cada vez mais distante", disse Dennis Kissler, vice-presidente sênior de operações da BOK Financial.
A atividade durante a madrugada mais uma vez levanta preocupações quanto à tentativa de utilizar o estreito. Seis navios de carga passaram pelo estreito na terça-feira, uma queda em relação aos nove do dia anterior e abaixo da média de dez dias, que é de cerca de 12, segundo dados preliminares da Kpler sobre o tráfego marítimo.
Na semana anterior à retomada dos combates em 30 de agosto, cerca de 8 a 9 milhões de barris por dia haviam passado pelo Estreito de Ormuz, o dobro do volume da semana anterior, segundo Claudio Galimberti, economista-chefe da Rystad Energy. Mais recentemente, os fluxos caíram para menos de 2 milhões de bpd.
Um petroleiro que transportava cerca de 2 milhões de barris de óleo combustível iraquiano foi atingido por um drone em águas territoriais iraquianas na quarta-feira, informaram autoridades portuárias, enquanto a UKMTO, agência ligada à Marinha britânica, relatou que vários navios mercantes no Golfo haviam sido atingidos por disparos incapacitantes durante a madrugada.
Um tripulante morreu em um incidente envolvendo o petroleiro de produtos petrolíferos Hercules Star, com bandeira de Gibraltar, enquanto estava ancorado ao largo de Dubai, informou na quarta-feira a Peninsula, empresa que fretou a embarcação.
"O principal risco é se os recentes ataques a petroleiros levarão a uma redução nas transferências de navio para navio no Golfo de Omã, que até agora têm desempenhado um papel fundamental no abastecimento de petróleo aos mercados globais e na contenção dos preços", disse Hamad Hussain, economista sênior especializado em clima e commodities da Capital Economics.
COMBUSTÍVEIS E PETRÓLEO BRUTO FÍSICO JÁ ACIMA DE US$100
No mercado físico de petróleo, o Brent, referência cujo preço é usado para cerca de dois terços da oferta, está acima de US$100 por barril desde 3 de setembro, de acordo com dados da LSEG.
Os mercados físicos de petróleo, vinculados a entregas mais imediatas do que os contratos futuros -- que normalmente começam com um mês de antecedência --, reagem rapidamente a interrupções no abastecimento, já que os compradores precisam entrar no mercado rapidamente para buscar cargas alternativas.
Enquanto isso, os consumidores vêm pagando o equivalente a mais de US$100 por barril pelo petróleo na forma de combustíveis refinados, como gasolina e diesel, durante a maior parte deste ano, já que os conflitos criaram uma crise global de refino que fez os preços dos combustíveis dispararem, mesmo em relação ao petróleo bruto. Os preços da gasolina nos EUA estão atualmente em média em US$4,22 por galão, enquanto os preços do diesel estão em nível recorde, aproximando-se de US$6 por galão.
Os mercados europeus de combustíveis continuam extremamente restritos, com os futuros do diesel próximos de US$200 por barril e margens de refino recordes impulsionadas por interrupções no abastecimento provenientes do Estreito de Ormuz e da Rússia, levando os preços dos combustíveis a máximas históricas na Europa e nos Estados Unidos.
AMEAÇAS NO MAR VERMELHO
Nesta semana, ataques dos houthis, apoiados pelo Irã, a instalações energéticas sauditas também incendiaram instalações petrolíferas, ameaçando uma expansão significativa do conflito.
"Os ataques houthis às instalações de energia sauditas ampliaram ainda mais a ameaça, gerando preocupações de que a interrupção possa se espalhar além do abastecimento iraniano, atingindo a infraestrutura e as rotas alternativas que têm ajudado a manter o fluxo de petróleo bruto do Golfo", disse Daniela Hathorn, analista sênior de mercado da Capital.com.
Os ataques ameaçam os embarques de petróleo bruto pelo Mar Vermelho, que tem sido uma rota alternativa fundamental ao Estreito de Ormuz.
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