Dólar fecha em alta no Brasil com acirramento das tensões no Oriente Médio
![]()
Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 9 Set (Reuters) - O dólar fechou a quarta-feira em alta ante o real, em uma sessão marcada pelo acirramento da guerra no Oriente Médio, enquanto no Brasil os investidores estiveram atentos aos desdobramentos da crise no Supremo Tribunal Federal (STF).
O dólar à vista encerrou a sessão com alta de 0,44%, a R$5,1114. No ano, a divisa passou a acumular queda de 6,88%.
Às 17h09, o dólar futuro para outubro -- atualmente o mais negociado no mercado brasileiro -- subia 0,43% na B3, aos R$5,1350.
O dólar havia cedido ante o real em cinco das seis sessões anteriores, influenciado pelo avanço do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas pesquisas eleitorais mais recentes, ainda que ele permaneça em empate técnico com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pelo Planalto.
Por trás do movimento está a percepção de parte do mercado de que a saída de Lula da Presidência seria um fator favorável ao ajuste fiscal.
Nesta quarta-feira, no entanto, o dia foi de certa recomposição de posições em dólar após os recuos mais recentes.
Pela manhã, o ministro do STF Flávio Dino determinou a reintegração de Andrei Passos Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal, um dia após o colega da corte, André Mendonça, ter ordenado o afastamento dele do cargo. Leandro Almada, diretor de Inteligência da PF afastado por Mendonça, também foi reintegrado.
Mendonça está no centro de uma disputa com o ministro do STF Alexandre de Moraes no âmbito do inquérito do Banco Master. Moraes, por sua vez, é um dos principais alvos de Flávio na disputa eleitoral com Lula.
No exterior, as atenções se voltaram novamente para o Oriente Médio. O Irã informou nesta quarta-feira ter atacado dez navios no Estreito de Ormuz, depois que os EUA afundaram cinco petroleiros iranianos. Já o presidente norte-americano, Donald Trump, opinou que a guerra com o Irã irá terminar apenas depois das eleições norte-americanas de novembro, já que Teerã estaria tentando influenciar a votação.
Neste cenário, o petróleo Brent superou os US$100 o barril e os rendimentos dos Treasuries avançaram, em meio às preocupações com o efeito inflacionário da guerra.
Nos mercados de moedas, o dólar ganhou força ante o real e outras divisas de países emergentes, como o rand sul-africano, a rupia indiana e o peso chileno.
“Novos ataques no Golfo Pérsico levam o petróleo para cima com força, reacendendo o temor de pressão inflacionária global às vésperas de decisões de política monetária na zona do euro, no Japão e nos EUA”, disse Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, em comentário escrito.
“Parte do movimento (do dólar) também reflete um ajuste técnico depois da forte queda recente da moeda americana por aqui. A proximidade das eleições no Brasil segue no radar dos investidores como fonte de incerteza, o que ajuda a conter um avanço ainda maior do dólar”, acrescentou.
No fim da manhã, sem efeito nas cotações, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 1º de outubro. À tarde, o BC informou que o Brasil teve fluxo cambial total negativo de US$6,693 bilhões em setembro até o dia 4.
Às 17h16, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,05%, a 98,829.
(Edição de Isabel Versiani)
0 comentário
Dólar tem maior alta desde dezembro com escalada do conflito entre EUA e Irã
Dólar tem alta leve no Brasil com atuação de importadores e Oriente Médio no foco
Dólar sobe para R$5,1651 na esteira de escalada do conflito no Oriente Médio
Exterior conduz alta do dólar ante o real em dia de busca por segurança
Dólar sobe mais de 1% no Brasil em novo dia de busca global por segurança