Ibovespa retoma fôlego com apoio de bancos e volta a superar 188 mil pontos

Publicado em 10/09/2026 12:30 | Atualizado em 10/09/2026 13:01

Logotipo Reuters

 

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO, 10 Set (Reuters) - O Ibovespa abandonou o sinal negativo e voltou a superar os 188 mil pontos nesta quinta-feira, apoiado principalmente pelo avanço de ações de bancos, apesar do cenário externo ainda avesso a risco.

Por volta de 12h20, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, subia 1,55%, a 188.507,42 pontos, chegando a 188.538,85 na máxima até o momento. Na mínima, mais cedo, recuou a 184.601,20 pontos. O volume financeiro no pregão somava R$11,5 bilhões.

Investidores aguardam nova pesquisa eleitoral nesta sessão, após os últimos levantamentos indicarem uma disputa acirrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) para o Planalto.

"Depois de Quaest e BTG/Nexus mostrarem uma disputa praticamente empatada, o mercado quer saber se a tendência se confirma", afirmou o responsável pela área de renda variável da Criteria, Thiago Pedroso.

A reação mais positiva das ações ao noticiário sobre a corrida tem como pano de fundo a percepção de parte do mercado de que uma mudança em Brasília resultaria em uma política fiscal mais disciplinada a partir do próximo ano. 

Dados atualizados da B3 também mostraram nova entrada de capital externo na bolsa paulista no último dia 8, com o saldo positivo em setembro passando a R$5,98 bilhões. Até o dia 4, era de quase R$5,34 bilhões.

A crise institucional no Supremo Tribunal Federal (STF) também permanece no radar, com agentes financeiros buscando entender os potenciais reflexos na cena eleitoral. 

Mais cedo, prevaleceram as preocupações com a inflação no mundo após o barril de petróleo sob o contrato Brent superar US$105 com novos ataques a navios no Oriente Médio ampliando os temores sobre possíveis interrupções na oferta.

Faltando menos de uma semana para a decisão de política monetária do Federal Reserve, o Banco Central Europeu elevou os juros nesta quinta-feira e afirmou que o conflito no Oriente Médio continua a gerar pressões. 

Em Nova York, o S&P 500 recuava 0,42%, enquanto o rendimento do título de 10 anos do Tesouro dos EUA avançava a 4,9218%, de 4,837% na véspera.

DESTAQUES

• ITAÚ UNIBANCO PN avançava 2,43%, com outros papéis do setor também melhorando após uma abertura mais fraca. BRADESCO PN subia 3,26%,  BANCO DO BRASIL ON tinha acréscimo de 2,84% e BTG PACTUAL UNIT valorizava-se 3,32%. SANTANDER BRASIL UNIT era a exceção com declínio de 0,3%. NUBANK, em Nova York, subia 2,7% em meio a evento do banco sobre operações nos Estados Unidos.

• PETROBRAS PN subia 2%, desacelerando a alta após renovar recorde intradia, novamente apoiada pelo movimento dos preços do petróleo no exterior, que favorecia petrolíferas na bolsa como um todo. A companhia também corrigiu na madrugada desta quinta-feira uma informação divulgada na noite de quarta-feira sobre um reajuste no preço da gasolina, afirmando que um anunciado aumento de R$0,19 por litro não mais será aplicado. A Petrobras confirmou a informação anterior de que deixará de aplicar um desconto de R$0,44 por litro no preço da gasolina A, a partir desta quinta-feira. O desconto havia sido concedido no âmbito da subvenção econômica instituída pelo governo federal.

• VALE ON recuava 0,8%, em meio ao declínio dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado na Bolsa de Commodities de Dalian fechou o pregão diurno com queda de 0,95%. No setor de mineração e siderurgia, CSN ON caía 3,94%, acompanhada na ponta negativa por USIMINAS PNA, em baixa de 3,28%. GERDAU PN registrava alta de 1,02%.

• FLEURY ON avançava 3,19%, retomando o sinal positivo após ajuste na véspera, quando fechou em queda de 2%. Analistas do JPMorgan reiteraram a classificação "underweight" para a ação, citando que o valuation limita o espaço para um "re-rating", mas elevaram o preço-alvo do papel de R$16,50 para R$18. Também destacaram que a visibilidade dos resultados da Fleury e seu perfil defensivo têm se tornado cada vez mais valiosos à medida que o Brasil se aproxima das eleições.

• MRV&CO ON revertia a queda e subia 1,6%, com as construtoras também revertendo as perdas do começo do dia, ajudadas pelo alívio nas taxas dos contratos de DI. O índice do setor imobiliário na B3 subia 2%. Na visão de analistas do JPMorgan, as ações de construtoras passaram a depender mais do sentimento em relação às eleições. Eles avaliam que uma mudança de governo favoreceria as empresas voltadas para os segmentos de média e alta renda, como Cyrela e Ezetc, "devido à perspectiva de um ajuste fiscal mais intenso". Já a continuidade do governo atual, avaliam, beneficiaria as empresas focadas em baixa renda, como Tenda, Direcional e Cury, "em razão do apoio existente ao programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV)".

(Edição Alberto Alerigi Jr.)

Já segue nosso Canal oficial no WhatsApp? Receba em primeira mão as principais notícias do agronegócio
Seguir canal

0 comentário