Açúcar ganha força com disparada do petróleo e preocupação com oferta global
![]()
Os preços do açúcar fecharam em alta nas bolsas internacionais nesta quinta-feira (10), com as cotações atingindo os maiores níveis das últimas semanas. O movimento foi impulsionado principalmente pela forte valorização do petróleo bruto, que subiu mais de 6% e alcançou a maior cotação em três meses e meio.
Em Nova Iorque, o contrato outubro fechou com alta de 33 pontos, a 18,73 cents por libra-peso. Já em Londres, o contrato outubro avançou 400 pontos, para US$ 538,30 por tonelada.
Petróleo fortalece o etanol
A forte alta do petróleo melhora a competitividade do etanol em relação aos combustíveis fósseis. Com isso, aumenta a possibilidade de que usinas direcionem uma parcela maior da cana para a produção de etanol em vez de açúcar.
Esse movimento reduz a quantidade de cana disponível para a fabricação de açúcar e pode contribuir para uma oferta menor do produto no mercado internacional, dando suporte às cotações.
O cenário ganha importância diante das projeções de déficit global para a safra 2026/27 e das preocupações com a produção em importantes países produtores.
Menor produção na Tailândia também sustenta preços
O mercado também continua repercutindo a expectativa de menor produção na Tailândia, segundo maior exportador mundial de açúcar.
Na segunda-feira, a Thai Sugar Millers Corp projetou que a produção do país na safra 2026/27 poderá cair 17%, para aproximadamente 10 milhões de toneladas.
A perspectiva de redução na produção tailandesa aumenta as preocupações com a disponibilidade de açúcar para exportação e ajuda a sustentar os preços internacionais.
Déficit global entra no radar
Outro fator importante é a perspectiva de um balanço mundial mais apertado na próxima temporada.
A Organização Internacional do Açúcar (ISO) prevê um déficit global de 200 mil toneladas para a safra 2026/27, após estimar um superávit de 1,1 milhão de toneladas em 2025/26.
Para 2026/27, a entidade projeta produção mundial de 180,1 milhões de toneladas, queda de 1% em relação ao ciclo anterior.
Outras consultorias também apontam para um cenário de oferta mais restrita. A Green Pool estima déficit de 3,2 milhões de toneladas, enquanto a StoneX prevê déficit de 1,7 milhão de toneladas. A Covrig Analytics projeta saldo negativo de 300 mil toneladas.
Na Europa, a seca e as temperaturas elevadas também afetam as perspectivas. Segundo dados da S&P Global Energy, a produção de açúcar na União Europeia e no Reino Unido deverá ficar em 14,98 milhões de toneladas, o menor nível em 11 anos.
Índia ainda é ponto de atenção
Apesar dos fatores positivos para as cotações, a Índia continua sendo acompanhada pelo mercado devido à possibilidade de o país importar menos açúcar do que o inicialmente previsto.
Na semana passada, o governo indiano reduziu de 400 para 200 toneladas o limite de estoque permitido para revendedores, com validade entre 15 de setembro e 20 de novembro. A medida busca aumentar a disponibilidade interna e conter a especulação.
Com maior oferta doméstica, a necessidade de importação pode ser menor, reduzindo uma possível fonte de demanda no mercado internacional.
Em agosto, o governo indiano autorizou a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto, sem cobrança de impostos, até 31 de outubro.
As condições climáticas também permanecem no radar. O Departamento Meteorológico da Índia informou que as chuvas de monção acumuladas entre junho e setembro estavam 15% abaixo da média até 9 de setembro. Embora tenha ocorrido melhora em relação ao déficit de 42% registrado até 30 de junho, o cenário ainda gera preocupação sobre a produção agrícola.
Brasil também influencia o mercado
No Brasil, maior produtor mundial de açúcar, a menor produção registrada no Centro-Sul também contribui para um cenário de oferta mais restrita.
Segundo a Unica, a produção de açúcar na região caiu 26,3% em junho, para 3,903 milhões de toneladas.
A alta do petróleo reforça ainda mais a importância da relação entre açúcar e etanol. Com o biocombustível mais competitivo, as usinas podem direcionar mais cana para sua produção, reduzindo a disponibilidade de matéria-prima para o açúcar.
O clima também segue como fator de risco. O fenômeno El Niño pode reduzir as chuvas em importantes regiões produtoras, como Brasil, Índia e Tailândia, aumentando as preocupações com a oferta mundial.
0 comentário
Açúcar ganha força com disparada do petróleo e preocupação com oferta global
Principal estado produtor de açúcar da Índia iniciará moagem de cana em 15 de outubro
Produtores de cana de Pernambuco alertam para prejuízos e dizem que subvenção não resolve crise
Açúcar opera em alta nas bolsas de Nova Iorque e Londres nesta quinta-feira
Açúcar fecha em alta nas bolsas de Nova Iorque e Londres com avanço do petróleo
Açúcar avança em Nova Iorque e dispara em Londres com novas preocupações sobre oferta