Exportação de café do Brasil tem melhor agosto da história: 4,16 mi/sacas

Desempenho foi puxado pelo avanço da disponibilidade dos cafés arábicas e, principalmente, dos canéforas, que registraram seu melhor desempenho para meses de agosto; receita cambial de US$ 1,3 bi também é a melhor para o mês
Publicado em 10/09/2026 16:28 | Atualizado em 10/09/2026 17:56

As exportações brasileiras de café registraram seu melhor desempenho na história para os meses de agosto. Foram embarcados 4,155 milhões de sacas de 60 kg de todos os tipos do produto, volume 31% superior ao aferido no mesmo período em 2025. A receita cambial, de US$ 1,331 bilhão, também é a melhor para meses de agosto, apresentando crescimento de 19,8% no comparativo anual. Os dados fazem parte do relatório estatístico mensal do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

“Esse desempenho foi puxado pela maior disponibilidade de cafés arábicas desta safra, que chegaram ao mercado após atrasos na colheita ocasionados por chuvas, e, principalmente, pelos cafés conilon e robusta, que tiveram sua melhor performance exportadora para meses de agosto, enaltecendo a evolução da qualidade dos cafés canéforas brasileiros, que passam a ganhar mais espaço no mercado global”, explica o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira.

Em agosto, os embarques de conilon e robusta cresceram 53,6% em relação ao mesmo mês do ano passado, saltando para 953.592 sacas. Já as exportações da espécie arábica chegaram a 2,866 milhões de sacas, apresentando avanço de 25,7% no mesmo comparativo. O solúvel subiu 24,3%, para 332.192 sacas, e o café torrado e torrado e moído alcançou 3.816 sacas, com alta de 6,4% ante agosto de 2025.

Com a performance no mês passado, os embarques de todos os tipos de café no primeiro bimestre do ano-safra 2026/2027 totalizam 7,204 milhões de sacas, gerando uma receita cambial de US$ 2,242 bilhões. Esse desempenho representa incremento de 21,5% em volume e de 4,1% em valor frente ao registrado em julho e agosto de 2025.

ANO CIVIL
No agregado dos oito primeiros meses de 2026, o Brasil exportou, a 119 países, 25,073 milhões de sacas, montante 1,2% inferior aos 25,370 milhões aferidos entre janeiro e o fim de agosto do ano passado. A receita cambial apresenta queda de 9,3% no mesmo período comparativo, recuando de US$ 9,686 bilhões aos atuais US$ 8,787 bilhões.

O presidente do Cecafé analisa que esse desempenho no acumulado dos oito primeiros meses deste ano reflete a menor disponibilidade de café no primeiro semestre e o atraso na chegada dos cafés da nova safra.

“Viemos de um ano anterior com bom volume de embarques e de safra menor, o que diminuiu os estoques e, consequentemente, a oferta de café para o primeiro semestre. Além disso, as chuvas em plena colheita, em especial em julho, atrasaram a entrada dos cafés arábicas da nova temporada, que se apresentaram ao mercado somente a partir de agosto”, detalha.

Ele completa que a defasagem na infraestrutura dos principais portos do Brasil continua atrapalhando o trabalho dos exportadores de café e que o tarifaço dos Estados Unidos, vigente até meados de julho, também impactou a performance.

“Os exportadores de café seguem sofrendo com a defasagem na infraestrutura portuária, o que atrasa os embarques e gera prejuízos milionários ao setor devido a custos extras com rolagens de cargas e armazenagens adicionais. Também é válido salientar que o tarifaço dos EUA gerou incertezas desde seu anúncio, em abril do ano passado, até julho, quando foram retiradas as taxas sobre o café solúvel brasileiro – os demais cafés haviam sido isentos em novembro de 2025. A partir de agora, a insegurança quanto à política comercial americana deve diminuir e já é possível notarmos uma retomada dos negócios”, comenta.

PRINCIPAIS DESTINOS
Os Estados Unidos figuram como o principal importador dos cafés do Brasil no acumulado de janeiro a agosto de 2026, com a aquisição de 3,158 milhões de sacas, montante que representa 12,6% dos embarques totais no período, mas ainda 21,6% inferior ao mesmo intervalo em 2025, devido às incertezas supracitadas.

A Alemanha ocupa a segunda posição, com 2,824 milhões de sacas – 11,3% do total –, o que implica queda de 8,2% frente aos oito primeiros meses do ano passado. Na sequência aparecem Itália, com 2,248 milhões de sacas e alta de 12,8%; Bélgica, com 2,115 milhões de sacas e incremento de 39,2%; e Japão, fechando o top 5 com 1,305 milhão de sacas e declínio de 22%.

TIPOS DE CAFÉ
O café arábica, com 17,863 milhões de sacas, é o tipo mais exportado pelo Brasil entre janeiro e agosto de 2026. Esse montante equivale a 71,2% do total, mesmo representando queda de 11,8% na comparação com os mesmos oito meses do ano passado.

A espécie canéfora (conilon + robusta) vem na sequência, com o embarque de 4,339 milhões de sacas (17,3% do total), apresentando substancial crescimento de 68,6% em relação ao remetido ao exterior de janeiro ao fim de agosto de 2025.

O segmento do café solúvel, com 2,829 milhões de sacas (11,3% do geral) e o setor industrial de café torrado e torrado e moído, com 43.124 sacas (0,2%) completam a lista.

CAFÉS DIFERENCIADOS
Os cafés que possuem qualidade superior, certificados de práticas sustentáveis e/ou especiais respondem por 17,1% das exportações totais brasileiras entre janeiro e agosto de 2026, com a remessa de 4,294 milhões de sacas ao exterior, volume que representa queda de 15,8% frente ao registrado nos mesmos oito meses do ano passado.

Com preço médio de US$ 410,62 por saca, a receita cambial com os embarques dos cafés diferenciados totalizou US$ 1,763 bilhão, o que corresponde a 20,1% do obtido com todos os embarques de café no primeiro octamestre deste ano. No comparativo anual, o valor é 19% menor do que o apurado entre janeiro e agosto de 2025.

Os EUA lideram o ranking dos principais destinos dos cafés diferenciados, com a importação de 625.758 sacas, o que equivale a 14,6% do total desse tipo de produto exportado.

Fechando o top 5, aparecem Bélgica, com 489.981 sacas e representatividade de 11,4%; Alemanha, com 475.038 sacas (11,1%); Itália, com 418.575 sacas (9,7%); e Holanda (Países Baixos), com 252.880 sacas (5,9%).

PORTOS
O Porto de Santos é o principal exportador dos cafés do Brasil nos primeiros oito meses deste ano, com 17,788 milhões de sacas e representatividade de 70,9% no total.

Na sequência, aparecem o complexo portuário do Rio de Janeiro, que respondeu por 24,9% dos embarques ao remeter 6,252 milhões de sacas ao exterior, e o Porto de Paranaguá (PR), responsável pelo embarque de 261.874 sacas, com representatividade de 1%.

O relatório completo das exportações dos cafés do Brasil, com a atualização referente a agosto de 2026, está disponível no site do Cecafé: https://www.cecafe.com.br/.

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