Tombo na soja: USDA surpreende, CBOT derrete e saca perde até R$ 5 no Mato Grosso

Aumento na safra americana pesa no mercado; aversão ao risco puxa ainda mais commodities para baixo às vésperas de decisões do Fed e eleições nos EUA
Publicado em 11/09/2026 15:46

Logotipo Notícias Agrícolas

O novo boletim mensal de oferta e demanda do USDA (Departamento de Agricultura) surpreendeu com alguns de seus números reportados nesta sexta-feira (11) e os preços da soja fecharam o dia com mais de 30 pontos de queda nos principais vencimentos. O novembro fechou com US$ 12,99 e o maio/27 - referência para a safra brasileira - sendo cotado a US$ 13,27 por bushel. Durante a semana, o maio chegou a superar os US$ 13,50 por bushel. 

O relatório veio baixista para a soja e surpreendeu ao trazer uma produtividade maior para a safra 2026/27 dos EUA, resultando ainda em uma produção maior - agora estimada em pouco mais de 123 milhões de toneladas, enquanto os traders esperavam por correções para baixo. E assim, mesmo com um leve aumento nas exportações e um tímido corte nos estoques finais, os futuros da oleaginosa sucumbiram e lideraram as perdas na CBOT. 

No balanço do dia, somando ao cenário de maior aversão ao risco, mercados todos para baixo. Os preços do trigo também cederam mais de 2%, enquanto o milho fechou o dia caindo mais de 0,3%, depois de testar perdas de mais de 1% ao longo do dia. 

"O mercado estava muito esticado, estava sobrecomprado", afirma o head de commodities da Granel Corretora, Gilberto Leal. O especialista lembra ainda que, na próxima semana, o mercado de commodities recebe ainda as decisões do Federal Reserve sobre os juros nos EUA, o que também deverá deixar os negócios mais intensos, com oscilações também agressivas. 

Complementando o cenário há ainda as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos também chacoalhando os mercados depois do anúncio do presidente americano Donald Trump ao prometer US$ 5 mil a cada adulto do país caso o Partido Republicano vença o pleito. 

Neste ambiente, a sexta-feira foi de agressiva e generaliza baixa para as commodities agrícolas, energéticas e metálicas, com os mercados devolvendo boa parte do que subiram nos últimos dias. O petróleo perdeu quase 3% e, embora o brent se mantenha acima dos US$ 100,00 por barril na Bolsa de Londres, o movimento de correção chegou aos demais ativos. Em Nova York, por exemplo, o açúcar terminou o dia com mais de 3% de queda, o algodão com mais de 2% e o café com mais de 1,3%. 

Ainda em Chicago, os futuros do óleo de soja despencaram mais de 3% e os do farelo terminaram a sexta-feira com um recuo de quase 1%. 

REFLEXOS NO BRASIL

Outro fator de pressão sobre as commodities - em algumas agrícolas em especial - foi a retomada de parte do fôlego do dólar frente ao real. A moeda americana voltou aos R$ 5,12 e ajudou na pressão em Chicago. O índice dólar também testava pequenos ganhos e contribuia. 

Ainda assim, os preços no Brasil não conseguiram se sustentar e acompanharam as baixas em Chicago de forma bastante expressiva. Ainda segundo o levantamento de Gilberto Leal, as referências no Mato Grosso, a depender da praça de comercialização, chegaram a perder entre R$ 3,00 e R$ 5,00 por saca. 

Já segue nosso Canal oficial no WhatsApp? Receba em primeira mão as principais notícias do agronegócio
Seguir canal

0 comentário