Chuva forte e temporais ameaçam Sul e Sudeste, enquanto calor e seca castigam outras regiões
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A semana começa com contrastes no tempo entre as regiões brasileiras. Enquanto Sul e Sudeste ainda enfrentam risco de temporais e temperaturas mais baixas, grande parte do Centro-Oeste, interior do Nordeste e áreas do Norte seguem com calor e pouca umidade.
Entre esta segunda-feira (14) e sexta-feira (18), as instabilidades devem continuar concentradas principalmente no Sul, Sudeste e Mato Grosso do Sul. A tendência, porém, é de redução da chuva nas áreas que receberam os maiores volumes nos últimos dias, abrindo uma curta janela de tempo mais firme no decorrer da semana.
Segundo a meteorologista Amanda Balbino, da Ampere Consultoria, a chuva forte registrada no fim de semana deixou o solo bastante úmido em diversas áreas do Centro-Sul.
“Tivemos acumulados que superaram 200 milímetros aqui na capital paulista. Então isso representa, além do normal do que é esperado para a época do ano, mais de 100 milímetros do que é o normal de ocorrer por aqui.”
Apesar dos volumes elevados, o destaque agora passa a ser a evolução do tempo nos próximos dias e o aproveitamento da janela de menor instabilidade para as atividades no campo.
Sul terá chuva no Paraná e frio nas áreas produtoras
No Sul, o começo da semana ainda será de instabilidade. O Paraná deve concentrar as principais pancadas de chuva nesta segunda-feira, enquanto o centro-leste de Santa Catarina também terá chuva, com possibilidade de temporais isolados principalmente no litoral e no leste dos dois estados.
A tendência é a chuva perder força ao longo da semana, mas o frio continua sendo um dos principais destaques para o campo. As temperaturas mínimas devem ficar abaixo dos 10°C em áreas produtoras, com possibilidade de geadas na serra gaúcha e catarinense. Nesses pontos, os termômetros podem chegar a 0°C a 2°C.
Já no Rio Grande do Sul e Santa Catarina a instabilidade já começa a perder força.
Sudeste ainda terá chuva forte e risco de temporais
No Sudeste, a frente fria que provocou as chuvas do fim de semana já se afasta, mas a umidade deixada pelo sistema mantém a possibilidade de novas pancadas.
São Paulo, Rio de Janeiro, sul de Minas Gerais e parte do Espírito Santo devem ter chuva de moderada a forte intensidade, com risco de temporais isolados. Até quarta-feira (16), alguns pontos podem acumular mais de 60 milímetros.
Amanda destaca que a instabilidade ainda deve continuar nesta segunda-feira:
“Ao longo do dia de hoje pode ter sim essa possibilidade de ventos fortes acontecendo em áreas, especialmente nessa região em laranja que o INMET soltou, áreas entre São Paulo, Rio de Janeiro e sul de Minas Gerais.”
O cenário muda gradualmente a partir de terça-feira. A chuva tende a diminuir e uma janela de tempo mais estável deve se estabelecer entre quarta e sexta-feira, o que pode favorecer a retomada de operações agrícolas e de transporte em áreas que ficaram prejudicadas pelo excesso de chuva.
“Nessas áreas onde já choveu bastante, a chuva tende a enfraquecer a partir de amanhã. Nós teremos uma janela de tempo mais estável aí sobre o Centro-Sul do país. Essa janela deve acontecer entre a quarta e a sexta-feira.”
A pausa, entretanto, não deve durar muito. A previsão indica o retorno das chuvas no próximo fim de semana com a chegada de uma nova frente fria.
“Exatamente, tem previsão da entrada e organização de uma nova frente fria que vai provocar essas instabilidades novamente e que pode sim vir acompanhada de tempo mais severo.”
Centro-Oeste terá dois cenários diferentes
No Centro-Oeste, a semana será marcada por uma divisão importante. Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal devem permanecer com tempo predominantemente firme, sol e temperaturas elevadas.
Em algumas áreas, os termômetros podem chegar a 38°C a 40°C, enquanto a baixa umidade aumenta o risco de queimadas e mantém condições desfavoráveis para a agricultura que depende da chegada de novas chuvas.
Já Mato Grosso do Sul terá um cenário diferente. A umidade residual e a influência da frente fria favorecem pancadas de chuva principalmente no leste, oeste e na faixa central do estado, com possibilidade de temporais isolados.
Amanda reforça que o contraste entre as regiões deve continuar:
“Para essas áreas mais centrais, especialmente entre Mato Grosso, regiões do Tocantins, Pará, no MATOPIBA ali como um todo vai continuar um tempo mais seco. Instabilidades se ocorrerem no Brasil Central vai ser muito pontual e nada muito significativo.”
Nordeste segue quente e seco no interior
No Nordeste, a chuva deve ficar mais concentrada no litoral. Entre Salvador e o sul da Bahia, além de trechos do litoral de Alagoas, Sergipe e Rio Grande do Norte, podem ocorrer pancadas passageiras.
No interior, porém, o cenário permanece predominantemente seco, com temperaturas entre 37°C e 39°C em algumas áreas. A combinação de calor e baixa umidade aumenta o risco de incêndios e mantém pressão sobre as condições das pastagens e das lavouras.
Norte terá pancadas isoladas, mas calor chega a 40°C
Na Região Norte, o calor combinado à disponibilidade de umidade favorece pancadas de chuva principalmente no centro-oeste do Amazonas e oeste do Acre, onde também existe possibilidade de temporais isolados.
Roraima, Rondônia e outras áreas devem alternar períodos de chuva passageira com momentos de tempo firme. Os acumulados, porém, tendem a ser irregulares.
Em contrapartida, Tocantins e o sul do Pará continuam com tempo mais seco e temperaturas elevadas, podendo chegar aos 40°C em algumas áreas.
Para a pecuária, o calor intenso merece atenção, principalmente em sistemas de produção mais confinados, onde o estresse térmico pode afetar o bem-estar e o desempenho dos animais.
Janela de tempo firme será importante para o campo
O principal ponto de atenção para o produtor nesta semana será justamente a janela de menor chuva entre quarta e sexta-feira no Centro-Sul.
Depois dos volumes elevados registrados nos últimos dias, alguns solos ainda estarão encharcados e o excesso de umidade pode dificultar a entrada de máquinas, o transporte e outras operações agrícolas. A redução das chuvas permitirá uma recuperação gradual das condições de campo.
Ao mesmo tempo, nas áreas do Brasil Central que continuam secas, a previsão mantém a necessidade de acompanhar de perto a umidade do solo e a chegada das próximas chuvas.
O cenário, portanto, continua sendo de extremos no país: excesso de chuva e risco de novos temporais no Centro-Sul, frio nas áreas produtoras do Sul e calor intenso, baixa umidade e risco de incêndios em boa parte do interior do Brasil.
E a atenção não termina nesta semana. A previsão de uma nova frente fria no próximo fim de semana indica que o período de chuva deve voltar a ganhar força no Centro-Sul.
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