Chuvas castigam o Sul, deixam prejuízos no campo e nova frente fria já está no radar

Temporais provocaram alagamentos, enxurradas, deslizamentos e danos em lavouras e estruturas rurais; Paraná ainda terá chuva antes de uma janela de tempo mais firme
Publicado em 14/09/2026 12:13 | Atualizado em 14/09/2026 15:02

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As chuvas dos últimos dias deixaram um rastro de prejuízos no campo e na infraestrutura de municípios da Região Sul. Paraná e Santa Catarina concentram os principais impactos, com alagamentos, enxurradas, deslizamentos, granizo e danos em estradas, pontes e propriedades rurais. Para o produtor, além das perdas já registradas, o excesso de umidade dificulta o acesso às lavouras e a retomada dos trabalhos no campo.

No Paraná, o balanço mais recente da Defesa Civil aponta que 60 municípios foram atingidos, com mais de 14,6 mil pessoas afetadas. Foram contabilizadas cerca de 2,6 mil casas danificadas, além de pessoas desalojadas e desabrigadas. 

Os temporais também provocaram problemas em estradas e pontes, dificultando o deslocamento em algumas regiões. Para o setor agropecuário, os danos representam mais um obstáculo para o transporte da produção, a chegada de insumos e o acesso às propriedades.

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Área rural no Paraná ficou destruída após os temporais que atingiram o estado nos últimos dias. (Foto: Sistema FAEP)

Lavouras e estruturas rurais são atingidas

Diante dos novos estragos no meio rural, o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, reforça a necessidade de ações preventivas e de políticas públicas voltadas às famílias rurais atingidas pelos temporais.

“Os relatos impressionam. Foram lavouras destruídas ainda na germinação, galpões e barracões derrubados, confinamentos de gado atingidos, casas destelhadas. É preciso, de forma urgente, que o poder público viabilize ações que permitam a recuperação das áreas atingidas e a retomada das atividades”, aponta Meneguette.

Segundo o dirigente, equipes do Sistema FAEP já acompanham a situação nas regiões afetadas.

“Nossos supervisores e sindicatos rurais já estão atuando nas regiões, verificando as primeiras necessidades dos produtores rurais para auxiliar nas necessidades mais urgentes”, complementa.

A entidade também defende o avanço de medidas de proteção ao produtor, incluindo maior acesso ao seguro rural, agilidade no reconhecimento de situação de emergência nos municípios atingidos e linhas de crédito para reconstrução de estruturas e reposição de insumos.

A FAEP ainda pede atenção especial da Copel para o atendimento das áreas rurais afetadas pelos temporais.

Paraná ainda terá chuva antes de uma trégua

Apesar da redução das instabilidades em algumas áreas, o Paraná ainda não está livre do risco de chuva forte. Segundo a meteorologista Amanda Balbino, da Ampere Consultoria, a terça-feira (15) ainda exige atenção, principalmente no norte do estado.

“Na terça-feira, o nosso mapa mostra que ainda tem chuva volumosa prevista para o Paraná, especialmente aqui no setor mais norte do estado.”

Segundo Amanda, os volumes podem ficar entre 20 e 40 milímetros em alguns pontos, embora a chuva seja irregular e não atinja todas as áreas da mesma forma.

O cenário muda gradualmente a partir de quarta-feira. A tendência é de redução das instabilidades no Paraná, abrindo uma janela de tempo mais firme, enquanto Santa Catarina e Rio Grande do Sul devem permanecer com pouca chuva nos próximos dias.

Produtor ganha uma janela para entrar nas áreas

A melhora do tempo pode ser importante para o produtor que precisa avaliar os danos, retirar o excesso de água das áreas, recuperar acessos e retomar as operações agrícolas.

A situação também preocupa pelo impacto sobre estradas rurais e pontes. Em Santa Catarina, os temporais provocaram alagamentos, inundações, enxurradas, deslizamentos, queda de granizo e árvores, além de danos em vias e estruturas. O levantamento estadual aponta 17 municípios em situação de emergência, além de centenas de pessoas desalojadas ou desabrigadas.

Frio continua, mas temperaturas começam a subir

Além da chuva, o produtor do Sul ainda enfrenta temperaturas baixas. De acordo com Amanda Balbino, o frio deve continuar principalmente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina até pelo menos quarta-feira.

“As mínimas, abaixo de 10 graus Celsius, vão continuar assim até quarta-feira.”

Depois disso, a tendência é de elevação gradual das temperaturas. Nas áreas produtoras, a mudança deve trazer condições mais favoráveis para a secagem do solo e a retomada das atividades, embora cada região dependa do volume de chuva recebido e das condições específicas da lavoura.

Nova frente fria pode trazer chuva de volta no fim de semana

A trégua, porém, não deve durar muito. Uma nova frente fria deve aumentar novamente a instabilidade no Sul no fim de semana, colocando o Paraná outra vez no radar para chuva e temporais.

Amanda destaca que, em áreas próximas de Guarapuava, por exemplo, a previsão indica retorno das chuvas no sábado (19), com volumes que podem chegar a 20 milímetros.

“Tem um potencial de tempo severo maior no final de semana para as áreas próximas de Guarapuava, para o estado como um todo do Paraná.”

Em Santa Catarina, o retorno das instabilidades também aparece entre sexta-feira e o fim de semana, embora os primeiros volumes previstos sejam mais baixos em algumas áreas. No Rio Grande do Sul, a tendência é de dias mais secos e estáveis no meio da semana, seguidos por uma nova mudança no tempo.

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