Nitrogenados sobem, MAP recua e potássicos ficam estáveis no Brasil, aponta Itaú BBA

Tensões no Oriente Médio aumentam cautela com logística e oferta, enquanto demanda doméstica mais fraca pesa sobre fosfatados
Publicado em 15/09/2026 10:30

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O mercado brasileiro de fertilizantes apresenta movimentos distintos entre os principais nutrientes neste início de setembro, com valorização dos nitrogenados, recuo dos fosfatados e maior estabilidade entre os potássicos.

Segundo análise do Itaú BBA, a escalada das tensões no Oriente Médio aumentou a percepção de risco sobre a cadeia global de fertilizantes, especialmente diante das incertezas envolvendo logística, fretes e disponibilidade de produto.

O banco destaca, porém, que a alta recente do petróleo não implica uma elevação proporcional dos custos dos nitrogenados. O principal efeito, neste momento, é o aumento da vulnerabilidade da cadeia a interrupções logísticas e novos choques de oferta.

Nesse cenário, a ureia CFR Brasil é negociada a US$ 468 por tonelada, enquanto o sulfato de amônio está em US$ 242,50 por tonelada. As importações também apresentam redução em relação ao ano passado.

Entre janeiro e agosto de 2026, o Brasil importou 2,8 milhões de toneladas de ureia, volume 23% inferior ao registrado no mesmo período de 2025. As compras de sulfato de amônio somaram 3,3 milhões de toneladas, queda de 13% na mesma comparação.

Apesar da valorização dos nitrogenados, o cenário é diferente para os fosfatados. Segundo o Itaú BBA, as compras de fertilizantes para a safra de verão estão praticamente concluídas nas principais regiões consumidoras para potássicos e nitrogenados, enquanto ainda existem volumes relevantes de fosfatados a serem adquiridos no Sul e Sudeste.

A menor demanda doméstica tem pressionado as cotações do MAP no Brasil. O produto é negociado a US$ 838 por tonelada CFR Brasil, enquanto no mercado internacional as referências permanecem mais firmes, com o MAP no Golfo dos Estados Unidos em torno de US$ 795 por tonelada.

As importações brasileiras de MAP também recuaram. No acumulado do ano, foram adquiridas 1,98 milhão de toneladas, queda de 18% em relação ao mesmo período de 2025.

Já no mercado de potássicos, o quadro é mais confortável. O cloreto de potássio (KCl) é negociado a US$ 365 por tonelada CFR Brasil. As importações acumulam 9,8 milhões de toneladas entre janeiro e agosto, volume apenas 3% inferior ao registrado no mesmo intervalo do ano passado.

Com esse cenário, o Itaú BBA avalia que o mercado segue mais sensível a eventuais novos choques logísticos e de oferta, principalmente diante das tensões no Oriente Médio. Ao mesmo tempo, o comportamento dos preços no Brasil continua sendo influenciado também pelo estágio das compras para a safra e pela demanda específica de cada grupo de fertilizantes.

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