Abates de suínos e frangos alcançam recordes para um segundo trimestre no Brasil
Os abates de suínos e frangos alcançaram os maiores volumes já registrados para um segundo trimestre no Brasil, segundo os resultados completos das Pesquisas Trimestrais da Pecuária, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Entre abril e junho de 2026, o país abateu 15,70 milhões de suínos. O total ficou 4% acima do apurado no segundo trimestre de 2025 e cresceu 2,6% frente aos primeiros três meses deste ano.
O resultado foi o melhor para um segundo trimestre desde o início da série histórica do IBGE. Junho também se destacou ao registrar 5,40 milhões de suínos abatidos, maior volume mensal do período e crescimento de 8,6% em relação a junho do ano passado.
Os números confirmam a trajetória de expansão da suinocultura brasileira, sustentada pelos investimentos realizados nas granjas, pelo aumento da produtividade e pela ampliação da presença da carne suína nos mercados interno e externo.
Para o produtor, entretanto, o recorde também exige atenção. O crescimento da oferta precisa ser acompanhado por uma expansão proporcional do consumo e das exportações. Caso contrário, a maior disponibilidade de animais e carne pode aumentar a pressão sobre os preços pagos no campo.
Região Sul concentra dois terços do abate suíno
O crescimento anual representou o processamento de 602,59 mil suínos adicionais. Houve aumento em 19 das 25 Unidades da Federação pesquisadas.
Mato Grosso do Sul apresentou o maior avanço absoluto, com 229,79 mil animais a mais. Santa Catarina acrescentou 123,96 mil cabeças; Rio Grande do Sul, 109,35 mil; Paraná, 51,35 mil; e São Paulo, 48,25 mil.
Santa Catarina permaneceu como o principal estado produtor, respondendo por 27,6% do abate nacional. O Paraná apareceu em seguida, com 21,1%, enquanto o Rio Grande do Sul concentrou 17,7%.
Somados, os três estados da Região Sul responderam por 66,4% de todos os suínos processados no país durante o trimestre, evidenciando a elevada concentração geográfica da atividade.
Frangos também atingem marca histórica
O abate de frangos somou 1,69 bilhão de cabeças entre abril e junho, estabelecendo também um recorde para um segundo trimestre.
O volume cresceu 2,8% em relação ao mesmo período de 2025, embora tenha recuado 1,2% na comparação com o primeiro trimestre de 2026.
A redução trimestral indica uma acomodação da atividade depois do forte desempenho observado no início do ano. Ainda assim, o recorde para o período mostra que o processamento continuou em nível historicamente elevado.
Junho concentrou a maior atividade do trimestre, com 568,51 milhões de frangos abatidos, crescimento de 8,2% em relação ao mesmo mês do ano passado.
O avanço anual correspondeu a 46,46 milhões de aves adicionais e ocorreu em 17 das 26 Unidades da Federação participantes do levantamento.
O Paraná respondeu pelo maior aumento, com 31,22 milhões de frangos a mais. Também houve avanços relevantes em São Paulo, Goiás, Bahia e Rio Grande do Sul. Santa Catarina apresentou a maior redução, com 3,32 milhões de aves a menos.
A liderança paranaense permaneceu ampla: o estado concentrou 35% de todo o abate nacional. Santa Catarina respondeu por 13,1%, São Paulo por 11,6% e Rio Grande do Sul por 11,3%.
Produção de ovos alcança 1,25 bilhão de dúzias
A produção brasileira de ovos de galinha atingiu 1,25 bilhão de dúzias no segundo trimestre de 2026.
O resultado representa crescimento de 0,8% em relação ao mesmo período de 2025 e avanço de 2% frente ao primeiro trimestre deste ano.
Na comparação anual, foram produzidas 9,41 milhões de dúzias adicionais. O crescimento foi puxado principalmente por Minas Gerais, com acréscimo de 5,32 milhões de dúzias; Rio Grande do Sul, com 4,17 milhões; Paraná, com 2,95 milhões; e Pará, com 2,74 milhões.
Das 2.119 granjas pesquisadas, 1.151, o equivalente a 54,3%, produziram ovos destinados ao consumo. Esses estabelecimentos responderam por 82,6% do volume nacional.
Outras 968 granjas, correspondentes a 45,7% do total, trabalharam com ovos destinados à incubação, respondendo por 17,4% da produção.
São Paulo manteve a liderança nacional, com participação de 24,7%. Minas Gerais respondeu por 10,2%, Paraná por 9,6% e Espírito Santo por 7,9%.
Oferta histórica exige sustentação da demanda
Em conjunto, os resultados mostram que a produção brasileira de proteínas animais atravessa um período de elevada disponibilidade. Os recordes de suínos e frangos refletem a capacidade produtiva das granjas e da indústria, além da consolidação do Brasil entre os principais fornecedores mundiais de carnes.
Essa expansão, contudo, aumenta a importância do desempenho das exportações e do consumo doméstico. Sem crescimento correspondente da demanda, a oferta recorde pode provocar acúmulo de produto e pressionar as margens dos produtores.
Principais resultados de suínos, frangos e ovos
| Indicador | Resultado no 2º tri/2026 | Ante o 2º tri/2025 | Ante o 1º tri/2026 |
|---|---|---|---|
| Suínos abatidos | 15,70 milhões de cabeças | +4,0% | +2,6% |
| Frangos abatidos | 1,69 bilhão de cabeças | +2,8% | -1,2% |
| Peso das carcaças de frango* | 3,74 milhões de toneladas | +5,1% | +0,1% |
| Produção de ovos | 1,25 bilhão de dúzias | +0,8% | +2,0% |
* Com auxílio de IA
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