Café: Avanço da oferta brasileira e alívio climático derrubam preços; NY cede mais de 2%

Cotações devolvem ganhos da última sessão diante do clima favorável e avanço da oferta brasileira
Publicado em 15/09/2026 15:46

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O mercado futuro do café encerrou o pregão desta terça-feira (15), mais uma vez, com perdas expressivas nas principais posições negociadas na Bolsa de Nova Iorque, em mais um dia de forte volatilidade. Com isso, os preços devolveram boa parte do que subiram na sessão anterior. 

Refletindo uma melhora nas condições climáticas dos dois maiores produtores mundiais do grão e o forte ritmo de embarques da safra brasileira, as cotações cederam não somente para o arábica negociado na bolsa norte-americana, mas também entre os futuros do robusta negociados na Bolsa de Londres.

"O mercado de café começa a semana pressionado pela perspectiva de maior disponibilidade de arábica brasileiro e pela possibilidade de recomposição dos estoques certificados da ICE em Nova York. As cotações do arábica atingiram o menor nível em cerca de dez semanas", afirma o corretor do mercado de café Fabiano Odebrecht. 

No arábica, as perdas passaram de 2% nos principais contratos, levando o dezembro a 285,35 e o março a 275,25 centavos de dólar por libra-peso. No robusta, as perdas passaram de 1% nos vencimento mais negociados, levando o novembro a US$ 3481,00 e o março a US$ 3430,00 por tonelada. 

O principal fator a puxar os preços para baixo foi a confirmação dos mapas climáticos mostrando mais chuvas para regiões onde elas são mais importantes agora, segundo explicaram analistas e consultores de mercado. 

Ainda assim, para o Brasil há pontos atenção. No país, o volume de chuvas ficou bem acima do normal em áreas produtoras cruciais, o que traz uma condição que possa vir a beneficiar o pegamento das floradas para a colheita do ano que vem.

Além do clima colaborando para o potencial produtivo futuro, a pressão de baixa no curtíssimo prazo encontra suporte no forte ritmo de escoamento da safra brasileira recém-colhida. Com os trabalhos de campo finalizados, o produto nacional está chegando com força ao mercado internacional.

Números do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil) mostraram que os embarques totais em agosto saltaram 31% na comparação anual, atingindo um volume recorde para o mês de 4,155 milhões de sacas. O arábica registrou avanço de 26% (2,87 milhões de sacas), enquanto as exportações de robusta dispararam 54% (953.592 sacas).

No entanto, analistas ponderam que a queda também reflete movimentações especulativas, e que os fundamentos de longo prazo ainda exigem cautela. 

Segundo a análise de Fabiano Odebrecht, corretor, essa forte baixa em Nova York reflete, em parte, uma "correção técnica e com expectativa de maior oferta" vinda do Brasil. Odebrecht alerta, porém, que os estoques certificados seguem historicamente baixos. 

Dessa forma, a "oferta física restrita" e os "estoques reduzidos ainda oferecem sustentação ao mercado", mantendo as cotações vulneráveis a fortes oscilações caso surjam novos gargalos logísticos ou intempéries climáticas.

Com o avanço da oferta brasileira preenchendo as prateleiras globais momentaneamente, o mercado encontra poucos fundamentos para sustentar rallies de alta no curtíssimo prazo, mas segue atento aos movimentos dos fundos de investimento e aos estoques nas bolsas.

A semana é marcada também, em todo o mercado de commodities, por um sentimento mais forte de aversão ao risco, que tira força de outros ativos também, como algodão, açúcar, suco de laranja negociados em Nova Iorque. 

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