Taxas dos DIs sobem impulsionadas por Treasuries e petróleo

Publicado em 15/09/2026 17:00

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Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 15 Set (Reuters) - As taxas dos DIs fecharam a terça-feira com altas, encontrando suporte no avanço do petróleo e dos rendimentos dos Treasuries no exterior, enquanto no Brasil os investidores seguiram atentos ao noticiário político.

No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,67%, com alta de 4 pontos-base ante o ajuste de 13,629% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,375%, com elevação de 10 pontos-base ante 14,277%.

O avanço do petróleo Brent para acima dos US$108 o barril, em meio a notícias sobre a suspensão de carregamentos do petróleo no Mar Vermelho e de interrupção de operações em campos da Líbia, reforçou as preocupações com a inflação nos países.

Nos EUA, isso se traduziu na alta dos rendimentos dos Treasuries, com investidores elevando apostas de que o Federal Reserve poderá fazer uma série de aumentos de juros para segurar os preços.

Em reação, as taxas dos DIs também subiram.

“O que tem contribuído para vermos uma curva abrindo -- não só no Brasil, mas também nos EUA -- tem a ver com os riscos inflacionários, com o petróleo acima dos US$100 o barril”, pontuou à tarde o economista-chefe da Suno Research, Gustavo Sung.

“A taxa do Treasury (de dez anos) está superando os 5%. E a abertura da curva no Brasil está muito relacionada com a curva lá fora”, acrescentou.

Internamente, porém, os investidores também se mantiveram atentos à crise no Supremo Tribunal Federal (STF) e seus eventuais impactos na disputa presidencial.

Os ministros do STF estão reunidos nesta terça-feira para discutir possível abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes no caso Master. Os ministros Nunes Marques e Dias Toffoli anunciaram pela manhã que não votarão o tema.

Em uma manifestação entregue mais cedo ao presidente da corte, Edson Fachin, Moraes negou irregularidades e disse ser vítima de investigação ilegal, com motivação político-eleitoral e de vingança, por ter sido o relator do processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe.

No mercado, uma avaliação recorrente é a de que notícias negativas para Moraes -- como sua suposta relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master -- podem contribuir para a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pelo Planalto.

Nas últimas semanas, o “trade eleitoral”, baseado no fortalecimento de Flávio nas pesquisas, vinha favorecendo a alta do Ibovespa e a retirada de prêmios na curva de DIs. A percepção de parte do mercado é de que a mudança de governo abriria espaço para um ajuste fiscal.

Nesta terça-feira, porém, a nova pesquisa CNT/MDA destoou de outros levantamentos ao mostrar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente de Flávio.

Na simulação de segundo turno, Lula tem 47,3% e Flávio soma 40%. Como a margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, o petista lidera fora da margem de erro. Na segunda-feira, pesquisas da Quaest e do instituto Nexus mostraram empate técnico entre os dois.

No início do dia, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que as vendas no varejo recuaram 0,8% em julho ante junho, uma retração maior que a queda de 0,20% projetada por economistas consultados pela Reuters. Em relação a julho do ano passado houve alta de 1,2%, menor que os 2,15% esperados.

Os números somaram-se a uma série de outros dados econômicos que sugerem uma desaceleração da atividade, reforçando a perspectiva dos investidores de corte de 25 pontos-base da Selic na noite de quarta-feira, com possibilidade de nova redução em novembro. Atualmente a Selic está em 14%.

Antes da decisão do Banco Central sobre a Selic, o Federal Reserve anunciará sua nova taxa de juros na tarde de quarta-feira.

No exterior, às 16h31, o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- subia 3 pontos-base, a 4,996%.

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