Dólar fecha estável no Brasil após Fed elevar juros e antes do Copom
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Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 16 Set (Reuters) - O mercado de câmbio no Brasil teve mais uma sessão de volatilidade limitada nesta quarta-feira, com o dólar encerrando o dia muito próximo da estabilidade, enquanto no exterior a moeda norte-americana ganhou força após o Federal Reserve subir juros e sinalizar a possibilidade de novos aumentos.
O dólar à vista encerrou a sessão com variação negativa de 0,05%, a R$5,1519. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 6,14%.
Às 17h02, o dólar futuro para outubro -- atualmente o mais negociado no mercado brasileiro -- cedia 0,08% na B3, aos R$5,1675.
No início do dia o Banco Central informou que seu Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) caiu 0,2% em julho ante junho, conforme a série com ajuste sazonal.
O resultado, pior que a retração 0,1% projetada por economistas consultados pela Reuters, juntou-se a uma série de números mais recentes que sugerem perda de força da atividade econômica -- o que favorece novos cortes da taxa básica Selic, hoje em 14%. Ainda nesta quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC vai anunciar sua decisão sobre a Selic.
À tarde, o Federal Reserve anunciou alta de 25 pontos-base de sua taxa de juros, para a faixa de 3,75% a 4,00%, sinalizando novos aumentos nos próximos meses para conter a inflação no país. Em suas projeções, os membros do Fed indicaram pelo menos mais uma alta de 25 pontos-base em 2026.
Em entrevista coletiva após a decisão, o chair do Fed, Kevin Warsh, ponderou que a inflação norte-americana está “alta demais” e está assim por “tempo demais”.
Em reação ao Fed, os rendimentos dos Treasuries ganharam força, assim como o dólar ante boa parte das demais divisas, incluindo o real.
Após marcar a menor cotação do dia, de R$5,1368 (-0,34%), às 12h47, o dólar à vista atingiu a máxima de R$5,1670 (+0,25%) às 16h19, já após a decisão do Fed. A moeda norte-americana, porém, oscilou em margens estreitas e encerrou o dia próxima da estabilidade, com o noticiário eleitoral no Brasil permeando os negócios.
Em algumas pesquisas recentes, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece em empate técnico com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pelo Planalto, mas numericamente à frente em algumas simulações de segundo turno.
Já o Supremo Tribunal Federal (STF) adiou na terça-feira a decisão final sobre juntar ou não, para análise do plenário, dois casos envolvendo ministros: o de possível abertura de investigação contra Alexandre de Moraes por sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o de abuso de poder e improbidade por parte do ministro André Mendonça. O ministro Flávio Dino pediu vista e paralisou o julgamento.
Para parte do mercado, a crise do STF -- que colocou Moraes na berlinda -- tem sido mais favorável a Flávio que a Lula. Flávio tem a preferência da Faria Lima, que vê Lula como um empecilho para o ajuste fiscal.
No fim da manhã, sem efeito nas cotações, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 1º de outubro.
Às 17h05, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,58%, a 100,260.
(Edição de Isabel Versiani)
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