Mercado do milho tem recuperação de preços sustentada por estoques globais menores e forte demanda interna

Consultoria Celeres aponta avanço na comercialização da safrinha, cautela para a próxima temporada e janelas de oportunidade para o produtor travar margens.
Publicado em 18/09/2026 11:44 | Atualizado em 18/09/2026 13:37
Enilson Nogueira - Consultor Céleres Consultoria
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Milho tem 2º semestre de construção de preços no Brasil e produtor pode ter boa janela de comercialização


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O mercado do milho vive um momento de atenção redobrada e recuperação de preços, tanto no cenário doméstico quanto internacional. Nas últimas semanas, as cotações registraram melhora expressiva, trazendo alívio aos produtores rurais e impulsionando o ritmo das vendas no Brasil. Esse panorama, acompanhado de perto pelo setor, envolve estoques globais mais enxutos, demanda doméstica aquecida pelo etanol de cereais e incertezas climáticas para os próximos ciclos.

Avanço na comercialização e estratégia de retenção

Com a colheita da safrinha recentemente finalizada no país, o ritmo de comercialização, que vinha atrasado, ganhou fôlego nas últimas semanas devido à reação positiva das cotações. Segundo Enilson Nogueira, consultor de mercado da Celeres Consultoria, o produtor aproveitou o momento para avançar nos negócios.

"O milho segunda safra vinha aquém em termos de comercialização, mas nas últimas duas a três semanas ganhou muito fôlego até pelo cenário de preços melhores. Hoje, estamos no nível de 70% a 75% desse milho safrinha já comercializado", explicou o consultor. Ele ressaltou que os cerca de 20% a 25% restantes permanecem nas mãos de agricultores com melhor fluxo de caixa e infraestrutura de armazenagem, que apostam na estratégia de carregar o grão até o fim do ano ou início do próximo.

Demanda doméstica forte e câmbio sustentam o mercado

A decisão dos produtores de segurar parte dos lotes é reforçada por dois fatores cruciais: a volatilidade cambial e a firmeza do mercado consumidor interno. A instabilidade política e o calendário eleitoral no último trimestre do ano trazem incertezas à precificação do dólar, o que pode impactar diretamente as cotações do cereal.

Paralelamente, a demanda no Brasil tem se mostrado robusta. "Temos um mercado firme, em especial pelo setor de etanol de cereais, que é bastante demandante. A característica do dólar volátil e a demanda interna consumidora podem trazer sustentação aos preços do milho até o final do ano", detalhou Nogueira.

Clima e indefinições para a nova temporada

Para as safras futuras, as atenções começam a se voltar ao plantio da safra de verão e aos possíveis reflexos sobre a próxima safrinha. O plantio de verão já atinge cerca de 20% das áreas na região Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), estimulado por preços mais atrativos.

No entanto, a atuação do fenômeno climático El Niño traz volatilidade. Chuvas excessivas em áreas do Paraná já geram entraves para a semeadura da soja. Qualquer atraso persistente no plantio da oleaginosa entre outubro e novembro ameaça encurtar a janela ideal de semeadura da segunda safra de milho no início de 2027.

Diante dessas incertezas climáticas e das oscilações nos preços dos insumos — especialmente os nitrogenados, impactados pelo cenário geopolítico no Oriente Médio —, o produtor tem adotado uma postura cautelosa na aquisição de fertilizantes e na definição dos pacotes tecnológicos.

Cenário internacional e recomendações

No front externo, a sinalização é de oferta mundial mais restrita, com reduções de safra e estoques nos Estados Unidos e na Europa, além de projeções menores para a China. No Brasil, a Celeres estima embarques na casa de 41 milhões de toneladas, com viés de baixa devido ao ritmo recente de exportações.

Para o produtor rural, o especialista orienta cautela e aproveitamento de oportunidades nas posições futuras da B3, que operam acima de R$ 80 por saca. "O segundo semestre é historicamente um cenário de construção de preços. Para o produtor que tem estrutura e fluxo de caixa, o final do ano costuma ser positivo. Além disso, os preços futuros apontam margens positivas; portanto, faz sentido começar a fazer média e avançar um pouco na comercialização pensando mais adiante", concluiu.

*Com auxílio da IA

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