Guerra contra o Irã acelera políticas de energia limpa, mas emissões globais ainda sobem

Desde o início do conflito, em fevereiro, mais de 30 governos anunciaram ou implementaram políticas para se afastar de combustíveis fósseis e ampliar eficiência energética
Publicado em 18/09/2026 15:02

Países vêm adotando energia mais limpa e medidas para reduzir consumo diante da guerra contra o Irã e do choque de preços de petróleo e gás, mas o movimento ainda não é suficiente para frear a mudança do clima.

Desde o início do conflito, em fevereiro, mais de 30 governos anunciaram ou implementaram políticas para se afastar de combustíveis fósseis e ampliar eficiência energética. Apesar disso, as emissões globais de gases de efeito estufa subiram levemente e o investimento em energia limpa caiu em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo reportagem da Associated Press.

A apuração ouviu cerca de uma dúzia de especialistas que afirmam que o conflito parece acelerar a adoção de renováveis e eletrificação, mas o mundo permanece fortemente dependente de carvão, petróleo e gás – e os efeitos de políticas recém-adotadas levam tempo para aparecer.

Para a pesquisadora Pauline Heinrichs, do Kings College London, governos “dançam” entre reconhecer a importância de energia limpa e, ao mesmo tempo, sustentar a expansão fóssil, com “um mundo antigo e um novo” convivendo em contradição.

O texto cita exemplos dessa ambivalência: no Reino Unido, houve aumento de instalações solares, enquanto o governo considera expandir a produção de gás. Na Ásia, Indonésia troca parte de usinas a diesel por solar, mas reforça o carvão para indústrias pesadas.

Segundo o Clean Investment Monitor, do Rhodium Group, o investimento global em implantação de solar e eólica caiu no primeiro semestre de 2026 ante igual período de 2025, após anos de crescimento – com a China respondendo pela maior parte da queda.

Nos Estados Unidos, na Europa e na Índia, mais expostos a preços de petróleo e gás, o investimento em solar avançou e o de eólica se manteve estável ou cresceu, segundo a diretora Hannah Pitt.

A Agência Internacional de Energia (IEA) contabilizou, até 9 de setembro, 33 governos com políticas reativas ao conflito, incluindo incentivos a veículos elétricos, infraestrutura de recarga, expansão de renováveis, substituição de caldeiras a gás por bombas de calor e retrofit de edifícios para reduzir consumo.

A China busca eficiência em indústria pesada e eletrificar veículos pesados. Já Índia e Indonésia promovem fogões elétricos para substituir gás importado, enquanto o Laos suspendeu importações de carros a gasolina e diesel até 2026 para estimular elétricos.

Ainda assim, o “ponteiro” pouco mudou. O banco de dados Climate Trace aponta que as emissões globais subiram 0,2% no primeiro semestre de 2026 ante o mesmo período de 2025. Houve alta em transporte rodoviário, enquanto emissões do setor elétrico caíram, e as de navegação recuaram, possivelmente influenciadas pelo fechamento do Estreito de Ormuz.

O conflito elevou a conta de importadores de combustíveis fósseis. Pesquisa do Centre for Research on Energy and Clean Air estima que esses países pagaram US$ 330 bilhões a mais do que o esperado antes da guerra – o maior choque sustentado desde a Guerra do Golfo de 1990 –, com União Europeia, China e Índia entre os mais afetados.

O estudo indica, porém, que investimentos em energia limpa após crises anteriores evitaram US$ 36 bilhões em importações fósseis nos primeiros cinco meses do conflito.

Especialistas ouvidos pela AP dizem ser cedo para concluir se o saldo final favorecerá renováveis ou fósseis, mas avaliam que o choque de preços e a insegurança energética ampliam o apelo da transição – não só por clima, mas por segurança.

O texto destaca que, embora o governo Trump tenha deslocado os EUA para longe das renováveis, a alta de preços e a incerteza geradas pela guerra podem empurrar outros países na direção oposta, reduzindo dependência de combustíveis fósseis.

Já segue nosso Canal oficial no WhatsApp? Receba em primeira mão as principais notícias do agronegócio
Seguir canal

0 comentário