Plantio da soja está paralisado no MT com falta de chuvas e calor intenso; mercado também trava

Falta de umidade interrompe trabalhos de campo no estado, enquanto produtores e analistas monitoram riscos em Chicago, oscilações do dólar e safra norte-americana.
Publicado em 21/09/2026 10:06 | Atualizado em 21/09/2026 11:37
Gilberto Leal
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Plantio da soja está paralisado no MT com falta de chuvas e calor intenso; mercado também trava

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O avanço do plantio da nova safra de soja no Brasil enfrenta um momento de desaceleração técnica e climática, principalmente no estado de Mato Grosso. Após as primeiras chuvas registradas no início do mês, o tempo seco e o calor intenso interromperam o ritmo dos trabalhos no campo, levando produtores a segurarem as plantadeiras à espera de maior umidade no solo. Ao mesmo tempo, o mercado de commodities agrícolas opera em compasso de espera, atento tanto à geopolítica quanto às variáveis econômicas globais.

De acordo com Gilberto Leal, Head de Commodities da Granel Corretora, as precipitações iniciais trouxeram ânimo, mas não garantiram umidade acumulada suficiente para dar continuidade ao plantio em larga escala. "O plantio parou, parou parado. A turma desacelerou totalmente", destacou Leal em entrevista ao Bom Dia Agronegócio. Segundo ele, as chuvas esparsas e isoladas não repuseram a capacidade hídrica do solo, e as altas temperaturas recentes agravaram a situação na região do eixo da BR-163.

Apesar da interrupção, o analista pontua que, até o momento, não há relatos consolidados de perdas por escaldadura ou necessidade generalizada de replantio, visto que áreas de pivô ou solos mais argilosos e com boa palhada retêm melhor as condições para emergência. As previsões meteorológicas indicam possibilidade de retorno das chuvas entre os dias 23 e 25 de outubro, mas o padrão de irregularidade típico de anos de transição climática sob influência do El Niño mantém o setor em alerta.

Comercialização travada e riscos em Chicago

Com os trabalhos paralisados no campo, as negociações da oleaginosa também registraram esfriamento. Atualmente, estima-se que a comercialização antecipada da safra esteja entre 40% e 45%, a depender da região. Embora os preços tenham alcançado patamares atrativos recentemente — como negócios a R$ 130 por saca na BR-163 —, o produtor tem evitado assumir novas posições diante da indefinição produtiva.

No cenário internacional, Leal alertou para os riscos de correção na Bolsa de Chicago. Entre os fatores de vulnerabilidade estão a forte posição comprada de fundos especulativos em um ambiente de elevação de juros nos Estados Unidos, o que encarece a manutenção dessas posições, além do avanço da colheita norte-americana, que amplia a oferta sazonal no mercado global. Há também a correlação direta entre o óleo de soja e o mercado de petróleo, suscetível a oscilações provocadas por desdobramentos geopolíticos no Oriente Médio.

Outro elemento crítico destacado na análise é o comportamento do câmbio. Diante do cenário político-eleitoral e das expectativas de austeridade fiscal futura, eventuais recuos do dólar para patamares abaixo de R$ 4,90 ou R$ 4,80 podem pressionar diretamente as cotações em reais recebidas pelo produtor brasileiro.

Somado a isso, o gargalo logístico segue pesando no bolso do sojicultor nacional. Leal ressaltou a disparidade nos custos de elevação portuária: enquanto nos Estados Unidos o custo gira em torno de US$ 25 por tonelada, no Brasil esse montante pode atingir US$ 100/t. "Não tomar nenhum tipo de posição e ficar 100% no risco é um erro", advertiu o especialista, recomendando o uso de travas, derivativos e a garantia de pisos de preço em Chicago para proteger as margens operacionais e o fluxo de caixa.

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