Ureia sobe por cinco semanas seguidas no Brasil e encarece recomposição de estoques para a safrinha

Alta acumulada se aproxima de 20%, mas valorização do milho ajuda a preservar relação de troca e pode melhorar rentabilidade da cultura
Publicado em 21/09/2026 15:24

Os preços da ureia avançaram pela quinta semana consecutiva no mercado brasileiro, acumulando alta próxima de 20% nos portos do país. O movimento eleva a atenção dos compradores, especialmente diante da necessidade de recomposição dos estoques para a safrinha de milho do ciclo 2026/27, segundo análise da StoneX.

De acordo com Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, a alta representa uma mudança relativamente rápida de patamar e é resultado da combinação de fatores internos e externos. Entre eles estão o aumento da demanda brasileira, os custos elevados do gás natural e as incertezas em torno das negociações entre Estados Unidos e Irã.

“Os preços da ureia aumentaram pela quinta semana consecutiva no mercado brasileiro, indicando uma tendência de alta no segmento. Esse movimento acende um alerta para os compradores do setor, que, nos próximos meses, devem avançar na recomposição de estoques para a safrinha do ciclo 2026/27”, afirma Pernías.

O cenário internacional ganhou ainda mais atenção com os rumores de que a Índia poderá voltar ao mercado para adquirir novas cargas de ureia. A possibilidade de aumento da demanda global contribui para sustentar as cotações do fertilizante.

“Esse movimento foi apoiado por diversos fatores, como a demanda crescente no Brasil, o pessimismo em relação ao avanço das negociações entre os EUA e o Irã, os custos elevados do gás natural e, mais recentemente, rumores de que a Índia poderá retornar em breve ao mercado comprador em busca de mais cargas de ureia”, explica o analista.

Relação de troca com o milho

Apesar da valorização dos nitrogenados, a situação do produtor de milho está mais favorável do que alguns meses atrás. Segundo a StoneX, a alta recente das cotações do cereal ajudou a compensar parte do aumento dos custos com fertilizantes.

Pernías lembra que, durante os momentos mais críticos da guerra entre Estados Unidos e Irã e diante dos temores sobre a oferta mundial de nitrogenados, a ureia chegou a se aproximar de US$ 800 por tonelada nos portos brasileiros, acima dos níveis atuais.

“Mesmo com o aumento recente dos preços da ureia e do sulfato de amônio, a situação dos produtores de milho no Brasil está mais favorável agora do que há alguns meses”, destaca.

Ao mesmo tempo, a valorização do milho manteve as relações de troca em níveis próximos aos observados no mesmo período do ano passado, reduzindo, por enquanto, a pressão sobre o poder de compra do produtor.

Além disso, a melhora nas cotações do cereal tende a elevar a receita potencial das lavouras e pode contribuir para uma perspectiva mais positiva de rentabilidade da cultura.

Milho mais caro pode aumentar demanda por nitrogenados

O movimento, porém, exige atenção também pelo efeito que uma melhora nos preços do milho pode provocar sobre o próprio mercado de fertilizantes. Com perspectivas mais favoráveis de rentabilidade, os agricultores podem ampliar a área destinada ao cereal, elevando a necessidade de nitrogenados durante o ciclo produtivo.

“Vale lembrar que aumentos no preço do milho podem, a depender da conjuntura do mercado, impulsionar os preços dos fertilizantes nitrogenados”, afirma Pernías.

Segundo o analista, uma eventual expansão da área plantada e o aumento da demanda por adubação podem contribuir para novas pressões sobre os preços da ureia e de outros nitrogenados.

Por outro lado, a valorização do milho também melhora a capacidade de compra de insumos pelo produtor, o que pode estimular o consumo de fertilizantes.

“Um milho mais caro significa, potencialmente, relações de troca melhores para a aquisição de insumos, o que, por sua vez, também tende a se refletir positivamente no consumo de nitrogenados”, conclui.
 

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