Soja cai em Chicago nesta 4ª (23) às vésperas de Trump-Xi, mas compras da China limitam pressão

Mercado realiza parte dos ganhos recentes e sente avanço da colheita nos EUA; encontro entre os presidentes nesta quinta-feira mantém traders cautelosos
Publicado em 23/09/2026 07:45

Logotipo Notícias Agrícolas

Os preços da soja recuam na Bolsa de Chicago na manhã desta quarta-feira (23), devolvendo parte dos ganhos recentes enquanto o mercado se posiciona para o encontro entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, marcado para esta quinta-feira (24), em Washington.

Por volta das 7h25 (horário de Brasília), o novembro perdia 8,75 pontos, cotado a US$ 13,16 por bushel, enquanto o janeiro recuava 8,50 pontos, para US$ 13,32. O março tinha baixa de 8 pontos, valendo US$ 13,40, e o maio cedia 7,50 pontos, a US$ 13,47 por bushel.

A pressão desta manhã acompanha um movimento de correção observado no complexo de grãos depois das altas recentes. Na sessão anterior, soja, milho e trigo já recuaram em Chicago, com os traders realizando lucros e reduzindo posições antes da reunião entre Trump e Xi.

Xi inicia nesta quarta-feira uma visita de Estado de três dias aos Estados Unidos. A reunião com Trump acontece nesta quinta e deverá tratar das relações comerciais entre os dois países, além de outros temas econômicos e geopolíticos.

Para a soja, a demanda chinesa continua sendo um dos principais pontos de sustentação. Na semana passada, compradores chineses adquiriram cerca de 1 milhão de toneladas da oleaginosa norte-americana, segundo fontes ouvidas pela Reuters, às vésperas da visita de Xi. Com essas aquisições, as compras chinesas de soja dos EUA chegaram a quase metade das 25 milhões de toneladas anuais que, segundo a Casa Branca, Pequim se comprometeu a adquirir até 2028.

Assim, a expectativa em torno de possíveis novos sinais para o comércio agrícola entre Estados Unidos e China permanece no centro das atenções. O encontro acontece em um momento no qual Washington e Pequim procuram preservar a trégua comercial estabelecida anteriormente, com o mercado atento principalmente a eventuais indicações sobre tarifas e compras de produtos americanos.

Do lado dos fundamentos, a entrada da nova safra norte-americana também exerce pressão sazonal sobre Chicago.

O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) informou nesta semana que 12% da área de soja do país já havia sido colhida até domingo (20), contra 8% tanto no mesmo período do ano passado quanto na média dos últimos cinco anos. As condições das lavouras permaneceram em 58% boas ou excelentes, estáveis na comparação semanal e abaixo dos 61% registrados há um ano.

Dessa forma, Chicago inicia esta quarta-feira dividida entre a pressão sazonal da chegada da safra americana e uma demanda chinesa que voltou a oferecer suporte às cotações.

Ao mesmo tempo, a proximidade do encontro entre Trump e Xi tende a manter elevada a volatilidade. Depois de incorporar parte das expectativas sobre a reunião aos preços, o mercado agora aguarda sinais concretos sobre os próximos passos da relação comercial entre as duas maiores economias do mundo.

Já segue nosso Canal oficial no WhatsApp? Receba em primeira mão as principais notícias do agronegócio
Seguir canal

0 comentário