Nanotecnologia e bioinsumos: inovação em nutrição de plantas ganha espaço para enfrentar desafios climáticos e elevar produtividade
Nutrição e Bioinsumos - Entrevista com Ithamar Prada - CEO e Fundador da Synkka
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A busca por uma agricultura cada vez mais produtiva, sustentável e resiliente às adversidades do clima tem impulsionado o desenvolvimento de novas tecnologias no campo. Nesse cenário de convergência entre inovação e manejo biológico, a nutrição vegetal passa por uma transformação técnica significativa. Em entrevista ao jornalista Frederico Olivi, do portal Notícias Agrícolas, o engenheiro agrônomo e CEO da Synkca, Itamar Prada, explicou como a combinação entre nanotecnologia e bioinsumos surge como alternativa estratégica para o produtor rural brasileiro.
A união entre química e biologia no campo
Criada há cerca de dois anos, a Synkca — acrônimo em inglês para sinergia e conhecimentos-chave para a agricultura — nasceu com a proposta de ir além do modelo tradicional de nutrição de plantas. Segundo Itamar Prada, o portfólio da companhia conta com 11 soluções sinérgicas com bioinsumos, desenvolvidas após a testagem de mais de 1.200 protótipos em universidades, centros de pesquisa e campos experimentais.
Prada ressaltou que o setor agrícola não deve encarar ferramentas químicas e biológicas de forma excludente. “Toda vez que a gente tenta pegar uma atividade complexa e deixar muito binário, uma coisa ou outra, fica mais difícil. A gente tem que trabalhar entendendo que tudo isso é ferramenta e que o nosso objetivo é trabalhar com a produção de alimento, fibra e energia de uma forma sustentável”, pontuou o executivo.
O papel da nanotecnologia na nutrição vegetal
Um dos grandes diferenciais apresentados para a formulação dos produtos é a nanotecnologia, que atua com partículas em escala nanométrica (mil vezes menores que a escala micrométrica). De acordo com Prada, diminuir o tamanho da partícula eleva a sua reatividade e permite criar formulações que combinam frações solúveis e insolúveis de nutrientes.
Dessa forma, a planta recebe uma dose prontamente disponível sem sofrer fitotoxicidade, enquanto a fração nanométrica proporciona liberação gradual. Esse mecanismo é essencial para preservar a viabilidade de microrganismos vivos aplicados em conjunto no tanque ou no tratamento de sementes, como as bactérias gram-negativas sensíveis do gênero Bradyrhizobium usadas na soja.
“No tratamento de semente, o protagonista é a semente e o segundo protagonista importante é o inoculante. Nós precisamos fornecer tecnologias que sejam compatíveis e sinérgicas com os bioinsumos”, destacou Prada, apontando que o objetivo é estimular o enraizamento profundo sem prejudicar a fixação biológica de nitrogênio.
Mitigação do estresse climático nas lavouras
Diante de anos atípicos marcados por temperaturas extremas e irregularidade de chuvas em diversas regiões agrícolas, a proteção contra o estresse oxidativo e térmico se tornou prioritária. Entre os desenvolvimentos da empresa validados em culturas como café, soja, milho e cana-de-açúcar — com expansão para hortifrúti e citros —, destaca-se o uso de protetores solares foliares.
A tecnologia utiliza nanopartículas inseridas em uma matriz de seiva vegetal capazes de absorver raios UVA, UVB e UVC, diminuindo a temperatura foliar e o estresse da planta, o que evita perdas de produtividade decorrentes do calor excessivo.
Sustentabilidade com viabilidade econômica
Questionado sobre os momentos desafiadores que o agronegócio enfrenta em termos de margens e custos, o executivo reforçou que sustentabilidade e rentabilidade caminham juntas. O agricultor precisa de manejo que entregue retorno econômico imediato e proteção a longo prazo.
“Brigar com a natureza é caro. Nós temos que trabalhar com ferramentas para que a agricultura seja cada vez mais sustentável porque isso é bom para o negócio. Realmente faz a gente conseguir ter uma produção mais resiliente, mais econômica e mais lucrativa”, concluiu Itamar Prada.
* Com auxílio de IA
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