Bahia ganha destaque no primeiro dia do 15º Congresso Brasileiro do Algodão

Publicado em 23/09/2026 15:29

A Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) iniciou sua participação no 15º Congresso Brasileiro do Algodão, nesta terça-feira (22), em Belo Horizonte (MG), com dois reconhecimentos e uma contribuição técnica na programação do primeiro dia. O produtor João Carlos Jacobsen Rodrigues, um dos pioneiros do algodão no Oeste baiano, e Júlio Cézar Busato, ambos ex-presidentes da entidade, foram homenageados ao lado de outros dirigentes de associações estaduais que contribuíram para a trajetória da cotonicultura brasileira, e receberam das mãos da atual presidente, Alessandra Zanotto Costa, a honraria. Na programação técnica, o gerente fitossanitário da Abapa, Giorge Gomes, participou do Hub Técnico de Entomologia, levando a experiência da Bahia para a discussão sobre os programas estaduais de controle do bicudo-do-algodoeiro.

Jacobsen está entre os nomes ligados à formação da cotonicultura no Oeste da Bahia. Produtor que chegou ao Cerrado baiano em 1982, vindo do Paraná, começou na região com o cultivo de arroz e participou da expansão do algodão. Foi um dos fundadores da Abapa e seu primeiro presidente. Também presidiu a Abrapa em dois mandatos, com atuação na defesa dos interesses do algodão brasileiro no mercado internacional e em iniciativas de promoção e organização da cadeia.

Já Busato chegou ao Oeste da Bahia em 1987, depois de se formar em Engenharia Agronômica pela Universidade de Passo Fundo. Pioneiro na ocupação agrícola do Cerrado baiano, participou da criação do Grupo Busato ao lado dos irmãos, com produção de algodão, soja, milho e sorgo. Ao longo da trajetória, ocupou diferentes posições de representação institucional do setor, entre elas a presidência da Abapa no biênio 2017/2018, além de funções na Abrapa, Aiba, Fundação Bahia e em colegiados ligados ao Mapa.

Realizado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) com o tema “Algodão brasileiro: fibra natural. Uma jornada com propósito, qualidade e transparência”, o Congresso segue até quinta-feira (24), no Expominas.

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Na abertura do evento, Gustavo Piccoli destacou os avanços que levaram o Brasil à liderança mundial nas exportações e os desafios para sustentar essa posição. “Chegar até aqui exigiu coragem para crescer. Permanecer aqui exigirá inteligência para decidir. E continuar avançando exigirá, mais uma vez, nossa capacidade de caminhar juntos, com propósito, qualidade e transparência”, afirmou.

O ministro André de Paula Filho também ressaltou a trajetória do algodão brasileiro no mercado internacional. “O algodão brasileiro já mostrou ao mundo do que é capaz. Transformou o cerrado, ganhou produtividade, conquistou mercados, e chegou ao primeiro lugar. O próximo salto será maior. Por isso, contem com o Ministério da Agricultura para juntos levar o algodão brasileiro ainda mais longe”, disse.

Combate ao bicudo

O controle do bicudo-do-algodoeiro envolve planejamento de safra, monitoramento, vazio sanitário, destruição de soqueiras, controle de plantas voluntárias, tecnologia de aplicação e, sobretudo, coordenação entre produtores e diferentes elos da cadeia. Foi essa experiência construída na Bahia que o gerente Fitossanitário Giorge Gomes, levou ao 15º CBA, nesta terça-feira (22).

“O combate ao bicudo exige integração. Na Abapa, isso se materializa em uma rede de ações que combina campo, tecnologia, dados e orientação técnica. Não se trata, portanto, de uma única ferramenta ou de uma resposta pontual à presença do inseto, mas de um sistema permanente de vigilância e manejo fitossanitário”, explicou.

Na Bahia, a atuação contra o bicudo é resultado de um trabalho estruturado pela Abapa que reúne diferentes frentes ao longo do calendário agrícola. O programa contempla InfoFITO, vazio sanitário, armadilhamento e monitoramento de áreas de rotação, identificação e controle de tigueras às margens de rodovias, Projeto Caça-Esporos, acompanhamento da janela de plantio e monitoramento da colheita e da destruição dos restos culturais.

De acordo com o gerente Fitossanitário, a estrutura também incorpora o Núcleo de Inteligência de Dados e programas de calibração de aeronaves, drones e pulverizadores terrestres. A lógica é transformar informação em ação e fazer com que a defesa fitossanitária acompanhe a dinâmica da cultura durante todo o ano.

“É uma abordagem que parte de uma constatação: o bicudo não respeita os limites de uma propriedade. Por isso, seu controle não pode depender exclusivamente de uma decisão tomada dentro de uma única porteira”, explicou.

Contribuições

A participação da Abapa se estende pelos três dias do Congresso. A presidente Alessandra Zanotto Costa, que integra a Comissão Organizadora, também participa da programação. No dia 23, ela estará na plenária “O algodão brasileiro no tabuleiro global: perspectivas e estratégias para a safra 2026/2027”. No último dia do evento, Alessandra será mediadora da plenária “Por que o Brasil precisa repensar o futuro da indústria têxtil?”. Ela também participará do workshop feminino sobre Desenvolvimento de Liderança.

Para encerrar a participação da Abapa, na quinta-feira (24), à tarde, será a vez do gerente do Centro de Análise de Fibras da Abapa, de Sérgio Brentano, apresentar o workshop “Algodoeiras e laboratórios de qualidade de fibras”. A atividade coloca em discussão os desafios identificados nos laboratórios durante a safra 2025/26 e a integração entre os diferentes elos envolvidos na avaliação da fibra.

Homenagem

A ciência produzida na Bahia também ganhou destaque no 15º CBA. A professora Antônia Mirian, da Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB), em Barra, foi reconhecida pelo maior número de publicações relacionadas a estudos sobre o algodão. Ela recebeu o reconhecimento e a premiação das mãos do coordenador da Comissão Científica e Julgadora do 15º CBA, Rafael Galbieri, e do diretor executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero.

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