Ex-diretor do Banco Genial é alvo de nova fase da operação Carbono Oculto, diz fonte
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BRASÍLIA, 24 Set (Reuters) - Um executivo do mercado financeiro que teve ligações com o Banco Genial está entre os alvos de uma nova fase da operação Carbono Oculto deflagrada nesta quinta-feira pela Receita Federal e pelo Ministério Público de São Paulo para apurar o suposto uso de um esquema de lavagem de dinheiro na compra de uma grande distribuidora de combustíveis, disse à Reuters uma fonte com conhecimento das investigações.
Segundo esta fonte, Humberto Tupinambá, ex-diretor do Genial, está entre os alvos dos mandados de busca e apreensão que estão sendo cumpridos em 29 endereços ligados a 13 pessoas físicas e 24 pessoas jurídicas em sete Estados. Em nota, o Genial disse que Tupinambá não integra a diretoria e não é sócio da instituição desde maio de 2026.
De acordo com informações de veículos de comunicação, a distribuidora de combustíveis Tobras Distribuidora de Combustíveis Ltda., conhecida como Terrana, é a empresa que teria sido adquirida através do esquema.
Em comunicados, sem citar os nomes dos alvos da operação, a Receita Federal e o Ministério Público de São Paulo apontaram que o grupo teria usado um esquema de sobreposição de estruturas financeiras para ocultar a compra de uma usina de cana-de-açúcar no interior de São Paulo.
"Embora a titularidade formal da empresa sucroalcooleira estivesse distribuída entre fundos de investimento e outras empresas aparentemente independentes, os elementos reunidos indicam que a estrutura foi organizada para preservar o controle econômico dela sem que os reais beneficiários fossem revelados", disse o MP em nota.
Ainda de acordo com a promotoria paulista, as apurações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MP de São Paulo, e da Receita Federal apontaram que a estrutura adotada na ocultação da propriedade da usina foi usada para a aquisição de uma grande distribuidora de combustíveis.
"As análises econômico-financeiras apontam que a aquisição da distribuidora de combustíveis foi viabilizada por outra estrutura financeira composta por banco, fundos de investimento, escritório de advocacia, holdings, empresas patrimoniais e empresas de fachada, organizada para distanciar os recursos ilícitos utilizados na operação e os seus verdadeiros financiadores e beneficiários econômicos", disse o MP.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, concederá na manhã desta quinta-feira uma entrevista coletiva para detalhar a operação.
Deflagrada pela primeira vez em agosto de 2025, a Carbono Oculto investiga a infiltração do crime organizado, em particular da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), no setor de combustíveis e no mercado financeiro para lavar dinheiro do crime organizado.
Em sua nota, o Banco Genial disse ainda que, após tomar conhecimento dos fatos, afastou e posteriormente destituiu o diretor e colabora com as investigações.
"A instituição adotou medidas adicionais de governança e controle, incluindo a instauração de processo de inspetoria interna, a revisão da governança das operações de crédito, o afastamento do então diretor dos respectivos processos decisórios e sua posterior destituição. A Genial também contou com o apoio de especialistas externos para a revisão e o aprimoramento de seus processos e controles... A instituição permanece à disposição das autoridades competentes para colaborar com as investigações e prestar todos os esclarecimentos que se façam necessários", afirma a nota.
(Reportagem de Ricardo Brito; Reportagem adicional de Eduardo Simões, em São Paulo; Edição de Tatiana Ramil)
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