Açúcar opera em direções opostas nas bolsas de Nova Iorque e Londres nesta sexta-feira

Mercado acompanha sinais de demanda mais fraca e perspectivas para a oferta global da commodity
Publicado em 25/09/2026 10:07

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Os preços do açúcar operam em direções opostas nas principais bolsas internacionais nesta sexta-feira (25). Em Nova Iorque, o contrato outubro apresentava alta de 6 pontos, negociado a 17,64 cents por libra-peso por volta das 10h (horário de Brasília). Em Londres, o contrato dezembro recuava 440 pontos, para US$ 505,50 por tonelada.

O movimento ocorre após um fechamento misto na sessão anterior. Na quinta-feira, o contrato outubro em Nova Iorque caiu 17 pontos, para 17,59 cents por libra-peso, enquanto o contrato dezembro em Londres avançou 390 pontos, para US$ 509,90 por tonelada.

Demanda segue no radar

Em Nova Iorque, as preocupações com a demanda continuam entre os principais fatores acompanhados pelos operadores. Segundo a McDougall Global Views, o volume atual de contratos em aberto para o contrato com vencimento na próxima semana indica que as entregas podem chegar a cerca de 1,8 milhão de toneladas, acima da média dos últimos seis anos.

O cenário é considerado um sinal de demanda física mais fraca e tem limitado a recuperação das cotações.
Na semana passada, foram entregues 499.350 toneladas de açúcar referentes ao contrato de outubro em Londres, volume 91% superior ao registrado um ano antes e entre os maiores já observados para um contrato de outubro.

O posicionamento dos fundos também permanece no radar. O relatório semanal Commitment of Traders (COT) mostrou que os fundos aumentaram em 791 contratos líquidos suas posições compradas em açúcar em Nova Iorque na semana encerrada em 15 de setembro, para 161.342 contratos, o maior volume em quase três anos.

StoneX reduz projeção de déficit

Outro fator que pesa sobre o mercado é a revisão feita pela StoneX para o balanço global de açúcar. A consultoria reduziu de 1,7 milhão para 900 mil toneladas sua estimativa de déficit para a temporada 2026/27.

Para 2025/26, que termina neste mês, a StoneX passou a projetar um superávit de 1,45 milhão de toneladas, ante 2,9 milhões de toneladas na previsão anterior.

Para a próxima temporada, a consultoria considera a possibilidade de uma moagem recorde no Centro-Sul do Brasil. Ao mesmo tempo, mantém no radar os riscos para as safras de importantes produtores, como Índia, Tailândia, União Europeia, México e América Central.

A Organização Internacional do Açúcar (ISO) trabalha com uma estimativa menor de déficit, de 200 mil toneladas para 2026/27, após um superávit projetado em 1,1 milhão de toneladas na temporada 2025/26.

Chuvas no Brasil e clima internacional

As condições climáticas continuam influenciando as perspectivas para a oferta. No Brasil, as chuvas no Centro-Sul têm atrasado a colheita e a moagem de cana. Segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), a produção de açúcar na região caiu 26,3% em junho, para 3,903 milhões de toneladas.

Na Índia, o acumulado da temporada de monções estava 15% abaixo da média até 23 de setembro. O país também autorizou a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto sem tarifa até 31 de outubro.

Na Tailândia, a Thai Sugar Millers estima queda de 17% na produção de açúcar em 2026/27, para 10 milhões de toneladas.

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