Tirso Meirelles, presidente da Faesp, faz forte e crítico pronunciamento na Abertura Nacional do Plantio da Soja
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Durante a cerimônia da Abertura Nacional do Plantio da Soja, promovida pela Aprosoja Brasil e Aprosoja São Paulo, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Tirso Meirelles, fez um pronunciamento contundente sobre as condições estruturais, econômicas e políticas enfrentadas pelos produtores rurais brasileiros. Na oportunidade, Meirelles cobrou um projeto de país de longo prazo e maior suporte aos agricultores que sustentam a balança comercial nacional.
Relações comerciais e cenário fiscal
O líder da Faesp iniciou seu discurso criticando atritos diplomáticos desnecessários, destacando a relevância dos Estados Unidos e da China para a economia brasileira. "O maior comprador, sem dúvida nenhuma, é a China, mas o maior investidor é o americano", ponderou, alertando para o impacto de posturas políticas que possam estremecer pontes econômicas estratégicas. Meirelles também expressou preocupação com o comprometimento do Produto Interno Bruto (PIB) e o endividamento do país, ressaltando o peso fiscal transferido para as futuras gerações.
Fragilidade no seguro agrícola e corte de recursos
Entre os pontos mais críticos levantados pelo representante do setor produtivo está a carência de proteção financeira ao agricultor. Segundo Meirelles, o volume de recursos disponibilizados ao agro sofreu corte próximo de 25% em relação ao período anterior, somado a contingenciamentos. O dirigente também chamou atenção para a discrepância na cobertura do seguro rural entre o Brasil e o mercado internacional.
"Hoje nós não temos seguro. 3% da nossa safra tem seguro; o americano é 94%", comparou. Meirelles refutou ainda discursos que sugerem subserviência do campo ao governo: "Dizem que se não fosse o governo, hoje os agricultores teriam de estar de joelho. Aonde de joelho? O que nós estamos fazendo é para manter a nossa balança comercial, criar condições de emprego e renda para a nossa sociedade", enfatizou.
Gargalos de armazenagem e lentidão na infraestrutura
A falta de estrutura logística também foi um dos pilares do discurso. Meirelles apontou o déficit severo de capacidade estática no país, o que obriga produtores a escoar grande parte da colheita imediatamente por via rodoviária. "90% da nossa safra está em caminhões", alertou, citando ainda a morosidade em obras estratégicas de transporte multimodal, como os atrasos de décadas para a conclusão de trechos da Ferrogrão.
Para o presidente da Faesp, o Brasil carece de planejamento para as próximas duas décadas: "Se nós não temos um projeto de país, quem se preocupa com o que vai acontecer com o nosso país daqui a 20 anos? Precisamos ter uma visualização do que precisamos estruturar", defendeu.
Gestão de risco na safra de soja
Ao abordar a atual safra de soja, Meirelles pontuou que o momento exige prudência e gestão técnica. Afastando qualquer rótulo de pessimismo, ele destacou variáveis como a queda nos estoques, a volatilidade dos prêmios e as incertezas climáticas como fatores que demandam ferramentas de mercado por parte dos produtores.
Como recomendação final aos sojicultores, Meirelles orientou o fortalecimento do planejamento empresarial e o uso de instrumentos de proteção financeira: "Procure o sindicato e a Aprosoja para fazer seu plano de negócio melhor, justo e certinho, para que você possa fazer o custo de produção, travar o preço, usar o hedge e criar condições necessárias a seu favor", concluiu.
* Com auxílio de IA