Milho se recupera de forte queda em Chicago nesta 6ª, mas B3 fecha no vermelho
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Os preços do milho conseguiram se recuperar das fortes perdas registradas no início da sessão desta sexta-feira (25) na Bolsa de Chicago, enquanto os futuros negociados na B3 terminaram o dia no campo negativo. Em Chicago, o dezembro/26 chegou a recuar para US$ 5,1475 por bushel durante o pregão, em uma sessão marcada inicialmente por forte pressão também sobre o trigo. A queda levou os preços a romperem suportes gráficos, acionando ordens de venda e ampliando as perdas principalmente nos dois cereais. Ao longo da sessão, porém, os grãos recuperaram terreno.
Assim,o dezembro/26 fechou o dia com 5,28 por bushel, com ganho de 1,25 ponto; o março/27 foi a US$ 5,42, subindo 0,50 ponto, enquanto o maio/27 subiu também 0,75 ponto e encerrou o pregão cotado a US$ 5,49.
O trigo foi um dos principais vetores de pressão sobre o milho no começo do dia. Segundo informações da Agrinvest Commodities, o cereal chegou a perder cerca de 20 cents nesta sexta-feira e acumulava queda de aproximadamente 30 cents na semana. Também entraram no radar as discussões entre diversos países sobre a possibilidade de criação de um novo corredor de exportação de grãos no Mar Negro. Até esta sexta-feira, porém, não havia definição concreta sobre a iniciativa.
Outro fator importante para a volatilidade desta sexta-feira foi a mudança nas previsões para o Meio-Oeste dos Estados Unidos. O excesso de chuvas vinha atrasando a colheita de soja e milho e aumentando as preocupações com qualidade e disponibilidade no curto prazo. De acordo com a Agrinvest, porém, os mapas meteorológicos passaram a apontar tempo mais seco e quente para os próximos 10 a 15 dias, condição que tende a favorecer a normalização dos trabalhos de campo.
O mercado também continua acompanhando os desdobramentos das conversas comerciais entre Estados Unidos e China. As discussões entre Donald Trump e Xi Jinping passaram pela possibilidade de expansão do comércio agrícola americano, mas até esta sexta não haviam sido divulgados novos compromissos quantificados de compras chinesas de grãos, o que contribuiu para a lateralidade dos mercados na conclusão desta semana.
B3 FECHA EM BAIXA
Na B3, a sexta-feira terminou com os preços no vermelho. Os futuros do cereal terminaram perdendo entre 0,1% e 0,5% nas posições mais negociadas, levando o novembro a R$ 75,52 e o março/27 a R$ 81,70 por saca. Além das referências externas e do câmbio, o mercado brasileiro encontra resistência na lentidão das exportações, que limita uma recuperação mais consistente dos preços, embora a demanda doméstica permaneça firme.
Em entrevista ao Notícias Agrícolas nesta sexta-feira, Roberto Carlos Rafael, da Germinar Corretora, destacou justamente esse descompasso. Com preços nos portos pouco atrativos ao produtor, o ritmo das negociações destinadas à exportação permanece contido. Ao mesmo tempo, o consumo interno ajuda a absorver parte da oferta e funciona como contraponto à pressão sobre as cotações.
Veja a entrevista completa:
Para Rafael, esse cenário exige atenção também na estratégia de comercialização. O produtor precisa escalonar as vendas, evitando concentrar volumes maiores mais adiante diante do risco de nova pressão sobre os preços. Notícias Agrícolas
A leitura ajuda a explicar por que, mesmo após a forte recuperação intradiária de Chicago, a B3 permaneceu no vermelho nesta sexta-feira: o mercado doméstico ainda precisa de uma participação mais forte das exportações para ganhar sustentação adicional, enquanto a demanda interna segue cumprindo papel importante.
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