Potássio recua quase 10% em nove semanas e abre alívio para compras da safrinha 2027
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Os preços do cloreto de potássio (KCl) acumulam quase 10% de queda nos portos brasileiros após nove semanas consecutivas de recuo, abrindo uma janela mais favorável para produtores que ainda precisam avançar nas compras de fertilizantes para o milho segunda safra de 2027.
Segundo análise de Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, o potássio vem apresentando comportamento diferente de outros nutrientes em um ano marcado por forte volatilidade no mercado internacional de fertilizantes.
Enquanto produtos como a ureia sofreram maior pressão nas últimas semanas, o KCl permaneceu relativamente menos exposto às tensões envolvendo o Oriente Médio e às dificuldades de navegação na região.
Um dos principais motivos está na localização dos maiores fornecedores mundiais. Rússia, Bielorrússia e Canadá respondem juntos por aproximadamente 75% das exportações globais de cloreto de potássio e estão geograficamente distantes do epicentro das atuais dificuldades logísticas no Oriente Médio.
No mercado brasileiro, essa distribuição também é relevante. Entre janeiro e agosto de 2026, o Canadá respondeu por 39% das importações brasileiras de KCl, enquanto a Rússia representou outros 31%.
Com oferta considerada confortável e menor exposição às atuais restrições logísticas, os preços do potássio estão próximos dos níveis registrados no início de 2026 e apenas cerca de 5% acima dos observados no mesmo período do ano passado.
Nas últimas nove semanas, porém, a trajetória foi de queda contínua nos portos brasileiros, acumulando desvalorização pouco inferior a 10%.
POTÁSSIO E UREIA SEGUEM CAMINHOS OPOSTOS
O movimento reforça a diferença de comportamento entre os principais nutrientes neste momento.
Na semana passada, levantamento também da StoneX mostrou que a ureia havia avançado por cinco semanas consecutivas no mercado brasileiro, acumulando valorização próxima de 20%. A alta estava relacionada à combinação entre maior demanda, custos do gás natural e incertezas no mercado internacional.
No potássio, o cenário é oposto. Além da oferta confortável, os compradores brasileiros vêm demonstrando menor urgência nas aquisições. Com o avanço do plantio da soja 2026/27, a principal temporada de compras de KCl para a safra de verão se aproxima do encerramento, reduzindo a pressão de demanda no mercado doméstico.
Esse menor apetite comprador, somado à ausência de problemas relevantes de abastecimento, ajuda a explicar a sequência de recuos nas cotações.
A queda do KCl ganha importância justamente porque parte relevante das necessidades de fertilizantes para o milho segunda safra de 2027 ainda permanece aberta.
Levantamento publicado pelo Notícias Agrícolas na semana passada indicava que aproximadamente 46% das necessidades da safrinha já haviam sido contratadas, contra 44% no mesmo período do ciclo anterior.
Naquele momento, a relação de troca do potássio já aparecia entre as mais favoráveis. Em Mato Grosso, inclusive, haviam sido registradas as primeiras compras de KCl para a safra 2027/28 em condições melhores do que a média histórica.
Para a StoneX, a atual fraqueza dos preços do potássio representa uma condição favorável aos produtores que ainda precisam completar suas aquisições para a próxima segunda safra.
O movimento, porém, não significa uma redução equivalente no custo total de fertilizantes. Cada nutriente segue uma dinâmica própria, e a recente valorização da ureia mostra que o cenário continua mais pressionado para os nitrogenados.
Assim, enquanto parte dos insumos permanece exposta à volatilidade internacional e aos riscos logísticos, o potássio aparece neste momento como uma das poucas frentes de alívio para o planejamento da adubação da safrinha de 2027.
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