Café reverte perdas e fecha com alta de mais de 1% em NY, mesmo com pressão do real
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Os preços do café arábica encerraram as negociações desta terça-feira (29) com altas de mais de 1% na Bolsa de Nova York, revertendo as perdas registradas no início do pregão e ampliando os fortes ganhos da sessão anterior. O contrato dezembro/26 terminou com avanço de 1,37%, cotado a 292,70 cents por libra-peso, enquanto março/27 ganhou 1,02%, para 283,75 cents/lb. Maio/27 fechou a 280,55 cents/lb, alta de 0,81%, julho/27 avançou 0,58%, para 278,10 cents/lb, e setembro/27 subiu 0,53%, cotado a 275,75 cents/lb.
A recuperação chama atenção justamente pelo comportamento do mercado ao longo do dia. Nas primeiras horas do pregão, o café operou no vermelho e o dezembro chegou a perder mais de 1%, com o portal internacional Barchart destacando a desvalorização do real frente ao dólar entre os principais fatores de pressão sobre as cotações.
Um real mais fraco tende a estimular as vendas dos produtores brasileiros, uma vez que melhora a remuneração das exportações convertidas para a moeda nacional, podendo aumentar a disponibilidade de café do maior produtor mundial no mercado internacional. A moeda americana, todavia, foi perdendo um pouco mais de força e no fim da tarde desta terça já trabalhava com estabilidade, mas ainda acima dos R$ 5,20.
A pressão do câmbio, entretanto, não foi suficiente para sustentar as perdas em Nova York. Ao longo do pregão, os futuros encontraram suporte e inverteram o sinal, levando o dezembro novamente para perto da referência psicológica dos 300 cents/lb.
Além disso, o movimento desta terça-feira dá sequência à forte recuperação registrada na segunda-feira (28), quando as cotações também registraram ganhos bastante expressivos, pautados em movimentações técnicas e apesar de um cenário de fundamentos de poucas novidades. Assim, depois da alta expressiva da véspera e mesmo diante da pressão cambial observada nesta terça, a manutenção dos compradores no mercado ajudou o arábica a consolidar mais uma sessão positiva.
A volatilidade, porém, continua sendo uma das principais características do mercado. As cotações seguem reagindo rapidamente às mudanças no câmbio, ao comportamento das vendas brasileiras e às expectativas em relação à disponibilidade de café, mantendo os operadores atentos à capacidade de sustentação dessa recuperação nos próximos pregões.
No Brasil, o comportamento do dólar continua sendo peça importante na formação dos preços. A combinação entre uma Bolsa de Nova York novamente em alta e o real mais fraco tende a oferecer sustentação às referências domésticas, embora o ritmo de negócios continue dependendo da disposição dos produtores em avançar nas vendas.
"O mercado físico brasileiro de arábica continua procurado, com muito interesse comprador para todos os padrões de café, mas com volume de negócios fechados abaixo do usual para esta época de entrada de uma nova safra no mercado", afirma Eduardo Carvalhaes, diretor do Escritório Carvallhaes. "As fortes oscilações diárias nos contratos de arábica na ICE americana dificultam o fechamento de um número mais expressivo de negócios. Nas últimas semanas, o valor das ofertas recuou no mercado físico brasileiro, acompanhando a queda em Nova Iorque. Os produtores vendem no dia a dia o necessário para cumprir os compromissos mais próximos, que são altos nesta época de final dos trabalhos de colheita e benefício de uma nova safra".
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