Soja fecha em alta em Chicago com cobertura de posições, mas clima na AMS ditará rumos do mercado

Ginaldo de Sousa, do Grupo Labhoro, alerta que demanda fraca e falta de acordos entre EUA e China mantêm pressão, deixando o clima na América do Sul como único suporte real para os preços.
Publicado em 29/09/2026 17:19
Ginaldo de Sousa - Diretor Geral do Grupo Labhoro
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Soja fecha em alta em Chicago nesta 3ª feira e monitora de perto clima no Brasil


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Os preços da soja encerraram as negociações desta terça-feira em campo positivo na Bolsa de Chicago (CBOT), com ganhos superiores a 9 pontos nos principais contratos. O movimento representou uma recuperação parcial das perdas registradas na sessão anterior, impulsionado por um movimento técnico de recompra de posições descobertas (short covering). De acordo com a avaliação do diretor geral do Grupo Labhoro, Ginaldo de Sousa, essa sustentação momentânea não reflete fundamentos de demanda estrutural e o foco absoluto do mercado deve se voltar ao desenvolvimento climático da safra na América do Sul.

No fechamento da terça-feira na Bolsa de Chicago, o contrato de novembro da soja subiu para US$ 12,97 por bushel, enquanto janeiro/24 fechou a US$ 13,12 e março/24 a US$ 13,21 por bushel. No mercado brasileiro, a oleaginosa seguiu com liquidez moderada e negócios para embarque imediato no porto rondando patamares acima de R$ 160,00 por saca, amparados pelo suporte recente do dólar.

Relações entre EUA e China e a pressão da oferta

Durante a análise de mercado, Ginaldo ressaltou que a recente reunião entre Donald Trump e Xi Jinping transcorreu de forma protocolar, sem novidades práticas para a oleaginosa. A soja permaneceu de fora do pacote de alívio tarifário para produtos agrícolas negociados entre os dois países. Sem estímulos novos de compras chinesas, o cenário global aponta para uma concorrência acirrada e estoques robustos.

Segundo as projeções do analista, a China deve importar cerca de 115 milhões de toneladas no ciclo, das quais apenas 25 milhões seriam adquiridas nos Estados Unidos. As 90 milhões de toneladas restantes podem ser supridas tranquilamente pelo Brasil. Sob essa ótica, a produção norte-americana — estimada entre 120 e 121 milhões de toneladas — somada às safras de Brasil e Argentina, pode gerar excedentes expressivos no mercado internacional se o clima for favorável.

Clima na América do Sul é o fiel da balança

Na visão do diretor da Labhoro, o único fator com real capacidade de sustentar ou elevar os preços daqui para frente é uma eventual frustração climática na América do Sul. Caso o continente confirme uma colheita plena, a tendência natural é de queda nos valores em Chicago.

Ginaldo pontuou que, a despeito de divergências teóricas entre climatologistas sobre a plena configuração do fenômeno El Niño, os impactos meteorológicos históricos estão se manifestando de forma visível: excesso de precipitações na região Sul e irregularidade pluviométrica no Centro-Norte e no Matopiba. O consultor ponderou que chuvas em excesso raramente promovem quebras generalizadas de safra como a seca é capaz de fazer, provocando apenas danos pontuais, embora o atraso no plantio em estados como Mato Grosso exija vigilância contínua.

Estratégia e cautela para o produtor

Diante do quadro de incertezas climáticas e margens operacionais mais estreitas decorrentes dos custos de produção, a recomendação para o produtor rural é gerenciar o risco com precisão. Ginaldo orienta os agricultores a aproveitarem repiques de alta e movimentos de rali em Chicago para realizar vendas graduais, além de evitar acelerar os trabalhos a campo sem umidade adequada no solo, diversificando datas de semeadura para mitigar prejuízos decorrentes de estiagens pontuais.

* Com auxílio de IA

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