Ibovespa avança após dados de inflação dos EUA aquém do esperado
![]()
Por Paula Arend Laier
SÃO PAULO, 30 Set (Reuters) - O Ibovespa avançava firme nesta quarta-feira, com investidores repercutindo dados de inflação dos Estados Unidos abaixo das previsões de economistas, enquanto permanecem na expectativa do primeiro turno das eleições no Brasil.
Por volta de 11h05, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, subia 1,01%, a 185.684,03 pontos, ampliando a alta em setembro para 4,66% e no terceiro trimestre para 7,94%.
Na máxima da sessão até o momento, chegou a 186.724,96 pontos.
Nos EUA, o índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) subiu 0,3% em agosto, após um aumento de 0,1% em julho após revisão (+0,2% antes), enquanto economistas consultados pela Reuters previam alta de 0,4%. Excluindo os componentes voláteis de alimentos e energia, o índice PCE, medida de inflação preferida do Federal Reserve, subiu 0,2% no mês, ante acréscimo de 0,1% em julho e previsão do mercado de alta de 0,3%.
A pauta norte-americana ainda mostrou uma criação de empregos no setor privado acima das expectativas do mercado e uma revisão para cima do crescimento do PIB no segundo trimestre.
Na visão do estrategista-chefe da Avenue, William Castro Alves, os dados reforçam um cenário em que a economia norte-americana continua mostrando força e o mercado de trabalho permanece capaz de gerar empregos, enquanto a inflação segue como um desafio, mas veio mais branda do que o mercado esperava.
"Para os investidores, essa combinação traz algum alívio. A inflação ainda sustenta a perspectiva de novas altas de juros, mas a surpresa mais moderada do PCE pode indicar que parte da pressão já foi antecipada pelo mercado e incorporada à curva. Com isso, o movimento recente de alta dos yields dos títulos americanos pode perder intensidade, ainda que o cenário de juros mais elevados permaneça no radar."
Em Wall Street, o índice acionário S&P 500 subia 0,62%, enquanto o rendimento do título de 10 anos do Tesouro norte-americano marcava 5,2448%, de 5,255% na véspera.
No Brasil, conforme destacou o analista Gabriel Mollo, da Daycoval Corretora, o mercado segue concentrado na reta final da eleição presidencial, com o primeiro turno marcado para domingo, mas também avalia medidas recentes do governo para ajudar a reduzir o endividamento no país, em meio a discussões sobre trajetória fiscal e dívida pública.
Dados do Banco Central mostraram nesta quarta-feira que a dívida pública bruta do país como proporção do PIB fechou agosto em 82,9%, contra 82,6% em julho, embora abaixo do esperado por economistas (83%). O setor público consolidado registrou um déficit primário de R$10,012 bilhões no mês passado, mas menor do que a expectativa de um saldo negativo de R$15,7 bilhões.
DESTAQUES
• ITAÚ UNIBANCO PN subia 2,36%, em sessão positiva para o setor, com BRADESCO PN em alta de 1,86% e BANCO DO BRASIL ON com elevação de 2,13%. SANTANDER BRASIL UNIT era exceção entre os bancos do Ibovespa, com declínio de 1,76%. Também no Ibovespa, BTG PACTUAL UNIT avançava 1,48%.
• VALE ON era negociada em alta de 1,01%, em linha com papéis de mineradoras no exterior. Na China, contrato futuro de minério de ferro mais negociado na Bolsa de Commodities de Dalian subiu 0,14%. Analistas do JPMorgan atualizaram modelos para a companhia e elevaram o preço-alvo para R$114 ante R$109, com manutenção da recomendação "overweight".
• PETROBRAS PN avançava 0,69% e PETROBRAS ON subia 0,54%, endossadas pelo movimento dos preços do petróleo no mercado internacional, onde o barril do Brent registrava acréscimo de 0,84%, a US$103,45.
• CSN ON subia 5%, em pregão de correção, após tombo de quase 10% na véspera. Investidores seguem especulando sobre o plano de desinvestimentos do grupo, principalmente a venda da divisão de cimento. No setor, GERDAU PN mostrava acréscimo de 0,21% e USIMINAS PNA registrava elevação de 0,14%.
• MAGAZINE LUIZA ON valorizava-se 4,52%, em sessão positiva para ações sensíveis a juros com o declínio nas taxas dos contratos de DI. O amplo índice de consumo da B3 mostrava acréscimo de 0,79%.
• TOTVS ON recuava 3,55%, retomando o viés negativo, após a trégua na véspera, quando subiu quase 2% e interrompeu uma série de quatro quedas.
(Por Paula Arend LaierEdição Michael Susin)
0 comentário
Ibovespa renova recorde de fechamento com estrangeiros e IPCA-15
Ibovespa começa fevereiro no azul com aval de NY, mas Petrobras recua
Ibovespa testa 187 mil pontos puxado por blue chips em meio a fluxo externo
Ibovespa renova máxima com Suzano e TIM em destaque e dados dos EUA no radar
Ibovespa avança mais de 1% com Axia e Petrobras em destaque
Ibovespa melhora apoiado em petrolíferas, mas aversão a risco reduz ímpeto