Como a genética pode ser o próximo salto de produtividade para o milho

Especialista destaca que a evolução das sementes busca ganhos anuais de até 1,5%, aliando produtividade à tolerância a pragas, doenças e estresses climáticos
Publicado em 01/10/2026 10:28 | Atualizado em 01/10/2026 11:51
Marcelo Salles - Líder de Milho da Supra Sementes
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Como a genética pode ser o próximo salto de produtividade para o milho

Com a proximidade de uma nova safra de grãos e os preparativos para o planejamento da safrinha de milho, o papel da genética ganha destaque como pilar para garantir altos tetos produtivos e segurança econômica no campo. Em entrevista ao Notícias Agrícolas, o líder de milho da Supra Sementes, Marcelo Sales, explicou como a biotecnologia e o melhoramento genético têm evoluído para responder aos desafios climáticos e sanitários nas diversas regiões produtoras do Brasil.

Espaço para crescimento na safrinha brasileira

Segundo Marcelo Sales, a safrinha de milho no Brasil ainda é relativamente recente no contexto do melhoramento genético. Embora tenha se consolidado como a principal colheita de milho do país por volta de 2011 e 2012 — representando hoje cerca de 75% da produção nacional —, o tempo de desenvolvimento de cultivares ainda abre uma ampla margem de evolução produtiva se comparado a mercados como os Estados Unidos e a Argentina, onde o cereal é cultivado majoritariamente na safra de verão sob menores riscos climáticos.

"Tem bastante espaço ainda para a genética ganhar. O melhoramento genético demanda um pouco de tempo para você conseguir extrair o máximo do que ele precisa. A safrinha é onde tem muito mais riscos, então eu considero que ainda tem bastante espaço para a genética contribuir no ganho de produtividade", afirmou Sales.

Adaptação regional e a importância da janela de plantio

Dada a extensão continental do território brasileiro, as características dos híbridos devem atender a perfis climáticos e fitossanitários totalmente distintos. No Sul e em estados como o Mato Grosso do Sul e Paraná, o risco de geada e a incidência de ventos demandam materiais de ciclo mais precoce e com alta qualidade de colmo para a colheita. Já no Centro-Oeste e na região do Matopiba, a prioridade recai sobre a tolerância ao estresse hídrico e a pressão de patógenos tropicais.

Sales enfatizou que o produtor rural precisa olhar para a janela de plantio desde a escolha do ciclo da soja na primeira safra, viabilizando uma semeadura de milho em condições favoráveis. A partir dessa janela, seleciona-se a genética alinhada aos desafios específicos do talhão.

Fatores defensivos ganham o mesmo peso da produtividade

Nos programas de melhoramento genético, a busca por lançamentos comerciais gira em torno de ganhos de 1% a 1,5% de produtividade por híbrido lançado. No entanto, o especialista ressalta que o foco exclusivo no volume produzido deu lugar a uma abordagem mais ampla, em que a defesa da planta possui peso equivalente ao teto produtivo.

"Hoje, os fatores defensivos têm o mesmo peso que o ganho de produtividade. Não só olhamos o quanto ele produz, mas o quanto ele consegue se defender e qual a resiliência dele contra os principais riscos da safrinha", pontuou Sales. Entre as ameaças monitoradas de perto nas fases de teste de novos materiais estão a pressão da cigarrinha (vetor de viroses e enfezamentos), o fungo Bipolaris e o estresse hídrico prolongado.

A conta da rentabilidade com segurança

Para assegurar a eficiência dos novos materiais, o produtor precisa colocar na ponta do lápis os limites e o histórico da sua região. Enquanto áreas consolidadas próximas à BR-163, no Mato Grosso, visam patamares de 180 a 190 sacas por hectare (11 a 12 toneladas), regiões de maior vulnerabilidade climática no Norte trabalham com expectativas em torno de 7 a 8 toneladas por hectare.

Com essa definição em mãos, o produtor calcula o manejo necessário — estimando a quantidade de aplicações de inseticidas e fungicidas exigidas por cada cultivar — para balancear investimento em tecnologia e segurança operacional. A evolução constante da genética, portanto, depende do alinhamento rigoroso entre a biologia da planta e a realidade do manejo executado na fazenda.

* Com auxílio de IA

 

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