Açúcar fecha em alta em Nova Iorque e Londres com sinais de demanda mais firme
![]()
Os preços do açúcar fecharam em alta nas bolsas de Nova Iorque e Londres nesta quinta-feira (1º), sustentados principalmente por sinais de que a demanda física pelo produto pode estar mais firme do que o mercado projetava anteriormente. A revisão para baixo da estimativa de entrega do contrato de outubro em Nova Iorque ajudou a dar suporte às cotações.
Em Nova Iorque, o contrato de açúcar bruto para março de 2027 avançou 33 pontos, encerrando a sessão a 18,94 centavos de dólar por libra-peso. Em Londres, o contrato de açúcar branco para dezembro subiu 100 pontos, para US$ 507,30 por tonelada.
A Covrig Analytics estima agora que 1,45 milhão de toneladas de açúcar sejam entregues para liquidar o contrato de outubro em Nova Iorque, que expirou na quarta-feira (30). O volume está abaixo da estimativa anterior, de 1,80 milhão de toneladas.
A revisão é interpretada pelo mercado como um sinal de demanda física mais forte. A expectativa de uma entrega menor reduz a percepção de excesso de oferta disponível para entrega imediata e ajuda a sustentar os preços.
O movimento ocorre após um período de pressão sobre o açúcar, marcado por preocupações com a demanda. Em setembro, inclusive, o contrato de Nova Iorque chegou a acumular perdas diante de sinais considerados negativos para o consumo físico.
Brasil reduz produção com avanço das chuvas
Os dados mais recentes da produção brasileira também contribuíram para o suporte às cotações. A produção de açúcar no Centro-Sul caiu 41,6% na primeira quinzena de setembro, para 2,12 milhões de toneladas, segundo dados divulgados nesta quinta-feira.
A moagem de cana recuou 34,2%, para 30,16 milhões de toneladas, com as chuvas prejudicando as operações de colheita e processamento.
No acumulado da safra 2026/27 até 15 de setembro, a moagem chegou a 443,71 milhões de toneladas, queda de 1,5% na comparação anual. A produção de açúcar caiu 14,4%, para 26,07 milhões de toneladas.
Outro fator importante é o direcionamento de uma parcela maior da cana para o etanol. No acumulado da temporada, a produção total de etanol avançou 8,7%, para 22,94 bilhões de litros, enquanto a produção de açúcar recuou.
Na primeira quinzena de setembro, a fabricação de etanol caiu 27,2%, para 1,72 bilhão de litros, queda menor que a registrada na produção de açúcar.
Déficit global volta ao radar
Além dos dados brasileiros, o mercado acompanha as perspectivas para o balanço mundial. A Organização Internacional do Açúcar (ISO) estima déficit global de 200 mil toneladas em 2026/27, após um superávit de 1,1 milhão de toneladas projetado para 2025/26.
A produção mundial deve recuar cerca de 1% na próxima temporada, para 180,1 milhões de toneladas, segundo a entidade.
Outras estimativas também apontam para um mercado mais apertado. A Covrig Analytics projeta déficit de 300 mil toneladas para 2026/27, enquanto a StoneX, em sua estimativa mais recente, trabalha com déficit de 900 mil toneladas.
Para 2027/28, a Czarnikow projeta um déficit ainda maior, de 2,9 milhões de toneladas, com produção global estimada em 177 milhões de toneladas, queda de 0,7% em relação à temporada anterior.
Clima mantém mercado em alerta
O clima continua entre os principais fatores acompanhados pelos participantes do mercado. A possibilidade de impactos do fenômeno El Niño sobre as principais regiões produtoras aumenta as incertezas sobre a oferta mundial.
Brasil, Índia e Tailândia estão entre os países mais importantes para o abastecimento global. Na Índia, o acumulado das chuvas de monção entre junho e setembro ficou 12,6% abaixo da média até 30 de setembro, segundo o Departamento Meteorológico do país, no menor nível em 11 anos.
A situação climática ajuda a explicar parte das preocupações com a produção indiana. Ao mesmo tempo, o governo autorizou a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto sem cobrança de impostos até 31 de outubro, em uma medida incomum para um país que tradicionalmente possui papel relevante nas exportações globais.
Na Tailândia, a Thai Sugar Millers Corp. estima queda de 17% na produção de açúcar em 2026/27, para 10 milhões de toneladas.
Com demanda física dando sinais de recuperação, produção brasileira pressionada pelas chuvas e incertezas sobre as próximas safras nos principais produtores, o mercado segue avaliando um cenário de oferta global mais restrita para as próximas temporadas.
0 comentário
Moagem de cana do centro-sul cai pela 1ª vez no acumulado da safra por chuvas em setembro
Açúcar fecha em alta em Nova Iorque e Londres com sinais de demanda mais firme
Biogás e biometano ganham força no Brasil com avanço de financiamentos e novos projetos
Açúcar recupera terreno em Nova Iorque e Londres com oferta no radar
Açúcar fecha em baixa em Nova Iorque e Londres com demanda fraca no radar
Usinas de cana avançam sobre o etanol de milho para aproveitar entressafra e ampliar receitas