El Niño chega a patamar muito forte e pode intensificar calor e chuva irregular no Brasil

Fenômeno alcança intensidade muito forte e deve manter influência sobre chuva e temperaturas no Brasil até o início de 2027
Publicado em 02/10/2026 12:14

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O El Niño ganhou força nas últimas semanas e já alcança um patamar considerado muito forte, com anomalia de temperatura da superfície do mar entre 2,5°C e 2,7°C na região equatorial central do Pacífico. Segundo o meteorologista Francisco de Assis, a tendência é que o fenômeno permaneça ativo até pelo menos o primeiro trimestre de 2027, com reflexos diferentes entre as regiões brasileiras.

De acordo com o especialista, o aquecimento vem se intensificando desde julho. Após a anomalia superar 2°C ao longo de agosto e setembro, os valores avançaram novamente na segunda quinzena de setembro.

"Hoje está mais 2,7°C. Isso significa dizer que é um El Niño muito forte", explica Francisco de Assis.

Na prática, a intensificação do fenômeno aumenta a atenção sobre dois comportamentos que já vêm sendo observados no país: temperaturas elevadas e distribuição irregular das chuvas.

anomalia el nino
El Niño ganha força com aumento da temperatura das águas do Pacífico Equatorial e vai influenciar o clima brasileiro ate 2027

Sul pode ter chuva mais frequente e intensa

O Sul do Brasil permanece entre as regiões que mais sentem os efeitos do El Niño. Com o fenômeno mais intenso, a previsão é de maior frequência e intensidade de episódios de chuva e tempestades.

"Então, o que vai ocorrer na região Sul é chuva intensa, tempestades, de maneira mais intensa. Tempestades têm existido, mas podem ficar mais frequentes, mais intensas. Também é contribuição desse El Niño", afirma o meteorologista.

Centro do país terá chuva, mas de forma irregular

Enquanto o Sul tende a concentrar mais chuva, a situação é diferente no Centro-Oeste e em parte do Sudeste. Francisco de Assis destaca que o El Niño não significa ausência de precipitação, mas pode alterar a distribuição das chuvas durante a primavera e o verão.

"Não quer dizer que não vai ter chuva, mas ela deve ser de maneira irregular", explica.

Segundo o meteorologista, áreas de Mato Grosso e Goiás podem enfrentar períodos de chuva intercalados com intervalos mais secos. O mesmo comportamento pode aparecer em partes do Nordeste.

"Vai ser chuva abaixo da climatologia", resume Francisco.

Calor também ganha força

Outro reflexo associado ao episódio de El Niño é a manutenção de temperaturas elevadas em diferentes áreas do Brasil. O meteorologista relaciona o atual cenário de calor intenso ao comportamento do fenômeno e lembra episódios anteriores de El Niño que também foram acompanhados por temperaturas excepcionalmente altas.

"Essas altas temperaturas que já atingem muitos estados, acima de 40 graus, têm a contribuição do El Niño", afirma.

Fenômeno pode continuar até 2027

A perspectiva apresentada pelo meteorologista é de manutenção do El Niño forte pelo menos até o primeiro trimestre de 2027.

A intensidade, no entanto, não deve permanecer necessariamente no mesmo nível durante todo o período. Francisco explica que, assim como o Pacífico aqueceu rapidamente, o enfraquecimento do fenômeno também pode ocorrer de forma acelerada.

"A tendência é que ele deve ficar ativo pelo menos aí até o primeiro trimestre de 2027. Provavelmente ele vai ter uma queda muito brusca quando começar a enfraquecer", diz.

Esse comportamento será importante para definir a evolução das condições de chuva e temperatura ao longo do verão e também para o início de 2027.

Apesar das diferenças entre os episódios históricos, Francisco ressalta que os efeitos típicos do El Niño permanecem como referência para o acompanhamento das condições meteorológicas.

"Os padrões não mudam. Os padrões podem fazer com que a gente enfrente mais tempo, ou antes ou depois, e também pode afetar determinada região, numa microrregião, uma situação. Mas os padrões permanecem", afirma.
 

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