Açúcar dispara nas bolsas de Nova Iorque e Londres nesta sexta-feira
![]()
Os preços do açúcar operam em forte alta nas bolsas de Nova Iorque e Londres nesta sexta-feira (2), dando sequência ao movimento positivo registrado na sessão anterior. O mercado acompanha sinais de demanda física mais firme, enquanto problemas na produção brasileira e preocupações com a oferta global continuam dando suporte às cotações.
Por volta das 12h40 (horário de Brasília), o contrato de açúcar bruto para março de 2027 em Nova Iorque avançava 70 pontos, cotado a 19,64 centavos de dólar por libra-peso.
Em Londres, o contrato de açúcar branco para dezembro subia 197 pontos, negociado a US$ 522,00 por tonelada. Já o contrato para março de 2027 avançava 194 pontos, para US$ 590,50 por tonelada.
Demanda ganha força no radar
O movimento desta sexta-feira ocorre após o mercado ter recebido sinais mais positivos sobre a demanda. Na quinta-feira (1º), os preços fecharam em alta nas duas bolsas depois que a Covrig Analytics reduziu sua estimativa para a entrega do contrato de outubro em Nova Iorque, que expirou na quarta-feira (30).
A consultoria agora estima que 1,45 milhão de toneladas de açúcar tenham sido entregues para liquidar o contrato, abaixo da projeção anterior de 1,80 milhão de toneladas.
A revisão reforça a percepção de que a demanda física pode estar mais firme do que o inicialmente projetado. Uma entrega menor também reduz a percepção de excesso de produto disponível para entrega imediata.
Brasil segue no foco do mercado
Os dados mais recentes do Centro-Sul brasileiro também ajudam a sustentar as cotações. A produção de açúcar caiu 41,6% na primeira quinzena de setembro, para 2,12 milhões de toneladas, enquanto a moagem de cana recuou 34,2%, para 30,16 milhões de toneladas.
As chuvas atrapalharam o avanço da colheita e da moagem em importantes áreas produtoras.
No acumulado da safra 2026/27 até 15 de setembro, a moagem de cana chegou a 443,71 milhões de toneladas, queda de 1,5% em relação ao mesmo período da temporada anterior. A produção de açúcar recuou 14,4%, para 26,07 milhões de toneladas.
Outro ponto acompanhado pelos agentes é o direcionamento de maior volume de cana para a produção de etanol. No acumulado da safra, a fabricação do biocombustível avançou 8,7%, para 22,94 bilhões de litros, enquanto a produção de açúcar apresentou queda.
Balanço global também dá suporte
As perspectivas para a oferta mundial continuam entre os principais fundamentos acompanhados pelo mercado.
A Organização Internacional do Açúcar (ISO) projeta déficit global de 200 mil toneladas em 2026/27, depois de um superávit estimado em 1,1 milhão de toneladas na temporada 2025/26.
A produção mundial deve recuar cerca de 1% na próxima safra, para 180,1 milhões de toneladas.
Outras consultorias também trabalham com um cenário de oferta mais apertado. A Covrig Analytics estima déficit de 300 mil toneladas em 2026/27, enquanto a StoneX projeta déficit de 900 mil toneladas.
Para 2027/28, a Czarnikow prevê um déficit global de 2,9 milhões de toneladas, com produção mundial estimada em 177 milhões de toneladas, queda de 0,7% em relação ao ciclo anterior.
Clima mantém incertezas sobre produção
As condições climáticas nas principais regiões produtoras continuam no radar. Brasil, Índia e Tailândia concentram parte importante da produção mundial, e problemas de clima podem limitar a oferta nas próximas temporadas.
Na Índia, o acumulado das chuvas de monção ficou 12,6% abaixo da média até 30 de setembro, o menor nível em 11 anos, segundo o Departamento Meteorológico do país.
O governo indiano também autorizou a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto sem impostos até 31 de outubro, em uma medida que reforça a necessidade de abastecimento interno em meio às preocupações com a produção.
Na Tailândia, a Thai Sugar Millers Corp. estima queda de 17% na produção de açúcar em 2026/27, para 10 milhões de toneladas.
0 comentário
Açúcar dispara nas bolsas de Nova Iorque e Londres nesta sexta-feira
Alívio para o Matopiba: chuva retorna e pode recuperar umidade do solo neste fim de semana
Chuva avança pelo Brasil e temporais entram no radar neste fim de semana
El Niño chega a patamar muito forte e pode intensificar calor e chuva irregular no Brasil
Chuva se espalha pelo país neste fim de semana e alcança o Matopiba
Chuva ganha força e temporais mudam o cenário do fim de semana