Boa Tarde Agro - Semana de forte volatilidade marca o agronegócio com pressão sazonal em Chicago e cautela pré-eleitoral no Brasil
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O encerramento da semana trouxe um panorama de intensa movimentação e cautela para os principais mercados do agronegócio. Em meio ao avanço da colheita nos Estados Unidos, ao início dos trabalhos de plantio da safra de verão no Brasil e à expectativa diante do cenário eleitoral e de relatórios internacionais, as cotações agrícolas registraram oscilações expressivas nas bolsas externas e no mercado doméstico.
Soja: pressão sazonal externa e sustentação pelo câmbio
Na Bolsa de Chicago, a soja enfrentou dias de recuo nos preços, rompendo suportes importantes e fechando os contratos mais negociados no campo negativo. A pressão sazonal provocada pela entrada da safra norte-americana e a falta de fatos novos na demanda internacional pesaram sobre os contratos futuros. Em entrevista, o consultor de mercado Vítor Caos, da Venda na Hora Certa, destacou que o mercado opera sem fôlego adicional de compras.
"Existem fatores novos que precisariam acontecer para que as cotações voltassem a subir, como compras muito aceleradas da China ou atrasos severos no plantio brasileiro, o que ainda não é a realidade. O mercado tem ficado muito lateralizado e os prêmios, juntamente com o dólar, têm sustentado os preços em reais", explicou Vítor Caos. O analista ainda frisou a relevância de o produtor observar o carrego cambial e utilizar ferramentas de proteção financeira em vez de focar apenas no preço spot.
Milho enfrenta perdas expressivas e redução no ritmo exportador
O mercado do milho encerrou a semana acumulando queda de quase 6% na Bolsa de Chicago, influenciado pelo aumento dos estoques trimestrais divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). No Brasil, as cotações na B3 acompanharam o movimento baixista internacional.
Além da pressão dos estoques nos EUA, o consultor Luiz Fernando Gutierrez, da Safras/HedgePoint, alertou para o comportamento das exportações brasileiras. Embora o consumo interno siga aquecido, as estimativas de embarques nacionais recuaram de patamares entre 42 e 43 milhões de toneladas para cerca de 38 milhões de toneladas — volume inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior —, o que pode limitar a sustentação das cotações no fechamento do ano.
Café, algodão e açúcar: fundamentos ajustados e desafios climáticos
No complexo cafeeiro, a semana foi marcada por volatilidade, mas com fechamento favorável aos preços. Eduardo Carvalhaes, diretor do Escritório Carvalhaes, pontuou que o cenário de oferta restrita no médio prazo permanece ativo: "Se não faltar café, sobrar também não vai", salientou, lembrando que os armazéns cheios refletem o pico de entrada da colheita recém-concluída, mas os estoques certificados globais continuam reduzidos.
No mercado de fibras, o algodão encerrou a semana com recuo de quase 5% na Bolsa de Nova York, devolvendo ganhos observados em meses anteriores. Já no setor sucroenergético, as atenções recaem sobre os impactos das chuvas nas áreas canavieiras do Centro-Sul do país, que prejudicaram o ritmo da colheita e podem elevar o volume de cana bisada para o ciclo seguinte, influenciando tanto a produção de açúcar quanto o direcionamento para o etanol.
Combustíveis e pecuária
No setor de combustíveis, levantamento da Edenred Mobilidade indicou que o etanol hidratado subiu mais de 3% no Sudeste no encerramento de setembro, mas segue como a opção economicamente mais vantajosa frente à gasolina e ao diesel. Já na pecuária de corte, analistas apontam que o mercado futuro de boi gordo precisaria de estímulos mais consistentes de preços para garantir a oferta de animais no início de 2027, em meio à desaceleração recente nos abates e recomposição de margens.
Perspectivas e clima
O monitoramento meteorológico aponta para os efeitos de um El Niño de forte intensidade, trazendo calor persistente e distribuição irregular das chuvas no país, com divergências entre especialistas sobre a consolidação total do fenômeno. Diante das oscilações climáticas talhão a talhão e das indefinições políticas e macroeconômicas, a recomendação central para o produtor rural é manter disciplina na gestão de custos e planejamento escalonado da comercialização.
* Com auxílio de IA
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