Ibovespa dispara e chega aos 209 mil pontos após 1º turno das eleições presidenciais com Flávio na frente
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SÃO PAULO, 5 Out (Reuters) - O Ibovespa disparou nesta segunda-feira, atingindo os 209 mil pontos pela primeira vez, com o mercado avaliando o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais realizadas no domingo, que mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa do segundo turno.
Às 11h45, o índice de referência do mercado acionário brasileiro disparava 7,64%, a 206.787,67 pontos.
Na mínima, o Ibovespa atingiu 192.137,63 pontos enquanto, na máxima, chegou a 209.605,70 pontos, maior nível intradiário histórico.
Com 100% das seções eleitorais apuradas no domingo, Flávio liderou o resultado do primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula somou 45,16%, uma vantagem de cerca de 2,2 milhões de votos para o senador.
Pesquisas apontavam que Lula lideraria o primeiro turno e Flávio Bolsonaro ficaria em segundo lugar.
Ainda no domingo, após a apuração, Flávio afirmou que o resultado das urnas decreta "o fim da era PT" e comprometeu-se com o fim da reeleição caso eleito, afirmando que só precisará de um mandato para resolver os problemas do país.
O resultado de domingo foi muito bem recebido pelo mercado, com o índice futuro do Ibovespa com vencimento mais curto, em 14 de outubro, subindo mais de 7% desde antes da abertura, fazendo a B3 ampliar de 10% para 13% o limite superior de oscilação diária dos futuros e minifuturos de Ibovespa para todos os vencimentos nesta segunda-feira.
"Esse primeiro momento de euforia é uma reprecificação da curva de juros e da política fiscal que deve ser adotada no próximo governo, com muita expectativa sobre os R$300 bilhões do 'tesouraço' prometido pelo Flávio Bolsonaro", disse o analista de renda variável da Manchester Investimentos, Felipe Cima.
Para os analistas do Citi, o resultado até o momento "sugere uma maior confiança do mercado em um quadro de políticas mais voltado para o mercado e fiscalmente conservador, centrado na disciplina fiscal, na redução da inflação, em incentivos ao setor privado e em uma maior confiança dos investidores".
"Nesse contexto, continuamos a dar preferência a títulos de beta mais elevado, que devem se beneficiar mais da melhora no apetite pelo risco e da maior atividade no mercado de capitais, notadamente XP, B3 e BTG", disse o Citi em relatório.
Ainda assim, o banco alerta que, embora a reação do mercado possa permanecer positiva no curto prazo, "os investidores devam estar cientes de que a incerteza eleitoral provavelmente persistirá até o segundo turno".
Segundo o BTG, se Bolsonaro sair vitorioso no segundo turno, as ações brasileiras poderão retornar rapidamente à sua média histórica de 10 anos, o que significa um potencial de alta que varia de 11% a 20% em reais.
"Se o Ibovespa atingir um desvio-padrão acima da média, o que é bastante provável, a alta poderá variar de 32% a 45%", disse o banco em relatório.
Na avaliação do banco, setores como varejo, construtoras de médio a alto padrão, empresas do mercado de capitais e empresas alavancadas devem ter um desempenho "desproporcionalmente bom", além de empresas "com grandes posições vendidas".
O banco citou como empresas preferidas as varejistas de vestuário Renner e C&A, a rede de supermercados Assaí, a construtora Cyrela, as empresas do mercado de capitais B3 e XP, a locadora de veículos Localiza, a operadora de rodovias com pedágio Motiva, a rede de hospitais Rede D’Or, as empresas de serviços públicos Equatorial, Energisa, Auren e Sabesp, e a operadora de shoppings Allos.
DESTAQUES
• PETROBRAS PN disparava 5,84% e PETROBRAS ON avançava 4,61%, na esteira da euforia dos papéis de estatais após os resultados do primeiro turno das eleições, se descolando da tendência externa, com o Brent operando em queda.
• BTG PACTUAL disparava 23%, sendo uma das maiores altas do Ibovespa, e ITAÚ UNIBANCO PN subia 11%, com o setor também pegando carona na euforia pós-eleição. BRADESCO PN saltava 13,1%, BANCO DO BRASIL ON subia 11,38% e SANTANDER BRASIL UNIT subia 1,25%.
• MAGAZINE LUIZA ON subia 24%, tendo liderado os ganhos do Ibovespa, e ASSAÍ ON subia 17%, com a perspectiva de juros menores favorecendo os papéis do setor. C&A MODAS ON subia 20,87%, figurando entre as principais altas do índice.
• CYRELA ON e MRV ON disparavam 23% e 15%, respectivamente, beneficiadas pelo recuo nas taxas dos DIs.
• SUZANO ON caía 6,25%, liderando as perdas do Ibovespa, em meio ao forte recuo do dólar ante o real. A valorização da divisa brasileira também prejudicava EMBRAER ON, que recuava 4,35%, sendo o segundo pior desempenho do índice.
• VALE ON recuava 3,04%. No setor, CSN MINERAÇÃO ON caía 1,2% e USIMINAS PNA recuava 2,41%, enquanto GERDAU PN registrava declínio de 1,03%.
(Por Igor SodréEdição Michael Susin)
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