Taxas longas caem mais de 130 pontos-base após Flávio Bolsonaro superar Lula no 1º turno
![]()
Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 5 Out (Reuters) - As taxas dos DIs de longo prazo desabaram mais de 130 pontos-base nesta segunda-feira, enquanto as de curto prazo passaram a precificar cerca de 15% de probabilidade de um corte maior da Selic em novembro, em meio à euforia dos investidores com o resultado do primeiro turno da corrida presidencial.
No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 12,665%, com baixa de 84 pontos-base ante o ajuste de 13,509% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 12,8%, com recuo de 133 pontos-base ante 14,131%.
A euforia dos investidores foi resultado direto da votação de domingo, que mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL) com cerca de 2 pontos percentuais à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno: 47,03% contra 45,16%. A percepção dos profissionais do mercado era de que uma virada no segundo turno, marcado para 25 de outubro, é pouco provável.
A retirada de prêmios na curva foi mais intensa no trecho longo -- mais suscetível à política fiscal. Isso porque Flávio é visto como um nome mais propenso a priorizar o ajuste das contas públicas, ainda que seus planos para a área não estejam claros, enquanto Lula enfrenta a desconfiança de uma parcela relevante do mercado.
Às 13h41, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcou a mínima intradia de 12,735%, em queda de 140 pontos-base. O recuo esteve em sintonia com o recuo do dólar, para abaixo dos R$5 em vários momentos, e a disparada do Ibovespa para acima dos 209 mil pontos.
"Mas há uma diferença importante entre expectativa e entrega. É justamente essa distância que deverá determinar quanto do movimento de hoje será sustentável", alertou Marco Saravalle, estrategista-chefe da Krivo Capital.
Ele lembrou que, além do bom desempenho de Flávio, o PL conquistou a maior bancada tanto no Senado quanto na Câmara dos Deputados.
"Uma eventual vitória de Flávio acompanhada por um Congresso mais conservador poderia, em tese, facilitar a aprovação de reformas e medidas de contenção fiscal. Mas este é também o primeiro grande ponto de atenção", disse Saravalle. "Congresso de direita não significa automaticamente Congresso fiscalista."
Durante a tarde, a Reuters informou que Lula avalia anunciar o vice-presidente Geraldo Alckmin como ministro da Fazenda em um eventual novo mandato, justamente para tentar reforçar suas credenciais no mercado financeiro durante a campanha de segundo turno.
Entre os contratos de curto prazo a redução das taxas também foi intensa, refletindo a percepção de que, se Flávio for eleito no fim do mês, crescem as chances de o Banco Central cortar a taxa básica Selic novamente em 25 pontos-base em novembro ou, até mesmo, ampliar o corte para 50 pontos-base. Atualmente a Selic está em 13,75% ao ano.
“O janeiro 2029 cai impressionantes 114 pontos-base, e a probabilidade de corte de 50 pontos em novembro vem à mesa, assim como a continuação de cortes até pelo menos meados de 2027”, comentou à tarde Lais Costa, analista da Empiricus Research.
A curva precificava durante a tarde cerca de 15% de chances de corte de 50 pontos-base da Selic em novembro, contra 85% de probabilidade de redução de 25 pontos-base. Antes do primeiro turno, as probabilidades estavam divididas entre manutenção e corte de 25 pontos-base.
O movimento nos DIs ocorreu a despeito das preocupações dos analistas com os impactos da guerra no Oriente Médio sobre os preços dos combustíveis e com os efeitos inflacionários do fenômeno climático El Niño.
A queda das taxas no Brasil também esteve na contramão do exterior, onde os rendimentos dos Treasuries voltaram a subir. Às 16h33, o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento -- subia 3 pontos-base, a 5,311%.
0 comentário
Taxas dos DIs fecham com baixas leves em reação positiva após Bolsonaro cancelar entrevista
Taxas de DIs sobem com IPCA ainda pressionado e mercado reduz apostas em corte da Selic em janeiro
Taxas de DIs caem após desempenho abaixo do esperado do setor de serviços no Brasil
Taxas caem em novo dia de busca por ativos do Brasil e alívio das tensões externas
Taxas dos DIs caem após ata do Copom reforçar expectativa de corte da Selic em março
Taxas dos DIs caem com queda inesperada de serviços e recuo dos rendimentos dos Treasuries