Boa Tarde Agro - Commodities agrícolas disparam nas bolsas nesta 3ªfeira; Secex fecha exportações de setembro

Boa Tarde Agro - Commodities agrícolas disparam nas bolsas nesta 3ªfeira; Secex fecha exportações de setembro
Publicado em 06/10/2026 16:19
Boa Tarde Agronegócio - com Carla Mendes e Guilherme Dorigatti

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O mercado agropecuário registrou um dia de intensa movimentação tanto nos pregões internacionais quanto no acompanhamento dos trabalhos de campo e nas estatísticas de comércio exterior. O balanço divulgado pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) consolidou os números dos embarques de setembro, enquanto as cotações agrícolas fecharam em alta generalizada nas bolsas de Chicago e Nova York. Ao mesmo tempo, produtores brasileiros monitoram o impacto do clima no avanço da semeadura de verão e na colheita das culturas de inverno.

Commodities disparam em Chicago e Nova York

O encerramento das negociações internacionais foi marcado por um quadro positivo para as principais commodities agrícolas. Na Bolsa de Chicago (CME), a soja registrou valorização superior a 20 pontos nos contratos principais, acompanhada pelo milho, que subiu mais de 10 pontos, e pelo trigo, com ganhos entre 11 e 12 pontos. O suporte para os grãos norte-americanos veio principalmente dos atrasos nos trabalhos de colheita nos Estados Unidos, conforme dados reportados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

Na Bolsa de Nova York (ICE), o destaque absoluto foi o café arábica, que disparou entre 3,5% e 3,7%, aproximando-se de 4% de valorização. O movimento foi impulsionado pelo recuo da cotação da moeda norte-americana frente ao real e pelas preocupações climáticas relacionadas ao fenômeno El Niño. Algodão e açúcar também acompanharam a tendência positiva, registrando altas de cerca de 0,5% e até 1%, respectivamente.

Exportações da Secex: queda no milho e destaque no farelo e frutas

Os números finais das exportações brasileiras de setembro apresentaram desempenhos divergentes entre os setores. O grande ponto de atenção foi o milho: os embarques caíram 31,08% na comparação com setembro do ano passado. No acumulado do trimestre entre julho e setembro, o volume exportado encolheu 5 milhões de toneladas em relação ao mesmo período de 2025, dificultando a meta de alcançar os 38 milhões de toneladas projetados para o ciclo atual. Analistas de mercado apontam como principal entrave a forte competitividade da Argentina, que colheu uma safra cheia e disponibiliza produto mais barato no mercado internacional.

Em contraste, as exportações de farelo de soja cresceram expressivamente, com avanço de 19,2% no volume e receita saltando quase 48% em relação a setembro de 2025. No segmento de frutas frescas, embora o volume embarcado tenha recuado cerca de 10%, a receita aumentou mais de 22%, sustentada pelo preço médio superior, que alcançou US$ 1.254,31 por tonelada. Já na carne bovina, as vendas para os Estados Unidos subiram 42% no mês, mas o aumento pontual não foi suficiente para reverter a queda de 38% nas exportações totais de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada no comparativo anual.

Semeadura de grãos acelera, mas clima divide regiões

No campo, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicou que a semeadura da safra de soja atingiu 9,4% da área estimada no país, superando o ritmo de 2025 e a média histórica de cinco anos. O retorno da umidade beneficiou Estados produtores como Mato Grosso, onde as chuvas recentes permitiram o início do plantio em áreas de sequeiro. De acordo com informações do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), a expectativa é de maior aceleração dos trabalhos ao longo das próximas semanas.

Para o milho de primeira safra (verão), a área plantada chegou a 30,8% no país, também acima do ano anterior (29,1%) e da média histórica (27,9%). No entanto, o excesso de precipitações e a baixa luminosidade começam a gerar preocupações no Paraná, onde 78% do milho e 36% da soja estão semeados, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), trazendo riscos de estreitamento para a janela da safrinha. No caso do feijão das águas, o plantio alcançou 13,1%, ficando abaixo dos anos anteriores em virtude do frio e do solo excessivamente úmido no Sul.

Paralelamente, a safra de trigo nacional enfrenta desafios de qualidade. Levantamentos da Conab, do Deral e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) apontam que as chuvas prejudicaram a formação dos grãos e o peso do hectolitro (PH), gerando escassez de trigo tipo 1 e ampliando a necessidade de as indústrias moageiras recorrerem a importações.

Soja reage no mercado físico de Mato Grosso

Apesar da retração do dólar para a faixa de R$ 4,98, o mercado físico de soja em Mato Grosso encerrou setembro em recuperação. O preço médio da saca ultrapassou R$ 140,00, fechando o mês a R$ 140,85 por saca, o maior patamar verificado nos últimos dois anos. O movimento reflete o aumento do esmagamento industrial doméstico e o enxugamento da oferta disponível da safra anterior, trazendo alívio momentâneo às margens do produtor rural.

Conclusão

O cenário para o agronegócio combina oportunidades pontuais de comercialização nas bolsas com alertas no front logístico e produtivo. A recuperação de preços internos em praças estratégicas como Mato Grosso oferece suporte à rentabilidade, mas os produtores e exportadores brasileiros precisam manter atenção redobrada à concorrência externa no milho, à volatilidade cambial e aos riscos climáticos que podem impactar a janela da segunda safra de 2027.

* Com auxílio de IA

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