Brasil importou 5,2 milhões de toneladas de fertilizantes a menos em 2026 e já acumula seis meses seguidos de queda

Somente em setembro, importações recuaram 27,94%, enquanto preço médio permaneceu acima de 2025, apesar do alívio em relação aos meses anteriores
Publicado em 07/10/2026 07:23

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O Brasil encerrou o terceiro trimestre de 2026 com as importações de fertilizantes aproximadamente 5,2 milhões de toneladas abaixo do registrado no mesmo período do ano passado. A retração ganhou consistência ao longo dos últimos meses e setembro marcou o sexto mês consecutivo em que o volume importado ficou abaixo de igual período de 2025.

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que o país importou 3,10 milhões de toneladas de adubos ou fertilizantes químicos em setembro, contra 4,31 milhões de toneladas no mesmo mês do ano passado, redução de 27,94%. Como setembro de 2026 teve 21 dias úteis, contra 22 em 2025, a média diária também ajuda a dimensionar a queda: passou de 195,93 mil para 147,90 mil toneladas, recuo de 24,51%.

Em valores, as importações movimentaram US$ 1,17 bilhão em setembro, 24,10% abaixo dos US$ 1,55 bilhão registrados um ano antes. O preço médio, porém, permaneceu acima de 2025, passando de US$ 359,69 para US$ 378,89 por tonelada, avanço de 5,33%.

A diferença entre os volumes importados começou a se ampliar a partir de abril. Depois de março registrar crescimento de 31,3% na comparação anual, as entradas ficaram abaixo de 2025 em todos os seis meses seguintes. As quedas foram de 12,9% em abril, 14,3% em maio, 20,3% em junho, 14,3% em julho, 43,2% em agosto e 27,94% em setembro.

Com a sequência, o Brasil chegou ao final de setembro com aproximadamente 28,47 milhões de toneladas de fertilizantes importadas em 2026, ante 33,73 milhões de toneladas no mesmo intervalo de 2025. A diferença chega a cerca de 5,26 milhões de toneladas, equivalente a uma retração próxima de 15,6%.

Preços recuam dos picos, mas continuam acima de 2025

A redução dos volumes ocorre em um ano no qual os preços médios de importação permaneceram acima dos registrados em 2025. Em agosto, o fertilizante importado pelo Brasil havia custado, em média, US$ 403,20 por tonelada, 12,8% acima do mesmo mês do ano anterior.

Setembro trouxe algum alívio nessa trajetória. O preço médio caiu para US$ 378,89 por tonelada, ficando também abaixo dos US$ 441,30 registrados em junho e dos US$ 430,80 de julho. Mesmo com a redução nos últimos meses, porém, o valor de setembro permaneceu 5,33% acima do registrado um ano antes.

A combinação entre menor volume importado e preços mais elevados já vinha aparecendo nos dados anteriores. Até agosto, as importações acumulavam queda de 13,8% em volume, enquanto o preço médio no período permanecia 15,9% superior ao de 2025. O fechamento de setembro, portanto, mantém a retração dos volumes, mas mostra redução da diferença entre os preços pagos neste ano e no ano passado.

Em setembro, quando os dados de agosto apontaram queda de 43% nas importações, agentes ouvidos pelo Notícias Agrícolas ainda não identificavam risco de falta de fertilizantes no mercado brasileiro. Naquele momento, a avaliação era de que os estoques existentes ajudavam a compensar o menor ritmo de entrada do produto no país.

Os números de setembro, isoladamente, não permitem determinar se a sequência de queda das importações altera esse cenário de abastecimento ou a posição de compra dos produtores para os próximos ciclos. O novo fechamento mostra, porém, que a redução dos volumes deixou de ser um movimento pontual e se estendeu por todo o segundo e o terceiro trimestres até setembro.

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