Açúcar fecha misto após renovar máximas de 19 meses em Nova Iorque e 22 meses em Londres
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Os preços do açúcar fecharam em direções opostas nesta quarta-feira (7) nas bolsas de Nova Iorque e Londres, após os contratos renovarem máximas importantes durante a sessão. Em Nova Iorque, a cotação chegou ao maior nível em 19 meses, enquanto em Londres o açúcar branco alcançou a maior marca em 22 meses.
O contrato de açúcar mundial com vencimento em março de 2027, o mais negociado em Nova Iorque, terminou o dia com alta de 1 ponto, a 20,83 centavos de dólar por libra-peso. Já o açúcar branco para dezembro, em Londres, recuou 80 pontos, para US$ 555,70 por tonelada.
Chuvas no Brasil seguem limitando oferta
Entre os principais fatores de suporte ao mercado está o excesso de chuvas no Centro-Sul do Brasil, principal região produtora de cana-de-açúcar do mundo. A sequência de precipitações tem atrasado a colheita e provocado interrupções na moagem das usinas, restringindo a disponibilidade de matéria-prima no curto prazo.
O cenário ganhou reforço com uma nova revisão do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O Serviço Agrícola Estrangeiro (FAS) reduziu a estimativa para a produção brasileira de açúcar em 2026/27 de 42,5 milhões para 42,2 milhões de toneladas.
A mesma revisão também trouxe uma redução expressiva para a Índia, cuja produção estimada para 2026/27 passou de 33,6 milhões para 29,5 milhões de toneladas, diante dos impactos de condições climáticas adversas.
Apesar dos fundamentos de oferta, o açúcar perdeu força ao longo da sessão. A valorização do dólar estimulou a liquidação de posições compradas nos contratos futuros, limitando os ganhos em Nova Iorque e pressionando as cotações em Londres.
Déficit global volta ao radar
As perspectivas de um balanço global mais apertado também continuam dando sustentação ao mercado. A Organização Internacional do Açúcar (ISO) projeta um déficit de 200 mil toneladas em 2026/27, depois de um superávit estimado em 1,1 milhão de toneladas na temporada 2025/26.
A produção da Tailândia também preocupa. A Thai Sugar Millers Corp. estima que a produção do país possa cair 17% em 2026/27, para cerca de 10 milhões de toneladas. A Tailândia é o segundo maior exportador mundial de açúcar.
A Covrig Analytics, por sua vez, passou a projetar um déficit global de 300 mil toneladas em 2026/27, revertendo a previsão anterior de superávit de 100 mil toneladas.
Para 2027/28, a Czarnikow trabalha com um déficit ainda maior, de 2,9 milhões de toneladas. A consultoria estima que a produção mundial recue 0,7%, para 177 milhões de toneladas, com impactos principalmente de problemas climáticos na Índia, na União Europeia e na Tailândia.
El Niño aumenta preocupação com produção
O mercado também acompanha os riscos climáticos associados ao El Niño. Um episódio de forte intensidade pode reduzir as chuvas em importantes regiões produtoras, como Brasil, Índia e Tailândia.
O Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos indicou que o El Niño observado no Pacífico equatorial pode estar entre os mais fortes dos últimos 75 anos, aumentando as preocupações com o potencial impacto sobre as lavouras.
Na Índia, o Departamento Meteorológico informou que as chuvas acumuladas durante a temporada de monções, entre junho e setembro, ficaram 12,6% abaixo da média até 30 de setembro, no menor nível em 11 anos.
Diante das preocupações com a oferta, o governo indiano autorizou a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto sem cobrança de impostos até 31 de outubro. A medida chama atenção porque a Índia normalmente ocupa uma posição relevante nas exportações globais.
Produção brasileira segue abaixo do ano anterior
No Brasil, os dados mais recentes da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) também ajudam a sustentar os preços. A produção de açúcar do Centro-Sul caiu 26,3% em junho, para 3,903 milhões de toneladas.
O cenário de menor produção ocorre justamente em um momento de maior preocupação com a disponibilidade de cana para moagem, diante das chuvas que vêm atingindo importantes áreas produtoras.
Para a temporada 2026/27, a ISO prevê produção mundial de 180,1 milhões de toneladas, queda de 1% em relação ao ciclo anterior, e déficit de 200 mil toneladas.
Em contraste, a temporada 2025/26 deve registrar produção recorde de 182 milhões de toneladas, alta de 3,5%, com superávit global estimado em 1,1 milhão de toneladas.
O USDA, em sua projeção global, também trabalha com uma redução da produção em 2026/27, para 184,854 milhões de toneladas, enquanto o consumo humano deve crescer 0,4%, para 179,991 milhões de toneladas.
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