Chuva se intensifica no RS entre quinta e sexta-feira e aumenta risco hidrológico

Novos episódios de chuva volumosa atingem diferentes áreas do estado sobre um cenário de solos bastante úmidos e rios ainda elevados após as precipitações anteriores
Publicado em 08/10/2026 07:57

O Rio Grande do Sul entra em um novo período de atenção entre quinta (8) e sexta-feira (9). A previsão indica dois dias consecutivos de chuva forte e temporais, com acumulados pontualmente próximos dos 100 mm, além de granizo e rajadas intensas de vento.

Mais do que os volumes previstos isoladamente, preocupa a combinação entre chuva intensa em curto intervalo de tempo, solos já bastante úmidos e rios que ainda apresentam níveis elevados após as precipitações anteriores.

Nesta quinta-feira, a atuação de áreas de baixa pressão no interior do continente, o avanço de uma frente fria e a presença de um amplo cavado em médios níveis mantêm elevado o transporte de calor e umidade para o estado, criando condições para a organização de fortes áreas de instabilidade.

Oeste e Missões concentram maior atenção na quinta-feira
As instabilidades ganham força desde a madrugada e atingem principalmente a metade oeste, Campanha, região central, Missões, Noroeste e Norte do Rio Grande do Sul.

Há previsão de chuva moderada a forte, trovoadas e temporais, com possibilidade de granizo e rajadas intensas. De maneira geral, os acumulados podem variar entre 10 e 80 mm, mas há possibilidade de volumes pontuais próximos dos 100 mm no oeste e nas Missões.

Parte dessa chuva pode cair em um curto intervalo de tempo, aumentando o potencial para alagamentos e enxurradas.

Temporais no Sul

Os ventos também exigem atenção. Durante os temporais, as rajadas podem variar entre 71 e 90 km/h e, pontualmente, superar os 90 km/h no território gaúcho.

Mesmo nos períodos em que a chuva apresentar diminuição, novas áreas de instabilidade podem se formar ao longo do dia.

Rios ainda elevados aumentam vulnerabilidade
A nova rodada de chuva ocorre antes da completa normalização das condições hidrológicas em algumas bacias.

O rio Ibicuí, em Manoel Viana, e o rio Uruguai, em São Borja, permanecem acima da cota de inundação, embora apresentem declínio. O rio Jacuí, em Cachoeira do Sul, também está acima da cota de inundação e com tendência de queda. Já o rio Uruguai apresenta lenta elevação a partir de Itaqui.

Esse cenário aumenta a necessidade de acompanhamento porque os novos volumes podem retardar a redução dos níveis dos rios ou provocar novas elevações em determinadas bacias.

Além disso, mesmo onde os rios não estejam em situação crítica, a elevada umidade do solo reduz a capacidade de absorção de novos volumes de chuva.

Sexta-feira traz nova rodada de chuva volumosa
A sexta-feira mantém o cenário de atenção, mas as áreas com maior potencial para elevados acumulados mudam.

A chuva persiste desde cedo no oeste e centro-sul gaúcho e se espalha pelas demais regiões durante a manhã. Ao longo do dia, permanecem condições para chuva forte e temporais, com destaque para o noroeste, oeste, região central, sudeste e parte da Campanha.

Os acumulados podem variar entre 10 e 60 mm, com pontos próximos dos 100 mm principalmente na Campanha, sul e Costa Doce.

Assim, enquanto na quinta-feira a maior atenção fica concentrada no oeste e nas Missões, na sexta os maiores volumes passam a atingir principalmente setores mais ao sul do estado.

Além da chuva volumosa, permanecem as condições para granizo, rajadas fortes e episódios de precipitação intensa em curto período.

Risco de alagamentos, enxurradas e novas cheias aumenta
A sequência de chuva mantém elevado o risco de transtornos hidrológicos.

Nas áreas urbanas, pancadas muito intensas em curto intervalo podem favorecer alagamentos e enxurradas. Já nas bacias hidrográficas, a continuidade das precipitações pode provocar novas elevações dos rios ou retardar a normalização daqueles que ainda permanecem acima das cotas de referência.

Por isso, a atenção não deve se restringir apenas aos locais onde os maiores acumulados diários são previstos. A condição antecedente do solo e das bacias também será determinante para os impactos da nova rodada de chuva.

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